www.publico.ptpublico.pt - 24 jun. 05:37

Cartas ao director

Cartas ao director

A inflação, o regresso da peste

Ainda não estamos sossegados com a peste da covid e eis que temos outra que nos está a bater à porta. Segundo Guy Sorman – o título em epígrafe é da sua autoria – teremos de viver com a inflação nos próximos tempos, o que significa que viveremos pior. E o problema é que Sorman não vê, de momento, coragem política e legitimidade moral quer nos Estados Unidos, quer na Europa para se tomarem medidas adequadas. A inflação é, na verdade, uma praga económica e social que é necessário eliminar e reduzi-la a uma taxa tolerável de 2%.

Com a inflação retraem-se os investimentos a médio e a longo prazo e surge, a curto prazo, a especulação financeira. Para além disso agravam-se substancialmente as desigualdades sociais devido à subida de preços que afecta, sobremaneira, as pessoas mais pobres que não conseguem aforrar, lançando outras na pobreza enquanto os ricos acautelam os seus investimentos em bens imobiliários e obras de arte. As novas propostas da Nova Economia Monetária criada pela esquerda norte-americana, que não passam de uma fantasia, propõe que os parlamentos controlem a emissão de dinheiro distribuindo-o de forma a que cubram todas as necessidades. A questão do reembolso desta gigantesca dívida pública não se colocaria visto que ninguém pode obrigar um governo a pagar. Fantasias que nos podem sair caro. Muito caro.

António Cândido Miguéis, Vila Real

Privatização de praias por falta de caminhos

A Associação Proteger Grândola reclamou no PÚBLICO a revisão urgente do PDM. Isso demora um ou mais anos. Entretanto, as tropelias urbanísticas perto daquelas praias vão apressar-se. Com a conivência do Estado central, regional e local, consolida-se a privatização de mais de 30km de faixa litoral a partir de Tróia.

Enclave? Zona tampão? Território internacional, menos dos “tugas”? Terra de ninguém, menos dos seus famosos/secretos proprietários? A partir de um território agrícola, em parte florestal ou “só” dunar e selvagem, o critério do latifúndio deu lugar a extensos lotes para construção.

A esperteza urbanística concertada entre tais condomínios tem sido o fazerem-se contíguos, obstando ao traçar de vias públicas de acesso às praias. Estas ficam como extensão da sua propriedade, garantindo o publicitado “exclusivo”. A isto chama-se apropriação de um bem colectivo.

Os serviços públicos param nas suas cancelas? Essas comportas deixarão passar bombeiros, GNR, Polícias, o 112, correios, águas, saneamento básico? E será que os herdeiros dessas zonas tampão não pedirão indemnizações quando o mar avançar sobre o resto das dunas que agora destroem? Terão um argumento: o próprio Plano de Ordenamento da Orla Costeira já reconhece zonas vermelhas de erosão naquela faixa e, mesmo assim, prevê escassa distância de salvaguarda do mar às dunas. E nunca o Estado exige a abertura de vias para que o cidadão tenha acesso à orla marítima. Alguém imagina noutro ponto em Portugal mais de 30km de exclusão até a “arraia miúda” ver o mar que é seu vizinho do lado?

Eduarda Ferreira

O melhor e o pior de Portugal

Portugal é um exportador de excelência de enfermeiros, médicos, trabalhadores da construção civil, jogadores e treinadores de futebol. É conhecida a dedicação e a honestidade da mão-de-obra portuguesa a laborar no estrangeiro. Mas os nossos empresários queixam-se da mão-de-obra. Portugal apresenta fantásticas zonas turísticas, a par de uma excelente gastronomia. A baixa taxa de criminalidade coloca-nos nos lugares cimeiros da segurança. No entanto, a generalidade das reformas são miseráveis. O salário mínimo nacional é baixo. O que será que não funciona então? Serão a corrupção e o tráfico de influências que impedem a subida do nível de vida dos portugueses?

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

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