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Em Junho e Julho, as ondas de calor massacraram a Europa, o Médio Oriente e a Ásia

Em Junho e Julho, as ondas de calor massacraram a Europa, o Médio Oriente e a Ásia

Dados da NASA mostram que no dia 13 de Julho foram batidos recordes de temperatura em vários pontos do globo. Foi também o dia da temperatura mais alta em Portugal, diz o IPMA. Este Julho foi o mais quente dos últimos 92 anos.

Em Junho e Julho, as ondas de calor generalizaram-se à Europa, Médio Oriente e Ásia, onde as temperaturas subiram bem acima dos 40 graus Celsius em muitos locais e vários recordes foram quebrados, diz a agência espacial norte-americana NASA. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), por sua vez, anunciou que o mês de Julho de 2022 em Portugal continental foi o mais quente dos últimos 92 anos (desde 1931) e muito seco em relação à precipitação.

O valor médio da temperatura máxima do ar, 33,16 graus Celsius, foi o segundo mais alto desde 1931 (depois de Julho de 2020), com uma anomalia de mais 4,44 graus Celsius, diz o IPMA.

A NASA produziu um mapa das temperaturas à superfície de grande parte do hemisfério oriental no dia 13 de Julho, combinando observações feitas com uma versão do modelo global do Sistema de Observação da Terra Goddard (GEOS), que usa equações matemáticas para representar processos físicos na atmosfera. Este foi o dia mais quente de 2022 em Portugal continental e o quinto dia mais quente do século XXI, diz o IPMA.

Segundo a NASA, a temperatura atingiu 45 graus a 13 de Julho em Leiria, onde um incêndio queimou mais de 3000 hectares, quando mais de metade do país estava em alerta vermelho.

“Há um padrão claro de uma ‘onda atmosférica’, com valores alternados mais quentes (a vermelho) e mais frescos (azul) em diferentes locais, mas esta grande área de calor extremo (e que bateu recordes) é um indicador claro de que as emissões de gases com efeito de estufa devido à actividade humana estão a causar fenómenos meteorológicos extremos, que têm impacto sobre a nossa vida”, disse Steven Pawson, coordenador do Gabinete de Modelação Global do Centro Espacial Goddard da NASA, citado num comunicado de imprensa.

Na Europa ocidental, que já está a passar por uma seca, estas ondas de calor favoreceram os incêndios florestais: para além de Portugal, também Espanha e partes de França. Numa segunda imagem divulgada pela NASA, vêem-se vários incêndios em Portugal e Espanha a 12 de Julho (os pontinhos vermelhos) observados no espectro dos infravermelhos pelo satélite Suomi NPP.

Durante o mês de Julho, os valores de temperatura do ar estiveram quase sempre muito acima do valor normal, diz o IPMA. Os períodos mais quentes ocorreram entre os dias 7 e 17, 20 e 26 e 29 e 31. Entre 7 e 17 de Julho o tempo foi excepcionalmente quente. No dia 14 registou-se o valor mais elevado da temperatura máxima do ar, 47 graus Celsius, registado na estação do Pinhão, para o mês de Julho. Foi um novo extremo para o mês de Julho, em Portugal continental.

Foto Mapa mostra grandes incêndios em Portugal e Espanha a 12 de Julho Suomi National Polar-orbiting Partnership

Foram excedidos os extremos absolutos da temperatura máxima em 28 estações e da temperatura mínima em 21 estações, diz o IPMA. Entre os dias 7 e 14 de Julho foram registados 98 novos recordes de temperatura máxima, com o maior número de recordes absolutos no dia 14 e mensais no dia 13. Houve uma persistência de valores muito altos da temperatura média, superiores a 25 graus.

22% da precipitação normal

Paralelamente ao calor, a seca agravou-se, o mês de Julho foi o quarto mais seco desde 2000. O total de precipitação neste mês, três milímetros, corresponde apenas a cerca de 22 % do valor normal, diz o IPMA.

Comparando o final do mês de Julho com o fim do mês de Junho, verificou-se uma diminuição significativa da percentagem de água no solo em todo o território de Portugal continental, que foi mais significativo nas regiões Centro e Sul. Aumentou a área com valores inferiores a 10% e iguais ao ponto de emurchecimento permanente. No final de Julho, 55% do território está na classe de seca severa e 45% na classe de seca extrema

Noutros países registaram-se igualmente situações anómalas. O calor excepcional contribuiu para o colapso de uma parte do glaciar de Marmolada nos montes Dolomitas italianos, que provocou uma avalanche em que morreram 11 pessoas. Foram batidos recordes de temperatura no Reino Unido – pela primeira vez chegou aos 40 graus.

No Norte de África, a Tunísia sofreu uma onda de calor e uma vaga de incêndios que causaram estragos às colheitas de cereais. A 13 de Julho, a temperatura em Tunes, a capital, chegou a 48 graus Celsius, quebrando um recorde de 40 anos.

No Irão, a temperatura chegou a 52 graus Celsius no fim de Junho, e manteve-se alta durante todo o mês de Julho.

Na China, registaram-se já três ondas de calor neste Verão, tão intensas que derreteram alcatrão e deformaram estradas, e fizeram saltar telhas de telhados. O Observatório Xujiahui de Xangai, que tem registos meteorológicos desde 1873, mediu as temperaturas mais elevadas de sempre: 40,9 graus, também a 13 de Julho. Juntamente com o calor verificaram-se altos níveis de humidade, sem que a temperatura desse tréguas durante a noite, o que cria condições potencialmente mortais, sublinha a NASA.

“Este calor extremo tem impactos directos na saúde humana, bem como outras consequências, incluindo os incêndios que aconteceram na Europa e em África, e que têm estado descontrolados nos últimos anos na América do Norte”, comentou Steven Pawson.

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