eco.sapo.pteco.sapo.pt - 23 set. 16:44

Portugal “não se pode fechar” à vontade dos franceses de se mudarem para cá

Portugal “não se pode fechar” à vontade dos franceses de se mudarem para cá

Estudo mostra que cerca de 20% dos franceses estão dispostos a mudar-se para Portugal. Governo explica que o país não se pode fechar ao investimento estrangeiro.

Cerca de 20% dos franceses estão dispostos a mudar-se para Portugal, segundo um estudo da OpinionWay, realizado para o Salão do Imobiliário e do Turismo de Portugal em Paris, que abriu esta sexta-feira. O Governo explica que o país não se pode fechar ao investimento estrangeiro.

Numa altura em que os preços do imobiliário disparam em Portugal e se torna difícil para as famílias portuguesas adquirirem casa, o secretário de Estado da Internacionalização defende que a economia portuguesa deve permanecer aberta ao investimento estrangeiro que gera riqueza para o país.

“O imobiliário está, como tudo, a sofrer o impacto da situação completamente anormal que estamos a viver. […] Não nos podemos fechar e precisamos de estar integrados numa economia aberta, europeia e atlântica. Nós atraímos pessoas e investimento para Portugal que, por sua vez, criam empregos que beneficiam os portugueses, com negócios que pagam impostos e permitem todas as políticas públicas“, declarou Bernardo Ivo Cruz.

O governante declarou ainda que tanto o Governo como as autarquias estão mobilizados para resolver o problema do alojamento em Portugal, havendo “um grande programa de investimento em imobiliário e construção e revitalização do arrendamento”. Para o secretário de Estado, o perfil das pessoas que se mudam para Portugal também está a mudar, contribuindo para o desenvolvimento do país.

“Nós queremos atrair bom investimento para Portugal, um investimento estruturante que crie emprego e os franceses que estão a ir agora para Portugal pertencem a uma nova geração, são franceses mais novos, com filhos, que se instalam [no país] para trabalhar, gerar riqueza e criar as suas famílias”, explicou.

Num estudo feito junto a cerca de 1.000 franceses, cerca de 20% respondeu que poderiam efetivamente viver em Portugal caso tivessem um emprego que lhes permitisse trabalhar em teletrabalho. Quanto às razões, o “bon vivre”, ou a qualidade de vida, é o que mais atrai os franceses, tal como o custo de vida, o clima, o preço das casas e a segurança. Num clima de incerteza com o aumento geral dos preços e a guerra na Europa, estas características parecem tornar-se ainda mais atrativas para os franceses.

“Se queremos mudar de país, ao menos que seja para um país simpático, e quando eu tive de escolher, estava entre Portugal e a Polónia e não foi difícil escolher. É um movimento que se vai acelerando tendo em conta as diferentes eleições nos países europeus, Portugal é um país muito estável politicamente e isso atrai as pessoas. Dizem que há 80 mil franceses em Portugal, mas eu acho que são muitos mais“, indicou Marc Laufer.

O investimento dos emigrantes, especialmente da comunidade portuguesa instalada em França, continua a ser também uma das prioridades para Portugal. “É sempre uma boa altura para o emigrantes investirem em Portugal. Eu tenho tido muitas conversas e muitas reuniões com a nossa comunidade espalhada por todo o mundo e há uma vontade muito grande de todos de investir. Desde os grandes investimentos até aos pequenos investimentos nas aldeias de onde as pessoas saíram e todos eles são muito importantes”, concluiu Bernardo Ivo Cruz.

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