visao.sapo.ptMANUEL BARROS MOURA - 25 nov. 13:20

Visão | Boas notícias do Qatar: Há mais tempo para jogar

Visão | Boas notícias do Qatar: Há mais tempo para jogar

Tem sido uma grandes (e excelentes) novidades deste Mundial2022. A decisão de aumentar o tempo de compensação acrescenta, para bem de uns e mal de outros, mais verdade e justiça desportivas. É caso para dizer que nem tudo vai mal no reino da FIFA

Como já deve ter reparado, neste Campeonato do Mundo está a jogar-se muito mais à bola. Não necessariamente em termos meramente técnicos (capítulo em que tem havida várias surpresas agradáveis, mas também alguma deceções), mas em tempo efetivo de jogo. Os tempos de compensação de perdas tempo têm vindo a ser, em praticamente todos os jogos, extraordinariamente longos. A ponto de, só na primeira ronda da fase de grupos, já se terem jogado quase mais uma hora e meia (o tempo de um jogo completo) do que em anteriores fases finais. Extraordinário!

Esta realidade não acontece por acaso nem porque tenha havido longas e inesperadas interrupções na maioria dos jogos já disputados. Está a acontecer por deliberação expressa do Comité de Arbitragem da FIFA, liderado porque aquele que muitos consideram o melhor árbitro de todos os tempos, o carismático Pierluigi Collina. O italiano avisou antes do início da competição que o “respeito pelos espetadores e telespetadores” levaria o organismo regulador do futebol mundial a tomar medidas drásticas. “Queremos evitar que os jogos tenham 42, 43, 44 minutos de tempo útil. Por isso, o tempo utilizado para efetuar substituições, marcação de grandes penalidades, festejos de golos, assistência médica e para recorrer ao VAR deve ser devidamente compensado.” Promessa cumprida!

Ora aqui está uma medida simples, decorrente do mais elementar bom senso, que melhora claramente a qualidade de um espetáculo pelo que se paga cada vez mais. Mais do que apenas isso, a decisão protagonizada e anunciada por Collina conduz, necessariamente, a que passe a existir maior verdade desportiva e mais justiça dos resultados. O maior exemplo dsito pôde ser visto ainda hoje, no jogo entre o País de Gales e o Irão. Não fosse a extensão do tempo de compensação, o Irão não teria conseguido vencer um jogo em que foi infinitamente mais competente do que o adversário. Se a regra aplicada pelo árbitro deste jogo fosse aquela que vigora, por exemplo, na Liga dos Campeões, prova em que, por norma, nenhum jogo tem mais três ou quatro minutos a mais, o Irão teria perdido dois pontos e o País de Gales teria ficado com mais um do que merecia. Numa prova em que a qualificação para a fase seguinte se decide em apenas três jogos, um ponto que seja pode fazer toda a diferença. E nas fases a eliminar, serão os minutos a mais que poderão mudar o destinos das seleções.

Numa altura em que a FIFA continua de baixo de fogo pelos métodos de funcionamento pouco transparentes que costuma adotar, pela forma como decidiu atribuir a organização deste Mundial ao Qatar e pela censura aplicada a várias seleções e demonstrações públicas de apelo ao respeito por direitos humanos e cívicos é bom perceber que ainda há quem, dentro da estrutura que comanda o futebol mundial, se preocupe com o jogo. Grazie mille, Pierluigi!

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