jornaleconomico.ptjornaleconomico.pt - 25 nov. 18:06

Sete bancos lucraram dois mil milhões até setembro, mais 71% do que no período homólogo

Sete bancos lucraram dois mil milhões até setembro, mais 71% do que no período homólogo

Os lucros dos sete maiores bancos – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novobanco, Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio somam 2.006,3 milhões de euros até setembro deste ano, o que compara com um valor de 1.172 milhões nos nove meses do ano passado. O que significa que os lucros dos se

Os lucros dos sete maiores bancos – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novobanco, Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio – somam 2.006,3 milhões de euros até setembro deste ano, o que compara com um valor de 1.172 milhões nos nove meses do ano passado. O que significa que os lucros dos sete bancos cresceram 71,2%.

A fechar a temporada dos resultados do terceiro trimestre na banca esteve o Crédito Agrícola que apresentou um resultado líquido de 93,8 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. O Crédito Agrícola foi também o único do grupo a registar uma queda nos lucros face a setembro de 2021.

O banco liderado por Licínio Pina explicou que a variação homóloga negativa (-27,3%) verificada no resultado líquido “foi influenciada pelos resultados não recorrentes, obtidos nos primeiros nove meses de 2021, relacionados com ganhos líquidos com operações financeiras, no valor de 56,7 milhões de euros (51,3 milhões de euros só no 1.º trimestre do ano passado), bem como com juros retroativos, referentes a 2020, no valor de 8,0 milhões de euros recebidos no primeiro trimestre de 2021 no âmbito do programa financeiro do BCE – TLTRO”.

O negócio segurador, para além da contribuição de comissões de mediação do negócio bancário no montante total de 28,1 milhões de euros, apresentou um resultado líquido de 5,5 milhões de euros proveniente da CA Seguros e de 33,0 milhões de euros da CA Vida.

O grupo revelou que o lucro de 93,8 milhões corresponde a uma rentabilidade de capitais próprios anualizada (ROE) de 6,3% e para a qual concorreram os contributos positivos das principais componentes do Grupo (banca, seguros vida e não vida e gestão de ativos).

Se olharmos para o ranking dos lucros verificamos que é liderado pela CGD com 692 milhões de euros em termos consolidados, o que traduz uma subida de 61,30% face ao período homólogo do ano anterior e uma rentabilidade dos capitais próprios de 10,80% e o banco revelou que pela primeira vez a rentabilidade alcançou o custo do capital. A nível doméstico, a CGD reportou um lucro de 537 milhões.

O banco liderado por Paulo Macedo explicou a subida dos lucros “com redução das imparidades (…) e forte contributo da área internacional”.

O segundo maior lucro da temporada foi do Novobanco, que reportou 428,3 milhões a representar uma subida de 178% face ao período homólogo. A rentabilidade, no caso do banco detido pela Lone Star, é apresentada sob a forma de ROTE (Return on Tangible Equity) e fixou-se em 12,4%. A explicar os números do banco que teve António Ramalho como CEO até agosto está o menor registo de imparidades e provisões, com o banco a registar novas imparidades líquidas de 22,5 milhões. O outro é a venda da sede, em Lisboa, que rendeu 71,5 milhões.

Os resultados do Novobanco superaram em mais de quatro vezes os lucros do BCP (97,2 milhões) e foram também superiores aos 385,1 milhões obtidos pelo Santander Totta e aos 286 milhões de euros do BPI.

A segunda melhor rentabilidade é a do Santander Totta ao fixar-se em 11,10% num ano em que o banco liderado por Pedro Castro e Almeida viu os lucros subirem num ano 123,6%.

O BPI, que também reporta o ROTE (neste caso o doméstico), apresentou uma rentabilidade dos capitais próprios tangíveis de 7,3%, ainda abaixo do custo do capital. O banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa viu os lucros de setembro subirem 18% para 286 milhões de euros. A atividade em Portugal contribuiu com 159 milhões, o que corresponde a um aumento de 25% face ao período homólogo de 2021.

O BCP aparece como o banco com a mais baixa rentabilidade entre os grandes bancos. A instituição reportou lucros de 97,2 milhões, a subirem 63%, mas a rentabilidade dos capitais próprios a nível consolidado é de apenas 2,5%.

O banco liderado por Miguel Maya destacou o aumento dos proveitos core do grupo em 24,7% com custos controlados e explicou o impacto negativo dos efeitos extraordinários relacionados com o Bank Millennium incluindo encargos de 393 milhões de euros associados à carteira de créditos hipotecários em francos suíços, provisões para moratórias de crédito de 304,6 milhões de euros, contribuição de 59,1 milhões de euros para o Fundo de Proteção Institucional polaco e registo da imparidade do goodwill do Bank Millennium de 102,3 milhões de euros. O Millennium BCP registou um resultado líquido de 295,7 milhões de euros em Portugal, em consequência do
crescimento de 9,3% dos proveitos core, da redução de 3,4% dos custos operacionais (excluindo itens específicos) e da redução de 11 pontos base no custo do risco.

Por fim, o Banco Montepio reportou lucros de 23,9 milhões, o que compara com prejuízos um ano antes de 14,4 milhões de euros. A rentabilidade dos capitais próprios é, no entanto, baixa, de apenas 0,20%.

Os resultados líquidos consolidados nos primeiros nove meses de 2022 incorporam, no terceiro trimestre, “um impacto negativo estimado em -22,7 milhões (depois de considerados os interesses que não controlam) do acordo assinado para a alienação da participação financeira detida pelo Grupo Banco Montepio no Finibanco Angola”.

O banco realça o “incremento do produto bancário, com destaque para subida da margem financeira e das comissões” e a “redução dos custos operacionais”. No entanto, o produto bancário subiu apenas 4,7% face ao período homólogo.

Os bancos caminham assim para um ano de lucros recorde. Isto apesar de ainda não ser expressivo o impacto da subida dos juros na margem financeira, pois à exceção do BCP, que registou uma subida da receita da margem financeira de 32,7% e da Caixa que viu a receita dos juros subir 25% – aqui com forte contributo da atividade internacional e das operações de tesouraria (incluindo o programa TLTRO do BCE) e gestão da carteira, que ao todo contribuíram com 60 milhões – os restantes bancos ou registam uma queda da margem, ou uma subida menos significativa do que o esperado, dado o contexto de subida dos juros do crédito e taxas dos depósitos em quase zero.

Foi, por exemplo, o caso do Novobanco que viu os lucros subirem 178%, mas a receita da margem financeira recuou 5,6% face ao período homólogo. Facto que é explicado pelo fim das medidas expansionistas do Banco Central Europeu, que tem um impacto negativo imediato na receita de juros dos bancos, enquanto a subida da margem financeira por conta da escalada dos juros do crédito tem um impacto mais lento no produto bancário. Isto é, o fim dos empréstimos de baixo custo à banca – como se sabe o BCE alterou as condições da terceira série de operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (TLTRO III) –, e o fim dos programas de compra de dívida afetam a margem.

A penalizar a receita de juros está ainda o efeito do elevado custo de financiamento das emissões de dívida sénior que visam reforçar os passivos elegíveis para cumprimento do requisito de MREL (requisito mínimo de fundos próprios e créditos elegíveis) da banca. O BCP, por exemplo, financiou-se a 8,5%.

Ainda assim, pode dizer-se que conta de resultados dos bancos começou a refletir paulatinamente o impacto da subida das taxas de juro. O ‘repricing’ originou uma melhoria progressiva da margem financeira dos ativos ao longo de 2022, com maior expressão no terceiro trimestre. Por sua vez, as comissões tiveram uma evolução positiva em todos os bancos. O produto bancário subiu em seis dos bancos, exceto no Santander Totta que caiu 9%. A maior subida do produto bancário (margem + comissões + lucros de operações financeiras) registou-se no Novobanco (+26,5%). Já o Crédito Agrícola regista uma subida de apenas 2,20%.

Já do lado dos depósitos, os rácios de transformação de depósitos em crédito em torno dos 80% não incentivam à subida da remuneração dos depósitos pelos bancos. Mas, o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, já veio alertar que “o reflexo das subidas das taxas de juro deve fazer-se sentir nas que são pagas pelos depósitos para que a poupança passe a ter outro significado”.

“Se houver incentivos adicionais à poupança vão ajudar à contenção dos preços”, defende Centeno.

Qualidade da carteira de crédito

Todos os presságios apontam para uma subida do crédito malparado e do crédito reestruturado em 2023, com o correspondente aumento de imparidades e provisões.

De acordo com os dados de setembro, o banco com menor rácio de NPL (Non Performing Loans) o NPE (Non Performing Exposure) é o BPI com 1,40%. Segue-se o Santander Totta com 2%. Depois surge bem posicionada a Caixa com 2,1% de NPE e 2,6% de NPL. O BCP tem um rácio de NPE de 4,1%. Por sua vez, o rácio de malparado do Novobanco está em 5%, segue-se a Caixa de Crédito Agrícola com 5,9% e o Banco Montepio com 6,9% (o mais elevado dos sete).

O peso das novas imparidades no stock da carteira de crédito (custo do risco de crédito) é mais alto no BCP (0,55%). Segue-se o Novobanco com 0,20%. Depois o BPI e o Crédito Agrícola surgem com um custo do risco de 0,16%. O custo do risco no Montepio é de 0,10%. O Santander tem um valor negativo de 0,09% (significa que a libertação de imparidades superou as novas entradas de imparidades para crédito) e a CGD também tem um valor negativo no custo do risco de 0,25%.

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