jornaleconomico.ptjornaleconomico.pt - 25 nov. 16:51

“Aumentar e melhorar a ciência" é um desafio decisivo para as universidades

“Aumentar e melhorar a ciência" é um desafio decisivo para as universidades

O Iscte assinala dia a 7 de dezembro os 50 anos da reforma lançada pelo ministro Veiga Simão que o criou, com um encontro nacional que quer abrir caminhos para melhorar a produção de ciência nas universidades públicas.

O Iscte assinala no dia 7 de dezembro os�� 50 anos da reforma de Veiga Simão, considerada a fundação do ensino superior contemporâneo, com um encontro nacional sobre os desafios do futuro.

“Aumentar e melhorar a produção científica nas universidades, bem como a sua transmissão ao ensino – e, em consequência, à sociedade e à economia – é um dos temas deste encontro para refletir e debater a centralidade da universidade no desenvolvimento futuro do país”, afirma a reitora do Iscte, Maria de Lurdes Rodrigues, que concebeu esta celebração dos “50 Anos de Reforma das Universidades – 50 anos de Democracia – 1972 a 2022”.

Segundo a reitora, apesar de as tutelas do Ensino Superior e da Ciência se encontrarem reunidas no mesmo ministério desde 2002, faltam em Portugal políticas que promovam a articulação entre a ciência e o ensino superior: “Há todo um debate a fazer para que se possam definir novas políticas públicas de ensino superior e ciência”.

Reforçar a ciência nas universidades não aumenta a despesa pública. “Nestes vinte anos não houve políticas comuns que promovessem a convergência dos dois sectores, por exemplo, medidas de articulação entre a carreira de investigação e a carreira docente, que potenciassem a articulação entre o trabalho científico e o ensino nos diferentes ciclos de estudos superiores”, diz Maria de Lurdes Rodrigues.

“São por isso necessárias políticas que reconheçam o papel das universidades na ciência e lhes proporcionem condições para fazerem melhor, em domínios como o do estímulo ao emprego científico ou apoio a áreas do conhecimento emergentes”. Políticas, acrescenta, que estimulem a internacionalização, quer da investigação, quer do ensino e que apoiem o desenvolvimento de projetos de investigação estratégicos para as instituições ou para o país.

Para Maria de Lurdes Rodrigues, estas políticas deverão ter, desde logo, uma base orçamental. “As universidades devem ter nos seus orçamentos receitas do Orçamento de Estado numa rubrica consignada especificamente ao desenvolvimento da investigação e ciência – e não apenas acesso a verbas da Fundação para a Ciência e Tecnologia – FCT”.  As verbas deverão ir até 10% do orçamento atual das universidades, propõe.

A antiga ministra da Educação de José Sócrates considera que a atual ministra da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato e o secretário de Estado do Ensino Superior, Pedro Teixeira, são recetivos a propostas deste tipo. “Esta é a equipa ministerial com mais vocação para fazer a grande reforma de ligar a ciência ao ensino superior”, salienta.

Maria de Lurdes Rodrigues defende que devem ser dadas “melhores condições aos docentes para desenvolverem os seus projetos de investigação, quer em termos económicos, quer através de mais sabáticas”. Quanto aos investigadores, “deve-lhes ser facilitado, ao longo da carreira, dar aulas, o que enriquecerá a componente letiva dos cursos”.

Seria importante que o país reconhecesse institucionalmente o peso que as universidades têm na produção científica nacional, cerca de 40% do total. “Não faz qualquer sentido que o Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), órgão consultivo do Governo, não inclua um representante das universidades, como o presidente do Conselho de Reitores”, adianta ainda. “O peso simbólico do reconhecimento institucional é relevante: estou certa que a senhora ministra Elvira Fortunato é sensível a isto”.

O encontro é organizado pelo Iscte em parceria com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas – CRUP, a Comissão dos 50 anos do 25 de Abril e a RTP, tendo o alto patrocínio da Presidência da República e assinala os 50 anos da reforma lançada pelo ministro Veiga Simão no Governo de Marcello Caetano, da qual resultou a criação do próprio Iscte. O encontro será aberto pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e pelo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva. A intervenção final será da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato.

Quatro painéis temáticos e uma mesa-redonda
O Encontro Nacional “Universidades: Chave para o Futuro” estará dividido em quatro painéis temáticos. Em cada um será apresentado um documento elaborado por um perito, seguindo-se um debate por atores do sistema universitário.

O primeiro painel será dedicado à “articulação entre a produção de conhecimento, a sua difusão e transferência para a sociedade”. O autor do documento que lançará o debate é Pedro Saraiva, vice-reitor da Universidade Nova, cabendo a coordenação do mesmo a Rui Vieira de Castro, reitor da Universidade do Minho. Participarão Nuno Bicho (UAL), Maria João Pires Rosa (UA), Ricardo Paes Mamede (Iscte) e Cláudia Cavadas (UC).

A “Internacionalização e o português como língua de conhecimento” é o tema do segundo painel. Lançado por Margarita Correia, da Universidade de Lisboa, será coordenado por Hermínia Vilar, reitora da Universidade Évora, e contará com a participação de António Fidalgo (UBI), António Branco (UL), Ana Paula Laborinho (OIE) e Isabel M. Duarte (UP).

“O futuro do mérito e da meritocracia no acesso e no sucesso”, tema do terceiro painel, será lançado por Paulo Pedroso, do Iscte, e terá a coordenar o debate João Sáàgua, reitor da Universidade Nova. Intervirão Alexandra Leitão (UL), António Magalhães (UP), Tiago Neves Sequeira (UC) e Margarida Mano (UCat).

O painel sobre “O espaço da inovação pedagógica no contexto da digitalização do ensino” começará com a apresentação de um documento por Manuel João Costa, da Universidade Minho. A coordenação do debate será de Amílcar Falcão, reitor da Universidade de Coimbra, e terá a participação de Carla Oliveira, reitora da Universidade Aberta, Sofia Marques da Silva (UP), Fernando Remião (UP) e Paulo Quaresma (UEv).

A anteceder o encerramento haverá uma mesa-redonda para debater o tema “Mais Ciência na Universidade”. Sob a coordenação do reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, quatro vice-reitores com o pelouro da Investigação e Ciência analisarão propostas concretas para uma agenda que o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas – CRUP formalizará ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

NewsItem [
pubDate=2022-11-25 16:51:16.0
, url=https://jornaleconomico.pt/noticias/aumentar-e-melhorar-a-ciencia-e-um-desafio-decisivo-para-as-universidades-965412
, host=jornaleconomico.pt
, wordCount=947
, contentCount=1
, socialActionCount=0
, slug=2022_11_25_1607550411_-aumentar-e-melhorar-a-ciencia-e-um-desafio-decisivo-para-as-universidades
, topics=[universidades, financiamento, crup, ensino superior, universidades e emprego, iscte, maria de lurdes rodrigues, economia, ciência, conferência]
, sections=[economia, ciencia-tecnologia]
, score=0.000000]