www.jn.ptjn.pt - 15 mai. 12:53

Paytin, o supremacista branco de 18 anos que matou para evitar a ″substituição racial″

Paytin, o supremacista branco de 18 anos que matou para evitar a ″substituição racial″

O autor do ataque armado que vitimou 13 pessoas (11 negras) num supermercado nos Estados Unidos fê-lo motivado por ódio racial, explica num manifesto de 180 páginas onde esmiuçou todos os detalhes de um plano com quatro meses. Pode ser condenado a prisão perpétua.

Orgulhoso defensor da ideologia supremacista branca, fascista e antissemita assumido, admirador de homicidas com móbil racista ou xenófobo. E, não menos desconcertante, com apenas 18 anos. É este o perfil sumário de Paytin Gendron, o jovem que, no sábado, disparou contra 13 pessoas num supermercado na cidade de Buffalo, estado de Nova Iorque, nos EUA, matando pelo menos dez e deixando as outras três feridas, num ataque com "motivações raciais" transmitido em direto na Internet.

Usando roupa de estilo militar, um colete à prova de bala, um capacete, uma câmara e uma espingarda rabiscada com nomes de homens que ficaram marcados na pior parte da História de um país que acumula demasiados ataques armados em massa, Paytin cumpriu um plano que premeditara desde janeiro. No fim, entregou-se à Polícia, acabando detido sem direito a fiança por crimes de homicídio em primeiro grau. Presente a um juiz na terça-feira, pode enfrentar uma condenação a prisão perpétua (não há pena de morte no estado de Nova Iorque).

The Gunman who killed 10 today in a supermarket in Buffalo, New York. Has been identified as Payton Gendron, 18, who lived in New York. Pictures of his AR-15 show numerous writings, which show names of famous mass shooters who have committed attacks against ethnic groups. pic.twitter.com/CE1KqZxlbZ

- SKIPPYwx (@HPJG2020) May 15, 2022

Planeou ataque em manifesto supremacista

As autoridades já tiveram acesso a um manifesto em que o jovem detalhou todos os passos a seguir num plano iniciado há quatro meses - desde a carne enlatada que comeria de manhã até à roupa que usaria no ataque - e em que vomitou uma filosofia racista e supremacista. No documento de 180 páginas, Paytin assumiu que foi "radicalizado" na Internet enquanto estava entediado durante os primeiros dias de isolamento na pandemia, e não por qualquer pessoa que tivesse conhecido pessoalmente.

Por meio da sua "pesquisa", passou a estudar sobre as "baixas taxas de natalidade branca" em todo o mundo - uma "crise" que "acabará por resultar na completa substituição racial e cultural do povo europeu", assim escreveu. E o bicho foi crescendo dentro dele.

Começou a planear o ataque em janeiro e escolheu o supermercado Tops Friendly Market da Jefferson Avenue, na cidade de Buffalo, por ter "o maior percentual de população negra" da região. O jovem - que vive com os pais e os irmãos na localidade de Conklin, no estado de Nova Iorque - teve de conduzir mais de três horas de carro para chegar do local onde vive até ao supermercado onde vitimou 13 pessoas, 11 delas negras (uma das quais o segurança do estabelecimento).

Percurso percorrido pelo atacante desde casa até ao supermercado

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