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PSD acusa Governo de ter recusado 97% das propostas da oposição

PSD acusa Governo de ter recusado 97% das propostas da oposição

O PSD acusou, esta quinta-feira, o Governo de rejeitar 97% das propostas da oposição para o Orçamento do Estado para 2023 e acenou com o "rolo compressor da maioria absoluta". Em resposta, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, garantiu que houve "diálogo" e explicou que o Governo só viabilizou o que os portugueses pediram nas urnas, nas legislativas de janeiro.

Na véspera da votação final global do Orçamento do Estado para 2023, o PSD ergueu a sua voz em plenário para acusar o Governo de ter rejeitado 97% das mais de 1800 propostas de alteração apresentadas pela oposição.

"Continua a ser um Orçamento do Estado sem rasgo, nem esperança, com um crescimento miserável perto do zero, que empobrece trabalhadores e pensionistas, que não provoca qualquer reforma estrutural, que não dá esperança aos jovens e não permite a inversão da degradação dos serviços públicos", apontou o deputado social-democrata Duarte Marques, lembrando as horas de espera em urgências, a falta de professores e de médicos de família, "o inferno" que os cidadãos passam para conseguirem um cartão de cidadão, serem atendidos na Segurança Social ou terem uma sentença judicial.

"Votaram contra 97% das propostas da oposição. Para vocês está tudo bem no país. Alguém acredita que 97% das propostas de alteração não eram positivas? Mas estão-se nas tintas. Querem é mostrar o quero, posso e mando. Tudo é chumbado perante o rolo compressor da maioria absoluta do PS", concluiu Duarte Marques.

"Falta um dia para o final do debate na especialidade e o Governo sai daqui com um forte compromisso de estudar, ponderar, avaliar. Porque, no resto desde Orçamento, continua a ser marcado por uma escolha de classes", concordou a deputada bloquista Mariana Mortágua, acrescentando: "O PS fará a sua maior propaganda para defender este Orçamento, para dizer que os salários vã aumentar. Mas nunca dirá que aumentam menos do que os preços".

"O PS fez um pacto e um compromisso para não votar nenhuma proposta do Chega", atirou, por sua vez, André Ventura, acusando o PS de ir escolhendo "apêndices" na oposição e avisando: "Podem ir escolhendo apêndices mas por nós não passarão!".

No mesmo tom, o líder parlamentar da Iniciativa Liberal sublinhou que, na reta final da discussão do Orçamento do Estado, é notório que "não há grandes mudanças face à proposta inicial". "Este é um Orçamento que tem Estado por todo o lado, que tira liberdade e poder às pessoas. É um Orçamento que impõe coisas, com aquela camada de que são temporárias mas que depois perduram", afirmou Rodrigo Saraiva, acusando o PS de apenas procurar "taxar tudo o que mexe".

"A economia não está a precisar que se abrande a meio da curva mas que seja ajudada", acentuou o deputado único do Livre, Rui Tavares, declarando que esperava medidas anti-inflação.

As críticas da oposição foram rejeitadas pelo PS. "Este Orçamento corporiza o diálogo e muitas propostas que foram apresentadas", garantiu a deputada socialista Jamila Madeira, considerando que a oposição não foi capaz de "apresentar qualquer alternativa" à proposta do Orçamento do Estado para 2023.

Por sua vez, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares pediu respeito pelo resultado das legislativas e pelo funcionamento da democracia. "Uma maioria absoluta para o PS nunca será um rolo compressor mas um instrumento de diálogo. Não podemos acompanhar propostas que são ao arrepio do que os portugueses pediram que se fizesse", vincou Ana Catarina Mendes.

Reafirmando que se trata de "um Orçamento responsável, de confiança e de diálogo", que reforça o Estado social e "protege os rendimentos", a governante virou-se para o PSD, acusando-os de terem sido os responsáveis pelo corte de salários e de pensões durante "a crise terrível" do Governo de Pedro Passos Coelho.

"Sei que o queijo português é de excelência. A senhora ministra deve adorar queijo. Tem uma memória muito seletiva", respondeu o deputado social-democrata Duarte Marques, acenando com o Orçamento do Estado para 2021 do então primeiro-ministro José Sócrates. "Que tem um corte de salários e de pensões e que mereceu o voto favorável da senhora deputada Ana Catarina Mendes", rematou.

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