ionline.sapo.ptAfonso de Melo - 24 jun. 09:03

Portugal em Águeda

Portugal em Águeda

Vivi, na seleção portuguesa, como assessor de imprensa (lugar com que nunca sonhei e ao qual fui parar pela simples conjugação dos astros), entre 2003 e 2006, com o grupo mais camarada, mais fraterno, mais companheiro com que trabalhei até hoje.

Regresso a casa. Desta vez para apresentar o livro dos 100 Anos da Selecção Nacional - Cinco Escudos Azuis, algo que me orgulho de ser único e não apenas em Portugal. Águeda, terra do meu sangue, portanto, por mais Índias que tenham entrado pelos portões escancarados da minha vida, sempre pronta a aceitar novos desafios, novos lugares, nova gente. Olho para trás, agora que o tempo já me deu mais do que tem para me dar, e não me arrependo, nunca me arrependo.

Fiz de tudo um pouco. Sempre com paixão, sempre com vontade de aprender e de ensinar, cada coisa a seu tempo. Continuamos profundamente manos! Mérito de um homem providencial, uma espécie de meu irmão mais velho, chamado Luiz Felipe Scolari. A poucos dias de ter início o Europeu do nosso contentamento, que fez feliz o país triste, apesar da tragédia de 4 de julho, havia dois jogos particulares para disputar e nenhum podia ter lugar nos novos estádios, já controlados pela UEFA. Um deles seria, e foi, em Setúbal. O outro, contra o Luxemburgo, estava ali no fio entre a Póvoa de Varzim e a Maia. Então resolvi baralhar a cabeça do Carlos Godinho (diretor desportivo) e do presidente da altura, Gilberto Madail: “E por que não Águeda?” Acho que não me levaram a sério. Fiz um telefonema para o meu velho amigo e camarada Celestino Viegas, e perguntei-lhe com clareza se o campo do Redolho, ali ao Sardão, não longe do rio e das Lavadeiras, estaria pronto para a empreitada. Nem ele me levou a sério: “Seleção? Mas de juniores?”

Em meados de maio, eu e o Carlos Godinho e o Pedro Osório fomos fazer a vistoria do costume: Póvoa, Maia e... Águeda. No dia 29, pela primeira e última vez na sua existência, a equipa principal de Portugal entrou no Estádio Municipal e venceu por 3-0. O meu pai, o Manuel Alegre e o Paulo Sucena estavam na bancada. Por mim, o jogo foi para eles. Talvez também não acreditassem. Mas faz bem recusar o impossível.

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