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Já há imobiliárias a nascer apenas na vertente digital

Já há imobiliárias a nascer apenas na vertente digital

A internet tornou-se um canal privilegiado de compra e venda de casas. Há agências que já estão preparadas para que todo o negócio decorra de forma eletrónica.

A compra de uma casa parece indissociável de uma visita presencial. É comum o potencial comprador querer ver in loco o espaço, a luz, o estado do imóvel, sentir que pode, e gostaria, de habitar entre aquelas quatro paredes. Mas mesmo que essa realidade pareça indiscutível, a tecnologia veio revolucionar o negócio imobiliário e a pandemia só acelerou um motor que alguns visionários puseram em marcha há mais de uma década.

O grupo francês iad, há seis anos a operar em Portugal, apostou, em 2008, em plena crise internacional, num modelo de negócio assente nos canais digitais. Os fundadores "anteciparam que o processo de compra e venda de casa iria progressivamente passar da agência para a internet, o que veio a comprovar-se", diz Alfredo Valente, CEO da iad Portugal.

Mesmo no final do ano passado, chegou a vez do grupo norte-americano eXp investir no mercado português. O modelo de negócio, criado há 10 anos, é 100% digital. Como descreve Guilherme Grossman, managing broker da eXp Portugal, não há escritórios físicos, os imóveis - assim que aprovados - são divulgados no site da empresa, assim como em portais nacionais e internacionais. Os agentes imobiliários podem ainda promover a carteira nas redes sociais, lançar campanhas digitais e utilizar a sua network. Os potenciais compradores têm ao seu dispor um portfólio de imóveis de fácil e rápido acesso, podem realizar visitas virtuais, inclusive visionar a casa em 3D, e celebrar o contrato de promessa compra e venda e, também, a escritura online.

A confiança neste modelo de negócio levou a Insight Partners, uma das líderes mundiais em investimento tecnológico (no seu portefólio constam sucessos como o Twitter ou Docusing) a injetar, já neste ano, 300 milhões de euros no grupo iad e tornar-se assim acionista minoritário.

O negócio da rede imobiliária de origem francesa, que marca presença em cinco geografias europeias, assenta em duas vertentes: as ferramentas digitais que coloca ao dispor dos consultores e a tecnologia de difusão dos anúncios. As angariações de imóveis são colocadas na plataforma interna da empresa, daí são exportadas para o site da iad e, no prazo de 24 a 48 horas, estão visíveis em mais de 200 portais de anúncios imobiliários, nacionais e estrangeiros. "É nestes portais que nasce a maioria dos negócios imobiliários, já que é neles que o cliente investe mais tempo em pesquisas" e, por isso, é aí que "concentramos a maior parte dos nossos investimentos de captação de tráfego", adianta Alfredo Valente.

Há muito que estas redes imobiliárias digitais estavam preparadas para o confinamento da economia, mas aparentemente também os consumidores. Há pouco tempo, a tradicional agência imobiliária Engel & Völkers, especializada em propriedades de luxo, revelou que "os clientes estrangeiros que investem no Algarve têm fechado negócios em metade do tempo em relação ao período pré-pandemia, concretizando a operação com recurso apenas a visitas virtuais".

Confiança é palavra chave

Alfredo Valente não tem dúvidas que "é no espaço web que se concretiza todo o potencial do nosso modelo, o negócio nasce digital, mas é fisicamente que se materializa". Os anúncios são divulgados na net, o cliente e o agente cruzam pedidos de esclarecimento e informações em canais digitais, há que criar confiança - mas depois, salvo raras exceções, há sempre o contacto presencial, a visita física ao imóvel. "O negócio é concretizado cara a cara, no terreno", diz. No entanto, reclama o CEO da iad Portugal, é necessário agilizar a transição digital, pois "é inconcebível que nos deparemos com tantos entraves legislativos à adoção de procedimentos tecnológicos".

Guilherme Grossman admite que haverá sempre visitas físicas aos imóveis e mesmo reuniões entre comprador e consultor, que são importantes para a tomada de decisão. Mas, frisa, a confiança é a base, "desde que se estabeleça essa relação, não há motivo para que os negócios digitais não corram bem". Por isso, na eXp, estão "preparados para funcionar de forma totalmente online".

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