ionline.sapo.ptionline.sapo.pt - 23 set. 19:55

Jaime Nogueira Pinto e Rui Ramos lançam revista Crítica XXI para "quebrar domínio da esquerda" na cultura

Jaime Nogueira Pinto e Rui Ramos lançam revista Crítica XXI para "quebrar domínio da esquerda" na cultura

"Portugal é há quase meio século governado pelas esquerdas. (...) Disto não resulta apenas que as direitas e o seu pensamento sejam mal conhecidos; resulta uma atmosfera cultural e mediática acomodada e maniqueísta sem espaço para interrogação crítica”, lê-se na contracapa da nova revista.

Os historiadores Jaime Nogueira Pinto e Rui Ramos lançaram uma nova revista, intitulada Crítica XXI, para "quebrar a hegemonia da esquerda" na cultura e "dar a conhecer a tradição intelectual das direitas e os seus desenvolvimentos atuais".

A revista, lançada oficialmente na quarta-feira, tem uma periodicidade trimestral e tem o preço de dez euros.

Na contracapa do primeiro número consta um texto que se entende como uma declaração de princípios

"Portugal é há quase meio século governado pelas esquerdas. (...) Disto não resulta apenas que as direitas e o seu pensamento sejam mal conhecidos; resulta uma atmosfera cultural e mediática acomodada e maniqueísta sem espaço para interrogação crítica. Crítica XXI quer dar a conhecer a tradição intelectual das direitas e os seus desenvolvimentos atuais, olhando para valores, ideias e princípios com liberdade incondicional", lê-se na espécie de declaração de princípios que consta na contracapa do primeiro número.

O jovem crítico Carlos Maria Bobone, que conversou recentemente com jornal i, e a professora Mafalda Miranda Barbosa são alguns dos autores de "diversas gerações e experiências", mas com"uma certa identidade de princípios e de ideias, de reflexões", que participam nesta edição.

"Nós sempre estivemos ligados, e temos muito a ideia também de que o pensamento, a chamada `batalha das ideias`, o chamado `poder cultural`, são coisas importantes. E a ideia foi que, em Portugal, esse poder cultural está nas mãos da esquerda há muitos anos (...) e continua a está-lo, e que vale a pena e é preciso quebrar esse domínio", sublinhou Jaime Nogueira Pinto, em declarações à agência Lusa.

Com um primeiro volume que aborda temas tão díspares como a eutanásia, os 50 anos do filme "O Padrinho" ou recensões sobre o livro "Ulisses", de James Joyce, ou "Guerra", de Louis-Ferdinand Céline, Jaime Nogueira Pinto explica que a revista pretende "trabalhar sobretudo na frente cultural", mas envolve "também uma nota política importante".

"A luta cultural é uma afirmação de valores. (...) Nós não estamos propriamente a ser, nem queremos ser, o braço intelectual de nenhuma força política, mas queremos, no campo das ideias, apresentar ideias e combater outras ideias", afirmou, acrescentando que o objetivo da revista é "trabalhar sobretudo na frente cultural", embora envolva "também uma nota política importante".

Nesse sentido, Nogueira Pinto rejeita que exista qualquer agenda intelectual ou cultural afeta a “um partido qualquer.

"Estas áreas da academia, das ciências humanas na academia, do próprio jornalismo e, hoje em dia, (...) do `entertainment` [entretenimento] são áreas que têm esse lado de hegemonia, às vezes até já com algum isolamento, cancelamento e até perseguição a quem está fora do baralho. Eu acho que é importante também mostrar presença e força", defendeu.

Crítica XXI tem também presença digital, no seu site serão partilhadas "coisas que saem nos Estados Unidos, em França, Inglaterra, Itália".

A revista trimestral tem o preço de dez euros, mas existe um pacote especial, no valor de cinquenta euros, que, além da assinatura anual, inclui "quatro obras decisivas para a compreensão do nosso tempo, de uma perspetiva de direita".

"Vão ser essencialmente obras clássicas, de uma área que é exatamente esta da direita, que é uma área que é desconhecida e é conhecida através apenas, normalmente, dos seus adversários. A definição da própria direita em Portugal - e noutros sítios - é dada pela esquerda", lamentou Jaime Nogueira Pinto, adiantando que a primeira obra escolhida é "Heresias", de G. K. Chesterton.

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