ionline.sapo.ptMário Bacelar Begonha - 23 jun. 09:18

Juventude, desporto e vassalagem

Juventude, desporto e vassalagem

Teremos de esperar mais quatro anos e meio, ou talvez não, pelo próximo executivo para que alguma coisa mude no desporto português...

Depois de criada uma grande expectativa com a saída do desporto profissional da tutela do Ministério da Educação, embora devesse depender do mesmo departamento que a tauromaquia e as atividades circenses, veio a frustração e a deceção, com a vassalagem pública, prestada pelo novo responsável do setor, ao “vice-rei” do Norte, Pinto da Costa, como primeiro ato público, indicador que a independência do novo secretário do Desporto está hipotecada e pouco mais será que a gestão do futebol profissional, que nada tem que ver com a Juventude e Desporto, já que aquele é apenas espetáculo profissional para a alienação e a fuga ao real dos trabalhadores portugueses. Depois de tantos anos de marasmo, deste setor, parecia, a qualquer observador ingénuo, que havia um novo plano e uma reforma, para o setor, que nunca fez mais do que gerir o circo do futebol dos clubes profissionais. Afinal o que houve foi apenas a expurgação do setor do Ministério da Educação, que se impunha, há muitos anos, e parece que nada mais, pois segundo afirmações do secretário da Juventude e do Desporto: “Pinto da Costa é a referência do desporto português”. O nosso ponto de vista não se refere à pessoa em si que não conhecemos apesar de termos nascido em 1937, mas sim à classificação atribuída de “referência do desporto português”. Primeiro porque o futebol profissional, não é desporto, é uma profissão paga, e depois os clubes de futebol são empresas particulares, nada tendo a ver com o desporto português, mas sim com os espetáculos desportivos.

Em democracia, as afirmações públicas de membros do Governo, interessam não só para avaliar o grau de conhecimentos para o exercício das funções, mas também para perceber o suporte político que pode justificar a escolha para o lugar agora ocupado, que no caso presente demonstra total falta de independência e de conhecimento do setor, já que coloca Pinto da Costa e o futebol profissional no patamar de uma referência do desporto português. Repete-se, não se trata de qualidades pessoais mas sim da qualificação do futebol profissional e do cargo de presidente de um clube privado de futebol-espetáculo como a referência do desporto português. CR7, por quem temos apreço, com um aeroporto público com o seu nome, número 1 mundial do futebol-espetáculo, nunca poderá ser uma referência do desporto português, mas tão só do espetáculo profissional futebol, o que não é, de todo, o mesmo. Enfim, teremos de esperar mais quatro anos e meio, ou talvez não, pelo próximo executivo para que alguma coisa mude no desporto português, a menos que se entregue a tutela do desporto a Pinto da Costa, pois deixava de haver intermediários e, segundo o PCP, “o ópio do povo”, estaria mais presente para alienar o povo português.

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