eco.sapo.ptLuís Miguel Ribeiro - 23 jun. 09:34

Recolocar Portugal no Top 15 dos países europeus mais desenvolvidos em 2030

Recolocar Portugal no Top 15 dos países europeus mais desenvolvidos em 2030

Pioneira no ensino técnico oficial e na divulgação técnica e tecnológica, a Associação Empresarial de Portugal quer recolocar Portugal no Top 15 dos países europeus mais desenvolvidos em 2030.

Em maio de 1849 nasceu, no Porto, a AEP – Associação Empresarial de Portugal (antiga Associação Industrial Portuense), com o objetivo de “desenvolver e aperfeiçoar a indústria – instruir e educar as classes laboriosas – introduzir entre nós auxílio mútuo e o melhoramento da condição dos operários – e todas as vantagens legaes que a indústria possa obter de uma tal reunião”.

No início da atividade, abriu as portas da primeira instituição de ensino profissional em
Portugal, a “Escola Industrial Portuense”, tornando-se assim pioneira do ensino técnico oficial, tal como foi pioneira na divulgação técnica e tecnológica, com o lançamento de “O Jornal da Associação Industrial Portuense” e na realização de feiras e exposições industriais. Começou também por se dedicar a outros grandes empreendimentos que ficaram profundamente ligados à história da cidade do Porto e à da indústria portuguesa.

Com uma atitude e ação global, pelo seu âmbito nacional e multissetorial e, mais
recentemente, pelo seu papel enquanto Câmara de Comércio e Indústria, a AEP mantém-se sediada no Norte, na região que é o motor da economia portuguesa, pela sua maior vocação exportadora, origem de cerca de 40% das exportações portuguesas de bens (com uma proporção de bens de alta tecnologia que, apesar de baixa, se tem situado acima da média nacional) e geradora de um excedente comercial, que ultrapassou no ano passado três mil milhões de euros, mas que no ano anterior à pandemia tinha superado os cinco mil milhões de euros, face a um défice do país de cerca de vinte mil milhões de euros. Em consonância com a sua elevada intensidade exportadora e excedente do seu saldo externo, é nesta região que se concentra a maior fatia da indústria (42% do VAB e 48% do emprego do setor industrial).

Estes atributos constituem as principais bases que defendo para a promoção de equilíbrios económicos e sociais mais sustentáveis e que devem ser estimulados à escala nacional.

O ambicioso desígnio estratégico preconizado pelo recente estudo da AEP “Do pré ao pós pandemia: os novos desafios”, de recolocar Portugal no Top 15 dos países europeus mais desenvolvidos em 2030 (em PIB per capita em paridades de poder de compra), que apresentei no dia 3 de maio, por ocasião do 173º aniversário da AEP, e que contou com as presenças do Presidente da República e do ministro da Economia e do Mar, coloca o foco na valorização do papel das empresas e no desbloqueio do seu potencial. Só assim será possível melhorar a composição do PIB e o potencial de crescimento. Nos principais eixos de intervenção está a clara e ampla aposta do país na indústria, que constitui um verdadeiro acelerador transversal do crescimento económico sustentável.

A valorização da indústria e serviços conexos adquire maior relevância no novo enquadramento internacional, vincado pela guerra na Europa, que veio agravar alguns problemas que as empresas e o país já vinham a enfrentar com o impacto da pandemia, como é o caso da disrupção das cadeias de valor globais e da escalada dos custos de produção.

As políticas públicas devem atender ao enquadramento e às propostas que o estudo da AEP apresenta. O duplo caráter (conjuntural e estrutural) das várias medidas propostas requere o bom acolhimento nos instrumentos de curto, médio e longo prazos.
O Orçamento do Estado deve ser um dos instrumentos onde as políticas públicas de apoio ao potencial produtivo devem estar evidenciadas, comprometendo-se com uma aposta forte na competitividade das nossas empresas e da nossa economia e, por essa via, criando melhores condições para termos melhores políticas de apoio social.

Em paralelo com este instrumento de política económica, de curto prazo, devem estar associadas políticas reformistas, priorizando os fundos europeus no apoio à economia,
nomeadamente, reindustrialização, internacionalização, inovação, incorporação nacional, formação, digitalização, ambiente e clima.

Simultaneamente, devem ser eliminadas as fragilidades estruturais e os custos de contexto fortemente penalizadores da produtividade e da competitividade empresarial.

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