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Visão | "Costa alimentou um novo tabu sobre o papel de António Mendonça Mendes na chamada do SIS"

Visão | "Costa alimentou um novo tabu sobre o papel de António Mendonça Mendes na chamada do SIS"

No Olho Vivo desta semana analisamos a prestação de Costa no embate parlamentar com a oposição, quando passa um mês sobre a confusão no Ministério das Infraestruturas, e ainda um novo caso judicial que envolve não só o ministro das Finanças, como o delfim socialista Duarte Cordeiro. E o reaparecimento de Cavaco Silva também não ficou de fora desta an��lise…

No rescaldo de um debate morno do Governo sobre política geral no Parlamento, em que António Costa foi confrontado com os incidentes ocorridos, há um mês, no gabinete de João Galamba, continuam a ser muitos mais as perguntas do que as respostas sobre aquele caso em que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) foi envolvido. Ainda assim, o primeiro-ministro conseguiu sair do hemiciclo sem que a oposição tenha conseguido, ao contrário do que tudo apontaria, transformar aquele confronto numa réplica da Comissão Parlamentar de Inquérito de gestão      

Segundo Mafalda Anjos, diretora da revista VISÃO, “O tempo político está voraz e acumulam-se os casos prejudiciais ao Executivo. Mas António Costa apresentou-se como mata-borrão ontem no Parlamento para o debate de política geral, apostando nas respostas curtas e hábeis”. “Tentou baixar o ruído, dizendo que o regular funcionamento das instituições está assegurado, que tudo correu bem e que o governo está a governar, tentando focar-se nos bons números. Por demérito da oposição, é muito difícil encostar o Primeiro-ministro às cordas”, aponta, neste podcast semanal de análise política.

Para a diretora da VISÃO, “do debate de ontem saiu um tabu”: “António Costa não respondeu às várias vezes a questão lhe foi colocada sobre se António Mendonça Mendes o informou de que tinha dito a João Galamba para contactar o SIS”.

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Sobre a mesma prestação do primeiro-ministro naquele debate parlamentar, Filipe Luís, editor-executivo da VISÃO, considera que foi “mais um dia no escritório”: “O modelo dos debates favorece os primeiros-ministros e Costa aproveita isso bem”. E justifica o editor executivo da VISÃO: “Ainda por cima, os deputados confundiram um debate bimensal com a CPI da TAP; ora, nestes debates, quem responde tem um amplo leque de hipóteses de contornar as perguntas, ao contrário do que acontece nas CPIs.”

Para saber mais

“Tratou-se de um debate bastante morno, e que não fica para a história não por mérito de António Costa, mas por demérito de uma oposição. É que este caso Galamba começa a ser uma espécie de casca de banana em que o Governo escorrega constantemente desde há um mês, e à oposição, à exceção de Catarina Martins, que está de saída da liderança do BE, não conseguiu aproveitar esse facto”, sublinhou, por outro lado, Nuno Miguel Ropio, jornalista da VISÃO, que frisou o “insólito” momento em que, “como já não bastasse tudo o que já se sabe o que aconteceu naquele ministério”, o nome de Marcelo Rebelo de Sousa é envolvido nisto e “passa a ser a última das personagens a serem envolvidas neste caso rocambolesco”.  

Sobre a intervenção do SIS, Filipe Luís considera que a narrativa de Costa “tem fragilidades que a oposição não soube aproveitar”. E dá exemplos, como este: “O primeiro-ministro diz que, perante o extravio de informação confidencial, era ‘preciso alertar as autoridades’; acontece que o SIS não é uma autoridade…” E conclui: “Já que Costa tanto falou de populismo, diga-se que esta capacidade de confundir as coisas não é mais do que uma técnica populista”…

Filipe Luís defende que, ao contrário do que Costa afirma, “saber exatamente em que quadro atuam os serviços de informação, ou atuaram neste caso, é mais importante do que as “preocupações dos portugueses”. Porquê? “É verdade que os portugueses estão, agora, mais preocupados com a inflação ou com a prestação da hipoteca do que com o SIS; só que este caso tem a ver com o regime, a saúde e a preservação da democracia, o funcionamento das instituições e, portanto, com o futuro do País. E um democrata que não percebe isto, não percebe nada”.

Sobre a operação Tutti Fruti, Fiipe Luís desconfia que, por vezes, o Ministério Público quer dar prova de vida desta longa investigação. “Eles tinham aquelas escutas – onde aliás, os ministros visados não são apanhados… – há anos, mas foram agora reveladas, na altura em que o Governo atravessa particulares dificuldades. É impossível não pensar em gestão política da investigação. Sobretudo, quando é revelado que houve uma combinação entre PS e PSD para dividirem juntas de freguesia, o que pode ser eticamente reprovável, mas não é crime – e, portanto, esta fora da alçada do MP.

Mais, diz Filipe Luís, “ninguém divide juntas de freguesia, porque quem define os vencedores das eleições é o eleitorado. A prova é que o PS também não quis ‘agredir’ o PCP, na Margem Sul, em 2017, e apresentou candidatos fracos – mas alguns ganharam!”. Já Nuno Miguel Ropio lamentou que se trate de “mais um daqueles megas processos a que o Ministério Público já nos habituou e que, querendo juntar tantos casos num só” não obtenha os resultados com que acena nestes momentos, ao fazer libertar para a comunicação social detalhes da investigação.

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