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A biotecnologia no auxílio do caminho para a sustentabilidade do setor agro-alimentar

A biotecnologia no auxílio do caminho para a sustentabilidade do setor agro-alimentar

A Agenda 2030 define um conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a ser alcançado por todos os países, até 2030, em prol da paz, da justiça, da igualdade e da sustentabilidade ambiental no planeta.

O rápido e crescente aumento da população mundial levou a uma crescente industrialização, especialmente focada na produção para colmatar a demanda de produtos. Tal fenómeno gerou muitos problemas para outras dimensões nomeadamente a nível ambiental, com o esgotamento de recursos naturais e outros impactos negativos no meio ambiente.

O setor agro-industrial é fundamental para a sociedade e como tal, iniciativas que possam contribuir para a implementação de processos ambientalmente mais sustentáveis são vitais. A água é um recurso natural essencial para a agro-indústria que necessita de elevados volumes deste recurso e consequentemente gera também elevados volumes de aguas residuais. A sustentabilidade deste sector muito depende de uma gestão mais eficiente deste recurso. Além disso, a dependência deste recurso face a sua crescente escassez devido às alterações climáticas que atualmente temos vivenciado constituem um desafio para o setor. Olhar para as águas residuais produzidas como um recurso valioso pode ser um caminho para a sustentabilidade.

A atividade aquícola em instalações localizadas em terra é um exemplo de uma das atividades do sector agro-industrial em que a água é fundamental para a produção. A aquicultura constitui um importante complemento das formas tradicionais de abastecimento de pescado. No entanto, o desenvolvimento desta atividade muito depende de práticas mais sustentáveis.

A ciência abraçou positivamente o desafio dos ODS lançado pelas Nações Unidas e foi neste contexto que surgiu o projeto GReAT, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). O projeto liderado pela Universidade Católica Portuguesa e em parceria com a Universidade de Aveiro desenvolveu um processo de biomassa granular multitrófica capaz de tratar os fluxos de água produzidos na aquicultura marinha, assegurando a produção água de qualidade para reutilização, promovendo o conceito de economia circular.

O uso destes sistemas irá permitir a redução da captação de recursos hídricos necessários para produção, um fator importante perante a crescente escassez de água no planeta terra, mas também trará mais valias em termos económicos. Além disso, a eficiência destes sistemas permite uma proteção do meio ambiente, uma vez que minimiza o possível impacto da descarga destes efluentes nos ecossistemas aquáticos recetores. Há ainda a necessidade de aplicá-los à escala piloto para validar a sua aplicação, mas os resultados obtidos proporcionarão com certeza avanços para enfrentar os desafios globais destacados nas metas da Agenda 2030.

A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990

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