observador.ptObservador - 24 jan. 00:21

Quando o primeiro-ministro fica farto de governar

Quando o primeiro-ministro fica farto de governar

António Costa fartou-se de ser primeiro-ministro, que tudo fez para ser. E no Governo ninguém sabe o que fazer, sem ser controlar as contas. O mais preocupante é não se ver como saímos deste bloqueio.

Os problemas criados com a estratégia de António Costa e Mário Centeno para reduzir o défice público têm estado a explodir, como se previa. Como se isso não bastasse, juntam-se agora exemplos de falta de sentido institucional na gestão dos assuntos de Estado. E um primeiro-ministro que ao longo da sua vida foi um protegido e mimado dentro da bolha da elite lisboeta revela naturais dificuldades em enfrentar um mundo que parece que deixou de lhe sorrir.

Depois de ter feito tudo para ser primeiro-ministro, passada a agenda de desfazer o que Pedro Passos Coelho tinha feito, passado o tempo possível de distribuir dinheiro deixando os serviços públicos à míngua e passada a pandemia, começa a ficar exposta a total falta de uma ideia para o país, a ausência de uma estratégia que seja de António Costa para Portugal. Como Miguel Pinheiro mostrou, o primeiro-ministro cresceu num mundo pequeníssimo. O que explica muito do retrato que nos transmite do país que pensa ser Portugal, um país onde a elite pode fazer tudo, usando o Estado como se fosse a sua propriedade, para a qual contrata e vende e compra as mais diversas coisas.

O caso da TAP é talvez o mais exemplar desta atitude do primeiro-ministro que contaminou todo o seu Governo. Estamos todos muito concentrados no valor da indemnização, mas o que de mais aterrador o caso revela, a cada novo pormenor que se vai conhecendo, é a displicência com que os governantes nos têm governado. Se num dos dossiers mais sensíveis da governação se atuou com esta leviandade, fica a cargo da nossa criatividade imaginar o que acontecerá nos outros casos.

O último episódio desta história da TAP é a revelação, pelo ex-ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos, de que teria dado a sua anuência política à indemnização paga pela TAP à sua então administradora Alexandra Reis através de uma “comunicação informal”. Estamos assim a tomar decisões da ordem dos 500 mil euros – brutos, é verdade – numa empresa que recebeu mais de três mil milhões de euros de ajuda do Estado em comunicações informais, através de WhatsApp.

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