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Lee Jae-sung, fala-nos do amor por Paulo Bento

Lee Jae-sung, fala-nos do amor por Paulo Bento

É raro um futebolista prestar-se a escrever um blogue com histórias de bastidores e muito mais exibir pensamento crítico sobre a infância, a carreira, o futebol e a vida. Lee chega a ser filosófico.

O título deste texto, com vírgula estratégica, formula um pedido ao qual Lee Jae-sung, jogador sul-coreano, teria gosto em responder positivamente. Nesta quarta-feira, este médio marcou pelo Mainz na derrota (2-1) frente ao Borussia Dortmund e “tropeçámos” no blogue que o jogador escreve. Sim, um jogador profissional tem um blogue – e não só escreve histórias de bastidores como exibe pensamento crítico sobre a infância, as aventuras na carreira, o futebol em geral e até mesmo a vida. Chega a ser filosófico. Daqui em diante chamemos-lhe Lee, o filósofo, ainda que os laivos de pensador fiquem para outro dia.

Por hoje, focamo-nos em Paulo Bento, com a noção de que a interpretação destes textos ficou refém da qualidade das máquinas de tradução automática coreano-inglês. Em todo o caso, o cruzamento entre dois tradutores diferentes permite um grau razoável de confiança na leitura.

Lee, o filósofo, mostra ser um apaixonado por Paulo Bento, treinador português que guiou a Coreia do Sul no Mundial 2022 e que saiu após a competição. Num dos textos que publicou, o jogador fala-nos do “coach Bento [treinador Bento]” como alguém em quem confiavam cegamente.

“Durante quatro anos, liderou a equipa com postura imperturbável. Cheguei a pensar como era possível alguém ser assim. Ele por vezes pode estar perturbado, mas nunca o mostra à frente da equipa”, pode ler-se num texto publicado a 26 de Dezembro, num rescaldo do que Lee, o filósofo, viveu no Mundial do Qatar.

Antes disso, já tinha escrito outro texto pós-Qatar. E é aí que se vê o quanto o coach Bento conquistou os coreanos – ou, no mínimo, este coreano. “Quero contar uma história. Depois do Mundial percebi o quão importante é um treinador. O Bento chegou e jogámos bom futebol. Jogámos o futebol que queríamos sem sermos influenciados pela imprensa e a opinião pública [muito crítica para com a selecção asiática]. E nós já ouvíamos desde Setembro que ele ia sair após o Mundial. Ficou um ambiente de pessimismo e estávamos preocupados”, começa por contar. E vai mais longe, mostrando a audácia – e que rara é – de se prestar à reflexão que se segue.

“Espero que agora venha alguém que nos guie bem. E acho que os jogadores devem ter uma palavra a dizer. Não será mais difícil criar um bom grupo se se escolher o treinador levianamente? Sentimos na pele que uma equipa pode mudar completamente dependendo de quem é o líder. O Paulo Bento provou-o”.

Bento decisivo no Mundial

Lee, o filósofo, conta ainda que o treinador português mostrou, no Mundial, um traço de personalidade que em Portugal já lhe era apontado: a teimosia. Mas não o diz como crítica. Como poderia? O rapaz adora Paulo Bento.

“Muitas vezes é dito que ele é teimoso e eu concordo. Ele tinha uma crença inabalável nas suas ideias. Sempre liderou a equipa da mesma maneira, confiava nos jogadores e protegia-nos. Ao vermos isso também ganhámos fé no treinador. E queríamos jogar por ele e recompensá-lo pela confiança e protecção”.

Lee, o filósofo, conta que este tipo de ligação é essencial em certos momentos, exemplificando o Portugal-Coreia. Paulo Bento estava na bancada, depois de ter sido expulso frente ao Gana. O jogador conta que todos ficam preocupados quando estão sem o treinador, mas eles não estavam. Bento fez questão de passar tudo aos adjuntos, nunca tomar decisões sozinho e até levá-los às conferências de imprensa. E Lee, o filósofo, dispara sem pudor: “Acredito que foi a crença dele que nos levou ao sonho de estarmos nos oitavos-de-final”.

Nesta fase da carreira, o coreano, já com 30 anos, joga pelo Mainz, depois de três temporadas na segunda divisão alemã e cinco no Jeonbuk Motors, da Coreia. Canhoto e de passada larga, joga como médio-ofensivo, mas não tem sido especialmente goleador na Bundesliga.

Na selecção, porém, tem honra de camisola 10 e habitual titular. Falta-lhe um Paulo Bento todos os dias.

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