visao.sapo.ptsvicente - 5 ago. 08:30

Visão | Os números mortos

Visão | Os números mortos

Era a moça mais linda, no tempo do liceu. Exibia essa beleza que só existe para ser eterna

Já não me lembrava que tinha em casa um telefone fixo quando fui surpreendido pelo som de uma campainha. Removi papéis, livros e embrulhos no tampo da secretária até encontrar o enrouquecido aparelho. – Senhor Adérito, sou sua vizinha – anunciou uma voz doce. E depois de uma pausa, a dona da voz revelou o propósito daquela chamada. – Déritinho, você pode subir? Demorei a sintonizar: Déritinho? Há anos que ninguém me chamava assim. Sou Adérito, para os devidos efeitos. O diminutivo serviu para uso reservado de amigos de infância. Desses amigos já ninguém estaria vivo.

–  Subir? – perguntei, a medo.

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