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Estudantes protestam contra ″barões dos combustíveis fósseis″

Estudantes protestam contra ″barões dos combustíveis fósseis″

Jovens e estudantes ativistas climáticos bateram o pé esta sexta-feira de manhã pelas ruas de Lisboa e foram até ao Ministério da Economia exigir o fim do consumo dos combustíveis fósseis em Portugal e a demissão do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva. A crítica aos lucros extraordinários apresentados pelas empresas petrolíferas e distribuidoras de gás e o anúncio de ações de ocupação em escolas e universidades foram também tema de protesto.

O Largo de Camões, em Lisboa, recebeu esta manhã as vozes de cerca de 100 jovens e estudantes que participaram na Greve Climática Estudantil. Gritavam que "não há planeta B" e brandiam cartazes a apelar ao "fim dos combustíveis fósseis". Os cerca de 100 manifestantes marcharam desde o Liceu Camões, no Saldanha, até junto do Ministério da Economia, mas foram impedidos pela polícia de se concentrarem em frente ao ministério.

Os discursos - recheados de críticas a um sistema que, dizem, "conduz-nos cegamente ao colapso" e que lhes "falhou" - denunciaram a posição do Executivo quanto à indústria dos combustíveis fósseis, particularmente a posição de António Costa Silva, ministro da Economia e do Mar, a quem pediram a demissão. "O nosso governo está recheado de barões da economia fóssil", ouviu-se.

Os jovens carregaram até à praça de Luís de Camões uma estrutura semelhante a um poço de petróleo que simbolicamente destruíram e envolveram com cartazes e faixas do movimento, enquanto gritavam: "somos a natureza em autodefesa".

"Lucros na indústria fóssil em plena crise climática"

João Camargo, representante da Greve Climática Estudantil, acusa as grandes empresas portuguesas, particularmente a Galp e EDP, de apresentarem "os seis meses mais rentáveis da sua história, apesar de estarmos no pináculo da crise climática". Ainda em menção aos lucros apresentados no primeiro semestre deste ano, e que tanta pressão tem gerado no Governo socialista vinda de todos os espetros políticos, João Camargo entende "que são lucros que vêm diretamente da crise e custo de vida das pessoas deste país".

Marcaram também presença na manifestação outras organizações, de entre os quais estava o OCUPA. O OCUPA é um movimento estudantil a nível mais localizado (dentro de cada escola e universidade) que procura desenvolver e escalar a ação da Greve Climática Estudantil. Ao JN, Teresa Núncio, representante do movimento, explica que querem "tornar-se impossíveis de ignorar" e para isso vão aumentar o nível de disrupção nas escolas e universidades, através de ação de protesto dentro dos estabelecimentos, sob o nome de Fridays for Future.

"Os espaços que supostamente projetam o nosso futuro são, neste momento, locais de alienação", para além de "salas de aulas que ignoram completamente as necessidades dos estudantes, invoca Teresa Núncio. Em resposta, o OCUPA afirma que vai fazer o necessário para que os estudantes sejam ouvidos, mesmo que isso implique o barricar de salas de aulas ou auditórios em escolas e universidades, algo de que admitem não desistir ou abdicar até que as reivindicações sejam atendidas. Esta é uma das bandeiras deste movimento: "ocupar até vencer!".

"Esta é uma prioridade do nosso tempo e não vamos permitir que esta mentalidade doente e suicida continue", conclui.

Cientistas envolvidos nos protestos

Entre o grupo de manifestantes contavam-se também membros da Scientist Rebellion Portugal, que frisaram a importância de ir além dos relatórios e artigos científicos para fazer um combate sério às alterações climáticas. O JN falou com Teresa Santos, uma dirigente do movimento, que explicou que a Scientist Rebellion procura "trazer os cientistas a dar a sua voz à luta climática e a providenciar ao público os factos científicos que estão por detrás destas manifestações".

Teresa Santos lamenta ainda as declarações contínuas do Executivo que colocam Portugal na rota para alcançar a neutralidade carbónica até 2050, dado que "o uso deste termo - neutralidade carbónica - e outros semelhantes são bonitos, mas apenas deixam o público com uma falsa sensação de segurança". "Desta forma, ninguém se apercebe que estamos à beira do abismo, mas a ciência é clara e tem de ser ouvida", slogans que estavam expressos nos cartazes da organização.

Teresa Santos conclui com a segurança de que "ainda temos algum tempo para agir, mas certamente não até 2050".

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