rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 24 jun. 08:59

Autarca de Irpin. "Não ponho de lado a possibilidade de uma segunda invasão. O Verão será duro e decisivo"

Autarca de Irpin. "Não ponho de lado a possibilidade de uma segunda invasão. O Verão será duro e decisivo"

Quatro meses depois do início da invasão russa, a Ucrânia já é um país candidato à União Europeia e trata agora da reconstrução das áreas afetadas pelos combates. É o caso de Irpin, cidade às portas de Kiev, cuja resistência permitiu evitar a progressão russa em direção à capital ucraniana. Em entrevista à Renascença, o presidente da autarquia explica os planos para retomar a vida normal apesar da guerra continuar em pleno no Leste e no Sul da Ucrânia. O regresso dos combates terrestres na região de Kiev permanece nos cenários do líder da resistência de Irpin.

Líder da resistência em Irpin, Alexander Markushin, veio a Cascais assinar um acordo de geminação e aprofundar a cooperação entre as duas cidades. Uma das novas creches da cidade vai chamar-se Cascais, paga com 500 mil euros de ajuda da autarquia portuguesa.

Os combates do final de fevereiro e início de março destruíram 70% da cidade que tinha 60 mil habitantes e fizeram mais de 300 mortos civis e 50 militares. As marcas da guerra são muito visíveis na cidade já visitada por António Guterres, António Costa e outros líderes internacionais. O presidente da Câmara local olha com otimismo para a reconstrução, mas com cautelas em relação ao presente e ao rumo da guerra.

Não ponho de lado a possibilidade de uma segunda invasão a partir da Bielorrússia, mas hoje os nossos militares estão mais preparados, temos mais fortificaç��es e mais confiança na nossa capacidade de os repelirmos.

Estamos a ajudar essas pessoas a terem uma habitação permanente. Estamos a preparar um antigo sanatório para as acomodar durante alguns tempos e temos também algumas casas em módulos pré-fabricadas para estas pessoas. 60% da população já voltou e a maioria tem a sua casa em condições. No entanto, 20% das pessoas não têm ainda casa, mas estamos a tratar disso. Já fizemos uma avaliação dos prédios e os que estão em mau estado vão ser totalmente substituídos por novos, com ajuda do Estado. Ainda estamos a preparar tudo para enviar a proposta ao Governo. Só depois disso, teremos um prazo e uma data para entregarmos as casas às pessoas. Como sabem, Portugal vai ajudar na reconstrução de uma creche e anteontem ao jantar falámos com uma empresa que vai ajudar a recuperar os telhados de alguns prédios de nove andares.

Há que dividir a pergunta em duas respostas. A primeira surpresa desagradável aconteceu na desminagem de Irpin. Foi um trabalho muito complicado onde até foram encontradas minas em brinquedos de crianças e em parques infantis. Em segundo lugar, ainda se encontram corpos sobretudo em casas privadas. As pessoas vão regressando às suas casas e encontram sepulturas nos seus quintais. Mas não temos muitos desses casos, porque não chegámos a ter uma grande ocupação por parte dos russos.

Autarca de Irpin em Cascais (à direita) com Carlos Carreiras (à esquerda) Foto: Facebook Autarca de Irpin em Cascais (à direita) com Carlos Carreiras (à esquerda) Foto: Facebook

Damos um subsídio de 100 mil hryvnas (equivalente a cerca de 3200 euros) às pessoas que perderam familiares na guerra. Temos ainda centros de apoio psicológico e reabilitação, para além do fornecimento de comida e roupa. Muitos países estão a ajudar Irpin, mas, neste momento, não precisamos de ajuda humanitária. Precisamos sim de apoio à reconstrução de casas.

Nos meus cálculos, vai custar cerca de mil milhões de dólares. A recuperação deve durar entre um ano e meio a dois anos.

Penso que os próximos meses de Verão até setembro serão cruciais. Até setembro ficará claro se vamos continuar ou não esta guerra pelo Inverno fora. Estes 3 meses vão ser muito desgastantes para a nossa Ucrânia e serão mesmo decisivos. Metade das minhas forças locais de defesa de Irpin foi lutar para outras zonas da Ucrânia.

Para mim, esta decisão é muito importante, porque pela primeira vez a Ucrânia está a caminhar em direção à União Europeia. E isso acontece não apenas com palavras. Para nós é muito importante que a Europa nos reconheça como parte integrante da Europa. O nosso presidente Zelenskiy e a sua equipa estão a fazer tudo para que a Ucrânia seja aceite pela União Europeia a partir do estatuto de candidato.

Estamos a planear construir uma Praça da Liberdade, num espaço de grandes dimensões no centro da cidade, que possamos dedicar à vitória da Ucrânia. Além disso, o nosso presidente Zelensky já anunciou que a nossa ponte que foi destruída seja transformada num memorial. Planeamos também fazer um museu da história da Ucrânia, que mostre o nosso desenvolvimento e termine com a evocação da nossa grande batalha em Irpin, Borodyanka, Bucha e Hostomel. Pensamos que isso será uma grande atração turística.

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