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Que não lhe falte nada, senhor jornalista

Que não lhe falte nada, senhor jornalista

Camacho Costa celebrizou, nos Malucos do Riso, o lema de um pequeno estabelecimento comercial: “Servir bem e bem servir dá saúde e faz sorrir.” Atentos aos primórdios da SIC, os organizadores do Mundial 2022 tê

Camacho Costa celebrizou, nos Malucos do Riso, o lema de um pequeno estabelecimento comercial: “Servir bem e bem servir dá saúde e faz sorrir.” Atentos aos primórdios da SIC, os organizadores do Mundial 2022 têm trazido a Doha o ensinamento do falecido Camacho, para servirem bem e bem servirem os jornalistas. Que nem príncipes.

O media centre é um complexo de luxo para qualquer jornalista. Há um restaurante com refeições todo o dia, centro médico, ginásio, cabeleireiro, lavandaria, várias salas de trabalho com um televisor por mesa, máquinas de impressão dos bilhetes dos jogos (para não termos de ir imprimi-los aos estádios), dois estádios virtuais para acompanharmos os jogos em conforto e não em locais diversos de Doha (ver galeria principal), lojas FIFA, McCafé e há até um minimercado. Sim, um minimercado.

É uma loja de conveniência que tem um pouco de tudo: de comida e bebida a aparelhos electrónicos, passando por medicamentos e por refeições prontas ou frutaria.

À entrada do media centre, há carrinhos de golfe que permitem aos pobres jornalistas, cansaditos, serem transportados e não terem de andar uns estafantes 50 metros até às escadas rolantes. Também há disso nos estádios.

Na zona de refeições, não há carrinhos para colocar os tabuleiros após a refeição – “deixe estar, senhor, que um colega meu vai já levantá-lo”, dizem-nos. O príncipe jornalista não levanta tabuleiros, credo.

Temos Internet em todo o lado, até mesmo nos autocarros que nos transportam para tudo quanto é sítio. A propósito: já tinha dito que temos autocarros que nos transportam para tudo quanto é sítio?

Há carreiras de e para os estádios com uma frequência impressionante, além do bem servir supremo: o percurso casa-media centre é assegurado pela organização.

Além de autocarros para as residências de jornalistas (e há 107 locais diferentes, com 12 carreiras para as diversas zonas), a organização chega ao ponto de ter um autocarro para que se possa fazer o percurso casa-estação de metro sem cansar as perninhas. E, no meu caso, estamos a falar de um percurso de seis minutos a pé (é um minuto de autocarro).

“Isso também é um bocado uma tentativa de vos manter dentro da bolha e não andarem a cirandar por sítios que eles não querem que os jornalistas vejam”, analisa o jornalista do PÚBLICO Marco Vaza, quando lhe é feito este relato.

Foi o Marco quem disse, não fui eu. Eu não me queixo.

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