jornaleconomico.ptFilipe Alves - 24 jun. 00:20

Por vezes é mais difícil fazer a paz do que a guerra

Por vezes é mais difícil fazer a paz do que a guerra

Muitas vezes, é mais difícil fazer a paz do que a guerra, até porque a paz faz-se com os nossos inimigos, não com os amigos.

Para qualquer pessoa que acredite na Democracia e na Liberdade, a causa da Ucrânia é justa. Os ucranianos estão combater não só pela sua liberdade como pela dos outros europeus. São a linha da frente na luta contra o regime revanchista que oprime a Rússia.

Ao ajudar a Ucrânia na sua luta contra os invasores, a Europa e os Estados Unidos estão a defender o seu modo de vida e as suas próprias liberdades.

Porém, a certa altura, esta escalada em direção à guerra total, que faz lembrar o longínquo verão de 1914, vai ter de parar. A menos que queiramos acabar numa situação em que o nosso futuro fica nas mãos de generais, em Washington e em Moscovo, para quem a morte de centenas de milhões de pessoas num holocausto nuclear seria um mero dano colateral e o preço a pagar pela vitória final sobre o inimigo.

É, de resto, assustadora a forma leviana como alguns comentadores televisivos falam da possibilidade de um confronto direto entre a NATO e a Rússia, que muito provavelmente provocaria uma guerra nuclear que causaria dezenas de milhões de vítimas civis (sendo muito conservador nessa estimativa).

O mais assustador é que parece existir, no Ocidente e na Rússia, quem acredite que é possível sair vencedor de uma guerra dessas, talvez ao estilo do general Turgidson, de Dr. Strangelove, que dizia muito satisfeito que apenas morreriam dez milhões de civis americanos, vá, vinte no máximo, em caso de guerra com a URSS (“Mr. President, I’m not saying we wouldn’t get our hair mussed. But I do say no more than ten to twenty million killed, tops”).

Os governos da Alemanha, da França e da Itália têm sido criticados pela imprensa do Reino Unido e dos EUA por favorecerem uma solução negociada que ponha termo ao conflito. Mas o caminho tem de facto de ser esse, porque muito provavelmente esta guerra não terá solução militar. E para que essa solução negociada seja possível, e não seja mais do que uma mera capitulação, a Ucrânia tem de poder sentar-se à mesa numa posição de força. Até porque, de um ponto de vista histórico, o urso russo, seja aliado ou inimigo, só respeita a força.

Por esta razão, os EUA e a União Europeia têm de continuar a apoiar a Ucrânia, desgastando a Rússia mas sem a encurralar num beco sem saída que possa provocar um qualquer ato desesperado (como a utilização de uma arma nuclear tática), mas sem nunca fechar a porta a um acordo de paz que, salvaguardando a independência da Ucrânia, permita acabar com a guerra.

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