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Visão | Yves Coppens: Em nome das origens da Humanidade

Visão | Yves Coppens: Em nome das origens da Humanidade

Deslumbrou-se com a geologia e a zoologia, mas foi a partir da paleontologia que construiu a sua carreira. Nos anos 70, mostrou a sua vocação de mão cheia ao descobrir o fóssil de Lucy, o famoso hominídeo com 3,2 milhões de anos. Quem foi o homem que contribuiu para o conhecimento das origens da Humanidade?

Yves Coppens, considerado um dos “pais” de Lucy, morreu esta quarta-feira, aos 87 anos, vítima de doença prolongada, mas o que nos deixou não se vai perder. Encontrou a sua vocação aos 7 ou 8 anos e, já na altura, dizia querer ser arqueólogo. Hoje, além do famoso trabalho de 1974 em prol do conhecimento da Humanidade, sabe-se que a sua carreira foi muito mais do que a descoberta do fóssil hominídeo na Etiópia.

Nascido em 1934 na Bretanha, França, Yves Coppens foi licenciado em geologia, zoologia e botânica pela Universidade de Rennes e doutorado em paleontologia pela Universidade de Paris. O cientista dedicou-se a investigações pelo mundo fora, destacando-se expedições nas Filipinas, na Indonésia, na Sibéria e na China.

De acordo com a France24, co-assinou seis descobertas de hominídeos. Uma das primeiras remonta a 1967, na Etiópia, ao encontrar um fóssil de 2,6 milhões de anos. No Chade, destaca-se a descoberta, em 1961, do hominídeo Tchadanthropus uxoris, com cerca de um milhão de anos.

Contudo, o auge da sua profissão foi em novembro de 1974, quando integrou a equipa responsável por encontrar os vestígios – cerca de 40% do esqueleto – de um australopiteco de 3,2 milhões de anos. O fóssil fêmea foi batizado de Lucy, em alusão à canção dos Beatles “Lucy in the Sky with Diamonds”.

Lucy é considerada a “avó da humanidade”, devido à sua condição bípede e de vida nas árvores, uma surpresa para os investigadores. O conjunto de 52 ossos foi, então, o esqueleto menos incompleto de um hominídeo. Em 2009, numa entrevista ao jornal Público, Coppens explicou que “no início, Lucy era apenas o AL-288 – um conjunto de fósseis encontrados numa dada localidade de Afar”. “Aos poucos, fomos percebendo que se tratava provavelmente de um único indivíduo. (…) Era a primeira vez que se descobria no mesmo esqueleto sinais de bipedismo e de vida nas árvores. Era uma demonstração inesperada e fantástica do estado intermédio entre o carácter arborícola de antes e o bipedismo de depois”, referiu.

Após a descoberta da sua vida, Yves Coppens começou a receber diversas distinções e prémios. Em 1980, tornou-se professor do Museu Nacional de História Natural e foi nomeado diretor do Museu do Homem, em Paris.

O seu sentido crítico e uma visão aberta para o mundo valeu-lhe o título de investigador em várias instituições científicas, tais como a Academia Francesa de Ciências, Instituto Rela Antropológico da Grã-Bretanha e Irlanda e a Academia de Letras e Belas Artes da Bélgica.

O investigador publicou mais de mil artigos e vários livros, tendo ganhado três prémios importantes: Prémio Edmond Hébert, em 1963; Prémio André C. Bonnet, em 1969; e o Grande Prémio Jaffé, em 1974.

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