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A escultura de Calder em ano de centenário do Parque

A escultura de Calder em ano de centenário do Parque

Numa agenda que cruza os 100 anos sobre a herança do 2.º Conde de Vizela que deu origem ao Parque de Serralves com a inauguração da nova ala poente do Museu projetada por Siza Vieira, Alexander Calder é um dos nomes fortes da programação cultural para 2023

Onde o futuro se cruza com a memória. O lema de Serralves para este ano celebra dois marcos importantes da instituição que se traduzem também na oferta cultural para 2023. Por um lado, o centenário do Parque que é palco de todo o ecossistema criativo de Serralves; por outro, a inauguração da tão aguardada nova ala poente do Museu, projetada pelo criador original, Álvaro Siza.

Memória e futuro de um dos mais importantes espaços culturais do País, por onde este ano passarão as obras de um dos mais importantes escultores do século XX, Alexander Calder, como um dos nomes fortes de uma agenda que traduz também a importância crescente da arquitetura na programação e inclui ainda a primeira mostra da coleção do antigo Banco Privado Português desde que passou para a tutela do Estado e ficou integralmente depositada em Serralves.

A presidente da Fundação de Serralves, Ana Pinho, realçou que a abertura da nova ala do museu, que tem inauguração prevista entre setembro e outubro, vai garantir um espaço para expor em permanência a coleção de Serralves, "de uma forma dinâmica". "Um museu não é um museu sem uma coleção, é a alma de um museu", afirmou, sublinhando que a ala poente projetada por Álvaro Siza vai significar "um aumento de 40% de área expositiva e de 70% de área de reserva".

O novo "corpo" de Serralves, já em visível fase de conclusão, é constituído por três pisos, com uma cave e dois pisos de exposição, e simboliza um reforçado olhar da Fundação sobre a área da arquitetura. Ali, na área de depósito, ficará o arquivo de Álvaro Siza doado à Fundação de Serralves, enquanto um dos pisos de exposição será integralmente dedicado à arquitetura - com o outro piso a acolher exposições da Coleção de Serralves. A marcar a abertura dessa nova ala Serralves proporcionará um olhar sobre a relação de Siza com o desenho de espaços museológicos, em Museu-Musa.

A programação do Museu de Arte Contemporânea "continuará a ser preenchida por alguns dos mais destacados artistas do panorama internacional, a par de portugueses, consagrados e emergentes, numa vocação multidisciplinar que interliga várias linguagens e os vários espaços da instituição", destaca o diretor do Museu, Philippe Vergne.

Um dos grandes destaques do ano é seguramente uma exposição do escultor do norte-americano Alexander Calder (1898-1976), que ocupará espaços do Parque e da Casa de Serralves, e que permitirá ainda uma nova abordagem à coleção Joan Miró aqui depositada, "em torno da amizade criativa que existiu entre Calder e Miró", explicou Vergne. A vinda das obras de Calder, um dos mais proeminentes escultores do século XX, resulta de uma parceria com o Museu Nacional de Arte Moderna, Centre Georges Pompidou, em Paris. Um conjunto de obras que "raras vezes saiu do Pompidou", realçou o curador francês, considerando um "golpe" a possibilidade de as apresentar agora no Porto, a partir do próximo verão, numa mostra intitulada "Uma Linha em Equilíbrio".

Outro dos destaques, a confirmar a aposta reforçada na arquitetura, é a grande exposição pensada por Dan Graham, relevante artista multidisciplinar norte-americano que morreu no ano passado, a convite de Serralves: uma mostra do trabalho de oito arquitetos que considerava particularmente significativos na arquitetura moderna.

A primeira nova exposição de 2023 em Serralves tem assinatura portuguesa. Trata-se de uma mostra antológica do trabalho de Carla Filipe, artista radicada no Porto, que chega ao museu em março. Para Philippe Vergne, este é um dos pilares de Serralves: ser uma "plataforma" para criadores nacionais.

Ao longo de 2023, vão também passar por Serralves exposições da dupla Allora & Calzadilla, sediada em Puerto Rico, do fotógrafo português António Júlio Duarte, da canadiana Kapwani Kiwanga, da indiana Dayanita Singh ou do colombiano Oscar Murillo, além de performances, palestras ou os já habituais grandes eventos, dos quais se destaca o regresso do Serralves em Festa, em junho, depois de três anos de ausência devido à pandemia, que voltará para assinalar o centenário do Parque criado a partir da herança de Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, em 1923, quando ficou na posse da Quinta do Lordelo. A efem��ride será assinalada com uma exposição física, no Parque, a partir de outubro, além de outras atividades.

Destaques da programação

Carla Filipe
março-setembro 2023

Esta é a primeira mostra antológica da artista nascida em Vila Nova da Barquinha, em 1973, e radicada no Porto, reunindo no Museu e na Biblioteca de Serralves cerca de duas décadas do seu trabalho. Uma obra "ancorada em experiências pessoais, nomeadamente no facto de ter crescido numa comunidade de trabalhadores dos Caminhos de Ferro Portugueses", destaca o dossier, sublinhando o caráter ativista da sua estética.

Manoel de Oliveira no Cinema Português I
A bem da Nação (1929-1969)
março-setembro 2023

A Casa de Cinema Manoel de Oliveira, em Serralves, promoverá este ano a primeira de uma série de exposições sobre o modo com a obra do cineasta portuense se integra no conjunto da produção cinematográfica portuguesa. Esta primeira exposição foca-se sobre o primeiro período do realizador e abrange grande parte do Estado Novo, entre os Anos 1920 e final da década de 1960.

Allora & Calzadilla
abril-outubro 2023

Jennifer Allora (EUA, 1974) e Guillermo Calzadilla (Cuba, 1971) constituem uma dupla de artistas que vive e trabalha em Porto Rico. Colaboram desde 1995 e o seu trabalho "sublinha interseções entre história, cultura material e política através de diversas artes que vão da performance à escultura, som, vídeo e fotografia". A exposição no Museu de Serralves é a primeira grande apresentação do trabalho desta dupla na Europa e "uma oportunidade única para conhecer em profundidade uma das duplas mais influentes da arte contemporânea."

Coleção do Banco Privado Português
abril-outubro 2023

A coleção do antigo BPP, adquirida pelo Estado, foi agora depositada integralmente em Serralves - onde já residia uma parte adquirida pela Fundação em 2008. A exposição contempla desenhos, pinturas e esculturas de alguns dos nomes mais relevantes da arte portuguesa e internacional das últimas décadas, como Helena Almeida (foto).

Alexander Calder
junho-dezembro 2023

No verão deste ano, o Parque e a Casa de Serralves vão ser palco da obra de um dos mais influentes escultores do século XX. A exposição, em parceria com o Museu Nacional de Arte Moderna, Centre Georges Pompidou, de Paris, apresentará um grupo de trabalhos datados de 1928 a 1974. Será também concebida em diálogo com a coleção de Joan Miró, explorando a ligação criativa entre os dois artistas.

Kpawani Kiwanga
outubro 2023-abril2024

A canadiana, nascida em 1978, é uma das mais destacadas artistas da sua geração. "Instigado por histórias marginalizadas ou esquecidas", o trabalho de Kiwanga "confunde intencionalmente realidade e ficação", cruzando meios como escultura, instalação, fotografia, vídeo e performance.

A Arquitetura segundo Dan Graham
outubro-abril de 2024

Projeto concebido por Serralves em estreita colaboração com o artista norte-americano, que morreu no ano passado, a exposição reúne o trabalho de oito arquitetos que Graham considerava particularmente significativos e é "uma oportunidade para ver e perceber a arquitetura contemporânea" através da mente de Graham.

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