visao.sapo.ptRUI BARROSO - 24 jan. 13:35

Exame | A promessa da Inteligência Artificial cumpriu-se e um admirável mundo novo chegou

Exame | A promessa da Inteligência Artificial cumpriu-se e um admirável mundo novo chegou

O uso de inteligência artificial trará uma maior produtividade a menor custo, o que se irá traduzir literalmente num crescimento económico a nível mundial

A Inteligência Artificial tem o potencial de revolucionar praticamente todos os setores da sociedade, como a saúde, educação, artes criativas, entretenimento, transportes, manufatura, retalho, energia, defesa, finanças, marketing, software e hardware, entre muitos outros. Até 2030 é expectável que haja uma significativa adoção de IA nas indústrias destes setores, com um potencial enorme para o crescimento económico global.

Este tema tem vindo a ser falado há vários anos, mas apenas muito recentemente é que estas tecnologias estão a fazer-se notar. De entre centenas de tecnologias, destacam-se a Jasper e Rytr para criação de conteúdos, a Quillbot para apoio à escrita, a Genei para sumarização de conteúdos, a Midjourney para geração de imagens, a Design Beast para design gráfico, a Surfer SEO para marketing e vendas, a Timely para gestão de projetos, a Podcastle para edição de vídeo, e o ChatGPT para assistência pessoal. Destes todos, o que mais impacto teve foi o ChatGPT, por em tempo recorde ter conquistado milhões de utilizadores.

Estas tecnologias têm o potencial de melhorar significativamente a produtividade e eficiência de indivíduos e organizações. Torna-se possível acelerar a execução de inúmeras tarefas, aumentando paralelamente a qualidade dos resultados. Até ao momento, ainda precisam de ser micro geridas, necessitando de informação clara sobre o que produzir e uma verificação atenta sobre o mesmo conteúdo. Ainda assim, a atividade nuclear do trabalho pode, em muitas instâncias, ser delegada para a inteligência artificial. A tempo, a qualidade dos resultados será cada vez melhor, ficando à responsabilidade do utilizador apenas indicar com precisão o que precisa que lhe seja fornecido.

Esta tendência trará grandes mudanças e desafios sociais. A título de exemplo, vamos considerar as consequências do seu uso na educação. Excluindo testes e exames, onde o aluno tem de estar presente e usar os seus conhecimentos para responder às perguntas que lhe são impostas, todos os projetos podem agora ter a sua qualidade melhorada de forma artificial, impossibilitando aos professores a avaliação verdadeira do conhecimento dos seus alunos. Para conteúdos replicados da internet, ferramentas de deteção de plágio ainda eram uma salvaguarda para os professores. Mas se agora estes conteúdos podem ser requisitados por procura à IA, e onde muitas vezes as respostas são originais e de qualidade, torna-se praticamente impossível discernir onde se encontra a fronteira entre o trabalho realizado pelo aluno e o trabalho realizado pela inteligência artificial.

Outro desafio estará na aprendizagem do aluno. Uma das melhores formas para se aprender a fazer algo, é fazê-lo. Mas se agora se pode delegar a execução do trabalho para uma IA perita nesse domínio, onde é que fica a aprendizagem do aluno? Será que poderemos vir a ter trabalhadores que sabem o que fazer, mas não sabem bem como fazê-lo?

E a médio prazo, será que o conhecimento sobre as coisas do mundo irá migrar lentamente para estas inteligências artificiais, ficando a humanidade cada vez mais ignorante e dependente das mesmas? E se estas IAs que foram aprendendo com conteúdos produzidos pela humanidade, no futuro aprenderem com conteúdos produzidos por elas mesmas, onde é que este ciclo de feedback as irá levar?

Serão muitos os problemas que surgirão. Mas como se costuma dizer, são o tipo de problemas que queremos ter. Ou por outras palavras, a tendência parece-me ser positiva.

Em suma, o uso de inteligência artificial trará uma maior produtividade a menor custo, o que se irá traduzir literalmente num crescimento económico a nível mundial. Será importante garantir que esta transformação seja feita de forma ética e inclusiva, e que traga trabalhos mais criativos e menos morosos. E para citar o nosso saudoso Agostinho da Silva: “O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta!”. Esperemos que esta sua visão – diga-se de passagem completamente fora do seu tempo – venha a concretizar-se!

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