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O estado a que isto chegou

O estado a que isto chegou

O que interessa ao PS e ao seu governo não é a resolução dos problemas reais do país e dos portugueses, mas sim a construção de uma realidade que só eles conseguem ver, que é tão irreal que começa a ser difícil alguém acreditar

Em Ciência Política aprendi que existem vários tipos de Estados, os comunistas, os capitalistas, os fascistas e os nazistas, existindo ainda algumas variantes em cada um deles. Podemos ainda acrescentar, como um dia afirmou Salgueiro Maia, o estado a que isto chegou.

Portugal enfrenta neste momento uma crise sem precedentes devido ao aumento do custo de vida – a inflação ultrapassou os 10% e atingiu um máximo histórico desde 1988, o SNS está ligado ao ventilador, em estado grave, a Proteção Civil e os Bombeiros deram entrada nos cuidados intensivos e as forças de segurança, há muito que lutam pela vida, mais casos poderíamos apontar, todos prontos a entrar numa unidade de cuidados intensivos -  o caos no Aeroporto, os tripulantes do INEM que não existem, os professores que não chegam, mas, como dizia a Sra. Ministra da Saúde “a vida tem problemas”, o SNS tem problemas e diria eu, consequentemente o país terá problemas.

No debate do Estado da Nação, a bancada do PS fez um retrato de Portugal, que, confesso, questionei-me se teria viajado, não é o país real, mas é o país que o PS tão bem sabe vender e que lhe rendeu uma maioria absoluta. É o país onde os mais desfavorecidos têm uma superproteção do Estado, que têm um SNS de excelência, onde uma grávida tem de fazer mais de 100km para ter acesso a cuidados de saúde, onde os profissionais de saúde estão esgotados e abandonam a profissão, mas por sorte, porque os portugueses são uns sortudos ainda têm o governo a controlar a subida dos custos da energia, somos de facto uns privilegiados.

Nesta lógica socialista, o país quase que poderia ser um case study de uma Universidade de Harvard – uma governação exemplar, onde todas as instituições do Estado funcionam harmoniosamente e a sua população vive cada vez melhor. É caso para dizer, vivemos num mar de rosas.

Assim sendo, a grande preocupação do PS e do seu governo só pode recair no único problema que existe no país, o principal partido da oposição, concretamente no seu suposto posicionamento ideológico e na sua não decisão sobre uma decisão estratégica para o país (localização do novo Aeroporto de Lisboa).

Na retórica socialista, o PPD-PSD é o grande responsável por nos encontrarmos na cauda da Europa, sendo que nos últimos 27 anos, governou 7, e desses 7, os últimos 4 (2011-2015) foram dedicados a retirar o país de uma bancarrota trazida por um exemplar governo do PS, liderado por José Sócrates e que teve António Costa como número dois.

Mas o PS vai alimentando a comunicação social e os portugueses de que, tudo vai mal porque ainda não conseguimos recuperar de uma política de austeridade que o governo de Pedro Passos Coelho teve de recorrer para não deixar de pagar salários aos funcionários públicos e pensões – caso contrário teria sido a falência do Estado e a crise de que tanto se fala teria tido outra dimensão.

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Se isto não é o caos, digam-me o que é.

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