www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 23 set. 20:08

″Temos de olhar para os nossos portos como unidades de negócio″

″Temos de olhar para os nossos portos como unidades de negócio″

A guerra e a dependência energética europeia trouxe uma oportunidade, pontual, de três a quatro anos, que Portugal deve aproveitar. Mas só se atuar já. Esta é a opinião de António Belmar da Costa, diretor executivo da AGEPOR.

Volatilidade. Essa é a palavra que melhor descreve o panorama que os membros da Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR) enfrentam todos os dias. Em conversa com António Belmar da Costa, diretor executivo da AGEPOR, e à margem do X Congresso da associação, este revelou que o setor encara o futuro com alguma preocupação e apreensão, nomeadamente devido à incerteza que passou a estar na ordem do dia. "O sentimento dominante hoje em dia é que não sabemos aquilo que antigamente achávamos que sabíamos". Isto porque há uma maior volatilidade.

A questão, quando o tema são os portos e o transporte marítimo, é que qualquer decisão tem impacto a médio longo prazo e não pode ser revertida "do dia para a noite". António Belmar da Costa dá o exemplo da questão ambiental que, por pressão política, em determinados grupos, se pretendeu "antecipar o amanhã para ontem". Acontece que "é facilmente percetível que isso não é possível, dado que o custo económico que isso envolve não é suportável". Sem esquecer que a inovação necessária "para que lá cheguemos não existe".

Significa isto que os portos irão ficar parados no tempo? Nada disso. Simplesmente que irão "avançar a seu ritmo". António Belmar da Costa refletiu ainda que, a tirar uma lição positiva da guerra na Ucrânia, é que esta "permitiu-nos parar no tempo para poder repensar toda essa questão e tentar reajustar-nos ao que é possível fazer nos termos atuais".

Na sessão de abertura, José Maria Costa, secretário de Estado do Mar afirmou que os portos são uma porta de entrada. Sobre isso António Belmar da Costa acrescentou "e de saída". Mas atenção. "É preciso que essa porta se abra", refere, dizendo que "muitas vezes, para que essa porta se abra é preciso fazer um investimento grande, que tem de ser feito e que não pode ficar sempre só em promessas e inferior ao que os outros países fazem".

Para o diretor executivo da AGEPOR, se queremos aumentar a quota dos nossos portos vamos ter de investir mais. Porque só com mais inovação, simplicidade e menos burocracia será possível facilitar a existência de negócios.

Quanto à questão da dependência energética da Europa, é certo que isto pode ser uma oportunidade para Portugal e nomeadamente para os portos nacionais. Mas será algo pontual, dado que países como a Alemanha já estão a reagir. Pelo que António Belmar da Costa acredita que temos de aproveitar a oportunidade e atuar já. Agora.

Pode, também, ser uma oportunidade de colmatar algumas debilidades nos portos nacionais, nomeadamente ao nível das acessibilidades. "Temos de olhar para os nossos portos como unidades de negócio, como algo que tem de ser constantemente melhorado para ser competitivo com outros", reflete o diretor executivo da AGEPOR, afirmando que "todas as acessibilidades têm de ser melhoradas, sejam elas marítimas ou terrestres". Sines é um caso paradigmático, que está há décadas à espera quer da conclusão da autoestrada, quer da ligação ferroviária.

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