observador.ptObservador - 24 set. 00:16

A guerra ainda mal começou…

A guerra ainda mal começou…

Enquanto Putin e os seus «siloviki» – os «durões» originários do KGB – se mantiverem no poder, uma de duas: ou a NATO consente que a Rússia recorra ao nuclear ou a mesma NATO responde ao ataque.

Ao cabo de pouco mais de sete meses, a guerra movida pela Rússia contra a Ucrânia pode ainda durar muito tempo. Depois de um período em que a Rússia pareceu consolidar a ocupação de boa parte da frente leste ucraniana até ao sul ameaçando Odessa, o recente contra-ataque da Ucrânia não só permitiu recuperar parte dos territórios de Leste como abalou decididamente a invasão russa.

Foi isso que obrigou Vladimir Putin a fazer um discurso inédito, admitindo o recuo militar e anunciando a mobilização maciça de 300 mil homens da reserva militar. No início da invasão, chegou a haver na Rússia manifestações de protesto que deram então lugar a mais de mil prisões ao mesmo tempo que se iniciou um movimento de fuga da população para o estrangeiro. Foram estas as poucas formas de resistência que ninguém podia fazer pela Rússia!

Por último, as movimentações do exército ucraniano desencadearam da parte de Putin uma nova alusão ameaçadora ao recurso a ataques nucleares, como já havia feito e repetido desde a declaração de guerra à Ucrânia. A concluir o seu discurso, Putin recorreu a um patético apelo contra os países que se uniram para derrotar a «Grande Rússia», privando-a do seu «grandioso passado histórico»! Se isto pode fazer sorrir, é essa concepção do mundo que espalha o terror nuclear externo, mas também interno, se Putin der tal passo.

Se é certo que a presidência de Zelensky mobilizou a população ucraniana, a qual tem resistido heroicamente à destruição do país e à morte de crianças e idosos estranhos à guerra, só um movimento equivalente poderá levantar a população russa contra Putin e o seu regime. Como já fiz notar, apoiando-me em observadores de origem russa fugidos à velha URSS, tal levantamento tem faltado até agora. Em contrapartida, o prolongamento da guerra, a mobilização de centenas de milhar de pais de família na reserva militar e, por último, a ameaça nuclear anunciada repetidamente poderão levar uma parte significativa da sociedade russa a levantar-se contra o regime em que vive. Com excepção da Bielorússia, todos os aliados de Putin já se afastaram dele, desde a China e a Coreia do Norte à Índia e à Turquia…

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