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Ex-árbitro diz que emails provam pressão de agentes do futebol na arbitragem

Ex-árbitro diz que emails provam pressão de agentes do futebol na arbitragem

Carlos Duarte, ex-árbitro da Liga, testemunhou esta sexta-feira no julgamento do caso dos e-mails do Benfica, dizendo que as mensagens eletrónicas trocadas entre Ferreira Nunes, ex-vice presidente do Conselho de Arbitragem, e Paulo Gonçalves, do clube da Luz, vieram expor "a ascendência que alguns agentes do futebol tiveram por pressão na arbitragem portuguesa".

"O teor dos emails não é escandaloso para uma pessoa média, mas para quem está na arbitragem é o comprovativo do que se suspeitava, o poder real de alguns agentes para exercer pressão sobre uma classe", afiançou Carlos Duarte, ex-árbitro e atual comentador do Porto Canal, acrescentando que sempre "causou incómodo o clubismo de Ferreira Nunes".

Ferreira Nunes seria ouvido também esta sexta-feira na qualidade de testemunha da defesa, tal como foi o ex-árbitro Carlos Duarte, mas o depoimento foi adiado por a defesa ter junto ao processo documentos com os quais o quer confrontar. Decorre agora o prazo para os advogados dos assistentes se pronunciarem sobre a admissão e caberá depois ao tribunal decidir se estes são admissíveis.

Os documentos em causa são emails nos quais, de acordo com a defesa, o ex-vice presidente do Conselho de Arbitragem usa um pseudónimo na conversa com Paulo Gonçalves, assessor do Benfica, e nos quais se assume como Frank Vargas. À saída do tribunal, questionado pelo JN sobre a veracidade dos emails e se era de facto Frank Vargas, Ferreira Nunes recusou-se a comentar.

Em tribunal, Carlos Duarte, que foi árbitro entre 1997 e 2014, fez alusão ao processo Apito Dourado, no qual foi advogado. "A família da arbitragem viu com surpresa e estupefação que os mesmos que condenaram o Apito Dourado como o maior escândalo da arbitragem são os mesmos que estão na origem deste processo", declarou. O facto de ter sido advogado no processo Apito Dourado suscitou comentários dos juízes.

A testemunha da defesa disse que a nomeação de Ferreira Nunes para o cargo de vice presidente do Conselho de Arbitragem causou surpresa "pela falta de currículo e por ser uma pessoa desconhecida no meio". Era a sua função, de acordo com a testemunha, nomear observadores para jogos que fazem os relatórios e avaliação dos árbitros.

"Mesmo que os árbitros pedissem uma análise da avaliação por uma comissão técnica, era o mesmo órgão que formava essa comissão, ou seja, não valia a pena", referiu Carlos Duarte. "Esta função torna o vice presidente do Conselho de Arbitragem na pessoa mais influente na classe. Quando o vi nesta troca de emails percebi, como percebemos todos os árbitros, que era verdade tudo o que suspeitávamos e comentávamos em surdina, que a ascendência de alguns agentes do futebol através de pressões da arbitragem era verdade".

O árbitro foi questionado pelos advogados dos assistentes sobre se estas ilações são resultantes das suas funções na Associação de Futebol do Porto, mas o ex-árbitro negou, defendendo que foi enquanto dirigente do Conselho de Arbitragem e em contacto com árbitros de todo o país.

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