jornaleconomico.ptAna Pina - 5 ago. 00:10

“Brasil, futuro incerto…”

“Brasil, futuro incerto…”

A defesa da democracia não assenta na eleição de populistas ou corruptos. Bem pelo contrário. Estas minam a democracia, fazem-na cair em descrédito.

O momento que hoje se vive no Brasil é perigoso para o país, mas não só. É também para o mundo. A menos de dois meses, a 2 de outubro próximo, o povo brasileiro irá novamente a votos, numas eleições presidenciais em que só existem duas opções: Bolsonaro e Lula. Segundo as sondagens conhecidas, estes candidatos reúnem mais de 75% das intenções de voto.

O primeiro é o atual Presidente, num primeiro mandato carregado de polémicas. Foi deputado federal há três décadas, mas antes nunca tinha dado nas vistas. Poucos brasileiros o conheciam. O segundo, Lula da Silva, ex-sindicalista, ex-Presidente durante oito anos e ex-presidiário indiciado por corrupção. Agora tornou-se, de novo, o mais do que provável vencedor das eleições.

O que acontecerá na maior democracia da América, se um deles for novamente Presidente do Brasil? Ambos não são causa nem princípio. São por consequência.

Bolsonaro, quase sem saber como nem porquê, conseguiu encarnar a reação epidérmica de uma enorme fatia do eleitorado brasileiro, desiludido e cansado de muitas promessas não cumpridas, da corrupção galopante, da violência e da insegurança que se vive nas ruas e de algumas ideologias fraturantes que o PT de Lula e de Dilma lhes quiseram impingir, e tornou-se assim Presidente no primeiro dia do ano de 2019. A sua maior força foi ser o contrário de tudo o que o PT à época representava.

Lula da Silva, com quase 77 anos de idade e dois mandatos de Presidente, candidata-se novamente, após ter estado preso mais de um ano, o que o impediu de um novo mandato em 2018. Foi indiciado e acusado, mais tarde ilibado pela corrupção que assaltou o país.

Será que os eleitores brasileiros esqueceram os tempos épicos vividos, em que o programa, a política e a constante desculpabilização da corrupção, tem apenas quatro letras, Lula?

Sejamos claros: o Brasil está para viver um filme de terror. Portugal encontra-se bem longe desse cenário. Mas, em qualquer lugar ou circunstância, temos a obrigação de recusar a chantagem de que a alternativa é, de um lado a esquerda que antes perdeu as eleições pela corrupção, e do outro uma direita alucinada e populista primária (ou vice-versa, bem entendido).

Para um democrata, a verdadeira alternativa só pode ser a que sempre foi: uma ideologia moderada, defensora dos direitos fundamentais, sobretudo da liberdade económica e da segurança pública. Uma ideologia que nunca pode ceder à corrupção ou ao populismo. Relativizá-las é um erro gravíssimo e uma das lições fatais deste drama que se vive no Brasil.

A defesa da democracia não assenta na eleição de populistas ou corruptos. Bem pelo contrário. Estas minam a democracia, fazem-na cair em descrédito e, pior, fazem brotar políticos como os que estarão em opção no Brasil. E o mais grave, independentemente do resultado, que até parece previsível, é o desfecho incerto de saber se o derrotado irá aceitar o veredito popular.

O Povo Brasileiro, tendo que votar nestas eleições de participação obrigatória, estará é preocupado em preparar o amanhã, na construção de uma alternativa democrática futura, credível, coerente e responsável. O problema e a encruzilhada é mesmo o agora, pois essa alternativa vai ser essencial no futuro, muito mais cedo do que muitos possam pensar.

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