observador.ptObservador - 21 set. 00:10

António de Sousa Franco (1942-2004), e a actualidade do seu pensamento

António de Sousa Franco (1942-2004), e a actualidade do seu pensamento

O meu marido, falecido há 18 anos, faria 80 anos de idade hoje, dia 21 de Setembro de 2022. É consolador verificar quanto o seu pensamento continua actual, mas muito falta para o concretizar.

Por António Luciano de Sousa Franco ter tido, além das suas  especializações em Finanças Públicas e Finanças Europeias, em Direito da Economia  e Direito Económico Europeu, em   União Europeia Económica e Monetária, em Liberdade de Imprensa, na revisão da Concordata com a Santa Sé, também uma especialização e acção pioneira nas tão actuais questões da Liberdade de Educação,  a Associação Portuguesa de Escolas Católicas  teve a boa iniciativa de fazer uma publicação a propósito desta última, e pediu-me para eu dizer umas palavrinhas na sessão de apresentação deste  livro de homenagem, em Lisboa, na Universidade Católica, pois de 1983 a 2004  vivenciei quotidianamente as múltiplas tarefas do meu marido.

Sou de área científica diferente, pois sou historiadora e museóloga, mas como revelar memórias é importante para melhor conhecer personalidades, peço licença para evocar tal.

Em aspectos mais ou menos práticos, verifiquei em António de Sousa Franco verdadeira paixão pela Educação ao longo de quase 24 anos.

Tinha sete anos a Inês Pessoa Figueiredo Tamagnini Sousa, a minha filha do meu primeiro casamento, iniciando então a escolaridade, quando no final de 1980 começámos a namorar, e  até 1997, quando a minha filha se licenciou e casou, foi permanente o interesse do meu marido pela educação dela.  Fiz, desde a década de 1960, a carreira de conservadora/directora de museus e palácios, mas quando na década de 1980/1990 fui convidada a dar aulas de História de Arte na Universidade de Lisboa e depois na Universidade Católica Portuguesa, o meu marido alegrou-se.

Por outro lado,  testemunho o entusiasmo do António Luciano: com os seus muitos trabalhos académicos, enquanto Presidente do Tribunal de Contas (1986-1995), com a profunda reforma dessa instituição, e enquanto Ministro das Finanças (1995-1999), com a introdução de Portugal na zona euro; estes últimos trabalhos foram particularmente espinhosos, implicaram até ameaças várias, inclusive de rapto da minha filha, mas proporcionaram os meios para melhorar a transparência, para que as condições de vida dos portugueses atingissem níveis muito superiores aos ainda existentes.

Reconhecidamente, agradeço esta linda homenagem à Associação Portuguesa de Escolas Católicas, à Universidade Católica Portuguesa, a todos os outros intervenientes e a todos os muitos presentes nesta sessão. Muitas pessoas, da família, amigas e conhecidas me contactaram, manifestando também apreço pelo meu marido e justificando a sua ausência hoje.

Tive o enorme gosto de apoiar o árduo trabalho do meu marido  em prol do sonho comum do casal: uma sociedade mais educada e próspera, com mais Ética, mais Humanista.

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