observador.ptobservador.pt - 25 nov. 12:20

Um balázio de Chesmi escreveu a teoria do It's not politics, stupid (a crónica do País de Gales-Irão)

Um balázio de Chesmi escreveu a teoria do It's not politics, stupid (a crónica do País de Gales-Irão)

Iranianos defendem que Mundial é só futebol, um jogo do Irão é tudo menos só futebol, entre hino e nomes preferidos. E foi o futebol que deu maior alegria ao povo desde setembro entre política (0-2).

Enviado especial do Observador em Doha, no Qatar

Jogos às 13h locais já não é propriamente fácil pelo aumento das temperaturas nos últimos dias, estar numa bancada atrás da baliza a apanhar com o sol de frente desde o início do encontro ainda pior. Aqui nem aquele mítico “Put the cream on, you are very white!” funciona porque este é daqueles que queima a sério. Todavia, esse até nem era o pior dos problemas tendo em conta quem estava do outro lado. Se no campo se esperava um encontro competitivo mesmo não tendo em ação duas das equipas mais apreciadas da competição, ainda no metro o Irão goleava por completo entre cânticos, saltos e cornetas a deixar os galeses no bolsinho. Aqui no Qatar não há propriamente aquela rivalidade clubística entre adversários e nem mesmo o gozo dos sauditas aos argentinos resultou em qualquer tipo de problema mas é no apoio que se vê. E que se viu.

Os iranianos não são aqueles adeptos que se vê muito na rua ou nos outros estádios, como acontece com os mexicanos, os argentinos ou os brasileiros, mas são uma da maior massa de apoio que se encontra em Doha. Já tinha sido assim com os ingleses, foi assim com o País de Gales, será assim com os EUA. E são daqueles que quando puxam pela equipa, puxam a sério. O mote deixado por Carlos Queiroz ainda no decorrer da segunda parte da partida com a Inglaterra e no final do jogo foi “aceite” por um povo em convulsão de 90 milhões de pessoas que por 90 minutos faz uma trégua nas mortes e detenções por protestos no país para soltar a sua paixão pelo futebol e por aqueles que muitos gostavam que fossem os símbolos da revolução. Após a goleada sofrida a abrir, uma nova derrota seria o fim – mas também os galeses não podiam perder.

Não havia outra forma de ler as coisas: este era um daqueles jogos que representava mais do que isso após aquilo que Carlos Queiroz como um treino a sério de preparação para as restantes duas partidas que serviu para perceber os erros cometidos que redundaram num número de golos igual num jogo do que o Irão tinha sofrido em seis com o técnico português em 2014 e 2018. A Inglaterra ganhou aquela partida daquela forma porque foi muito melhor, não há dúvidas. Ainda assim, beneficiou daquilo que antes os iranianos raramente perdiam: o controlo anímico. Mesmo tentando passar ao lado da realidade no país, há uma parte política que pesa, que pressiona, que condiciona até pelo “espicaçar” de milhões para que tomem posições mais fortes contra o regime quando nesta fase só pretendem fazer a sua missão. Hoje era dia de novo teste.

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