visao.sapo.ptapfigueiredo - 24 nov. 08:30

Visão | O jogo perigoso do Qatar

Visão | O jogo perigoso do Qatar

Não é preciso ter uma bola de cristal para adivinhar que, até à final do Mundial do Qatar, o confronto está para durar: entre ditaduras e democracias, entre sociedades fechadas e sociedades abertas, entre países que protegem direitos políticos, sociais e civis e regimes que criminalizam outras formas de ser e de pensar

A bola já começou a rolar no Qatar e, até à final, é certo que teremos mais quatro semanas de futebol – desporto admirável, sobretudo pela capacidade com que apaixona e mobiliza milhões de pessoas no mundo. Pela frente, também é certo que teremos mais quatro semanas de discussão sobre tudo o que está para lá das quatro linhas dos jogos deste Mundial – e que é muito! Em bom rigor, até sobre o que se passa dentro de campo, mas que não envolve golos, remates e táticas.

A avaliar pelo Inglaterra-Irão desta semana, não faltarão motivos para o debate cultural, civilizacional e político: os atletas iranianos não cantaram o hino nacional, em luta contra o regime; os jogadores ingleses ajoelharam-se no relvado em protesto pela violação dos direitos humanos no Qatar e o capitão inglês, Harry Kane, optou por levar uma braçadeira a dizer “não à discriminação” e fintar, assim, a proibição de usar a do One Love, com o arco-íris. Nas bancadas, houve lágrimas e mais contestação. Até é curioso ver como as crónicas de jogo dos enviados especiais quase dão mais atenção a tudo isto do que ao desafio propriamente dito…

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