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Novos postos de carregamento rápido e ultrarrápido mais do que duplicaram em 2022

Novos postos de carregamento rápido e ultrarrápido mais do que duplicaram em 2022

Dados da Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos indicam que a rede de postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos cresceu 134% no ano passado. Os principais operadores prometem mais postos em 2023.

Os novos postos de carregamento para carros elétricos rápidos e ultrarrápidos mais do que duplicaram em 2022. É mais um sinal de que mobilidade elétrica automóvel tem cada vez mais energia em Portugal, depois de a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) ter revelado que os automóveis ligeiros 100% elétricos representavam 11,4% do total de vendas. Para 2023, os principais operadores de postos de carregamento prometem reforçar a rede pública e privada.

Estão registados atualmente 99 operadores de postos de carregamento e 30 comercializadores de energia para a mobilidade elétrica, em Portugal. Dados cedidos pela Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) ao DN/Dinheiro Vivo registavam até 18 de janeiro, entre postos planeados e ligados, 1398 postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos públicos e 199 privados. Nota para os Açores e Madeira que só têm 19 postos cada. Destes todos, só 1070 estão operacionais no país.

Os dados da UVE só contemplam postos de carregamento elétricos rápidos e ultrarrápidos. No entanto, adicionando os dados da Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (Mobi.E), que incluem postos de carregamento normal, o número de postos global era de 3100, no final de 2022, correspondendo a mais de 5600 pontos de carregamento.

Henrique Sánchez, presidente da UVE, afirma ao DN/Dinheiro Vivo que, em 2022, foram ligados um total de 520 novos postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos (privados e públicos), o que representa um crescimento homólogo de 134%. "Mas mais importante do que os postos é o número de lugares para carregamento, porque existem postos registados como uma única unidade e que têm na realidade seis a oito lugares [leia-se pontos] para carregamentos em simultâneo. Ou seja, valem por seis a oito postos. Nessa contabilização, que só a UVE tem analisado, caminha-se para os 2 600 lugares de carregamento com 2200 de acesso público operacional", revela.

Mais de 60% dos postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos públicos localizam-se em estabelecimentos comerciais, como centros comerciais, e em áreas de serviço de autoestradas e locais.

A evolução da capilaridade da rede destes postos de carregamento públicos é assinalável, sobretudo desde 2020, considerando que o primeiro posto surgiu em 2010. Segundo os dados da UVE, os operadores com maior quota de mercado são a KLC (26%), Galp (21%), EDP Comercial (16%), Power Dot (13%), Repsol (8%), Mobiletric (6%) - adquirida pela Galp em 2021 - e a Prio (4%).

Desde 2020, a KLC tem ligado uma média de 74 novos postos rápidos e ultrarrápidos por ano, a Galp regista uma média de 61 postos ligados anualmente e a EDP Comercial 51. Segue-se a Power Dot, que regista uma média de 38 ligações/ano, a Repsol com uma média de 30, a Mobiletric com uma média de 20 e a Prio uma média de dez.

Operadores prometem mais

A média de ligações deverá crescer em 2023 e as quotas de mercado dos diferentes operadores deverão alterar-se, visto que os maiores operadores prometem mais postos. Entre os cinco maiores, só a KLC não respondeu ao DN/Dinheiro Vivo.

Fonte oficial detalha que a Galp fechou 2022, "com 1926 tomadas de carregamento operacionais", das quais 1427 são de carregamento normal, 394 de carregamento rápido e 105 de carregamento ultrarrápido. Os pontos de carregamento da Galp estão integrados na rede Mobi.E. A meta para 2023 não é revelada, mas a empresa tem "o objetivo de atingir os dez mil pontos de carregamento na Península Ibérica até 2025".

A EDP Comercial contratou mais de 850 pontos de carregamento em 2022, sendo "responsável por mais de dois mil pontos da rede Mobi.E, em mais de 150 concelhos de Portugal", de acordo com fonte oficial da empresa. Para 2023, a EDP encontra-se "a ultimar a meta de crescimento" da rede de postos, mas o objetivo é "iderar o desenvolvimento da mobilidade elétrica em Portugal no carregamento na rede pública". A mesma fonte reitera essa meta relembrando parcerias fechadas com a Brisa, BP e Repsol para a mobilidade elétrica, bem como os hubs de carregamentos já instalados em Loures e em Leiria. A empresa também pretende desenvolver soluções para postos privados.

A Power Dot realça que fechou 2022 com 900 pontos de carregamento. Segundo os dados da UVE, 164 são postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos. Para 2023, o objetivo é "chegar aos 1 500", ou seja, mais 600 postos.

Já a Repsol fechou 2022 com cerca de cem postos de carregamento elétricos rápidos e ultrarrápidos, localizados sobretudo em estações de serviço, segundo fonte oficial. A mesma fonte garante que todos "têm origem renovável". Quanto a 2023, a empresa não detalha números para Portugal, mas sublinha ter uma rede de 1200 postos em toda a Península Ibérica e que o foco passa pela "implementação de pontos de carregamento nos principais corredores da Península Ibérica, bem como selecionar localizações estratégicas para o desenvolvimento de hubs de carga".

Utilizadores pedem melhorias

De acordo com o presidente da UVE, há centenas de milhares de utilizadores registados para utilizarem os postos de carregamento em Portugal, "mas em 2022 utilizaram a rede com regularidade 29 981 utilizadores". Henrique Sánchez considera que a procura pelos veículos elétricos está a massificar-se.

O responsável da UVE enaltece, por isso, os benefícios de haver incentivos à mobilidade elétrica. Defende que a evolução tem sido "positiva", mas salienta que há aspetos a melhorar. Diz que faltam "tarifas planas" e tarifários em quilowatt-hora (kWh) para simplificar tarifários, bem como melhorar os processos de implementação das redes de carregamento - por exemplo, o tempo que demora a obter uma certificação junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Quanto à qualidade do serviço, considera necessário, por exemplo, criar "condições de pagamento no posto" e criar "condições para utilizadores com mobilidade reduzida".
Outra questão que Henrique Sánchez considera relevante é munir potenciais utilizadores de veículos elétricos com informação sobre mobilidade elétrica. Por isso, a UVE criou um manual para quem comprou o pretende adquirir um veículo elétrico.

Há já hoje postos de carregamentos em todos os concelhos do país, tanto para carregamentos normais (3.7 a 22 kW em AC), para carregamentos rápidos (43 kW AC ou 30 a 60 kW DC), carregamentos super rápidos (75 a 150 kW DC) e carregamentos ultrarrápidos (desde 160 kW DC).

De acordo com os últimos dados da Mobi.E, em 2022, os carregamentos de veículos elétricos aumentaram 80% nas redes públicas, face ao ano anterior, totalizando 2,49 milhões de carregamentos, que refletem uma média mensal de 207 618 carregamentos. Os valores registados permitiram poupar a emissão de 28.830 toneladas de dióxido de carbono, uma poupança superior em 113% face ao ano anterior.

José Varela Rodrigues é jornalista do Dinheiro Vivo

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