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Justin Trudeau pede desculpas por ter escurecido a cara para imitar um personagem árabe, numa gala da escola

Justin Trudeau pede desculpas por ter escurecido a cara para imitar um personagem árabe, numa gala da escola

O primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau pediu desculpas publicamente por, em 2001, ter pintado a cara e as mãos de castanho quando se mascarou de Aladdin para uma gala temática de uma escola privada, onde deu aulas durante 2 anos, após ter sido alvo de acusações racistas

Uma fotografia obtida pela revista Time mostra o primeiro-ministro do Canadá a usar maquilhagem para escurecer a cara e as mãos, numa gala da West Point Grey Academy, em Vancouver, onde foi professor. Em conversa com jornalistas após a publicação da fotografia, Trudeau afirmou ter-se mascarado de Aladdin para uma gala temática da instituição, cujo tema terá sido “noites árabes”.

A fotografia está a ser comparada à prática de “blackface” (traduzido do inglês para “cara negra”), que é o ato de escurecer a cara para parecer alguém com um tom de pele diferente. Esta prática remonta ao costume de, em séculos passados, os atores caucasianos pintarem a cara de preto para caricaturar africanos e afrodescendentes e, assim, transparecerem estereótipos dessas comunidades.

Neste caso, tratando-se da representação de uma personagem árabe e não africana, o termo “blackface” é substituído na revista Time por “brownface”, que se traduz literalmente do inglês para “cara castanha”.

Justin Trudeau tinha 29 anos quando tirou a fotografia para o anuário da escola, em 2001, e afirmou “arrepender-se profundamente” das suas ações. “Eu devia ter pensado melhor. Isto foi algo que, na altura, eu não achei racista, mas agora sim reconheço que foi algo racista de se fazer e lamento-o profundamente”, alegou.

Quando questionado acerca de outras ocasiões, Trudeau revelou ter também usado maquilhagem para encarnar um afrodescendente, numa outra gala do ensino secundário no Collège Jean-de-Brébeuf, em Toronto, no Canadá. Desta vez, escureceu a cara e cantou a música Day-O, uma canção folk jamaicana popularizada por Harry Belafonte, um ativista americano. Uma fotografia deste momento foi publicada no Twitter por Robert Fife, chefe do departamento de Otava do jornal canadiano The Globe and Mail.

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Em resposta ao incidente, o primeiro-ministro reconheceu prontamente, na passada quarta-feira aquando da divulgação da fotografia, que o brownface era “uma coisa significativa que é muito dolorosa” para “comunidades e pessoas que vivem com interseccionalidades e enfrentam discriminação” e emitiu um pedido de desculpas formal. Ainda assim, tanto Trudeau como a fotografia de 2001 estão a ser alvo de críticas tanto políticas quanto civis, que associam o episódio a práticas racistas e xenófobas.

Mustafa Farooq , diretor executivo do Conselho Nacional de Muçulmanos Canadianos disse à BBC que “ver o primeiro-ministro em brownface / blackface é profundamente entristecedor. O uso de blackface / brownface é repreensível e remonta a uma história de racismo e a uma mitologia orientalista, o que é inaceitável”. Contudo, Farooq admitiu também que “as pessoas podem mudar e evoluir ao longo de duas décadas”, tendo mais tarde emitido um tweet a agradecer a Trudeau pelo pedido de desculpas imediato, “menos de uma hora depois da NCCM lhe exigir um pedido de desculpas por ter usado blackface/brownface”.

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Já Andrew Scheer, líder da oposição do Partido Conservador, acusa o atual primeiro-ministro de “falta de discernimento e integridade”. À sua critica juntam-se a de Jagmeet Singh, líder do Novo Partido Democrático, que considerou a imagem “perturbadora” e “insultuosa”; e a de Elizabeth May, líder do Partido Verde, que se revela “chocada” pela fotografia.

Trudeau está a lutar pela reeleição para o cargo de primeiro-ministro do Canadá. A votação tem lugar dia 21 de Outubro. Ainda não se sabe ao certo o impacto que este episódio terá tanto para o futuro do primeiro-ministro como do país. Trudeau sempre adotou uma postura pró-imigração enquanto primeiro-ministro e trabalhou no âmbito de agradar e angariar os votos das minorias éticas.

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