observador.ptobservador.pt - 15 mai. 10:58

O samba, o novo disco e o regresso a Portugal de Martinho da Vila. “Continuar a ser útil depois de morrer é o meu sentido de vida”

O samba, o novo disco e o regresso a Portugal de Martinho da Vila. “Continuar a ser útil depois de morrer é o meu sentido de vida”

De regresso a Portugal para cinco concertos, Martinho da Vila fala do novo disco, “Mistura Homogénea”, do futuro do samba, dos 84 anos que teima em não sentir e de como gostaria de ser lembrado.

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De T-shirt vestida, chinelo no pé e com um baralho de cartas na mão – gosta de jogar paciência quando não está a trabalhar — Martinho da Vila manda calar a cadela antes de começar esta entrevista. Fala-nos de sua casa, no Rio de Janeiro, dias antes de iniciar uma digressão pela Europa que passará por Faro, Londres, Porto, Lisboa, Braga, Coimbra, Berlim e Paris. Na bagagem levará Mistura Homogénea, o seu mais recente trabalho, um disco onde mistura vários estilos musicais, do samba ao rap, e canta-os com os filhos e amigos de longa data, como Zeca Pagodinho, Teresa Cristina ou Djonga.

De sorriso aberto, uma das suas principais imagens de marca, recorda como começou na música por acaso. Em 1967 participa como compositor num festival da TV Record, o interprete falta e à última da hora é mesmo Martinho que sobe ao palco para cantar “Menina e Moça”. “Nunca pensei em ser artista”, confessa. A editora convence-o a ser cantor, dois anos depois lança o seu primeiro disco, Casa de Bamba, e a partir daí nunca mais parou. “Geralmente quem pensa ou deseja em ser um artista tem alguém como meta, um ícone, um exemplo, uma referência, eu não tinha isso. Tive que me virar, fiz do meu jeito, cheguei diferente e deu certo.”

Nos anos 70, Martinho da Vila leva o samba, ainda muito descriminado, para a MPB, numa altura que ainda ninguém o tinha feito. Graças a isso, hoje as suas canções confundem-se com a história da música brasileira e deixam uma marca incontornável. A sua base continuou a ser o samba, sempre o samba, e não tem dúvidas de que depois de si outros continuarão a cantá-lo, no palco e nas ruas. “Há futuro para o samba, com certeza, aqui no Brasil há muitos grupos jovens que cantam samba em cada esquina, eles garantem os próximos tempos. Eu cresci também assim, ouvindo coisas e misturando tudo.”

O povo é quem mais ordena e o povo gosta de Martinho da Vila

Atento ao talento das novas gerações, o cantor e compositor garante que ainda é necessário escrever letras sobre o racismo, a tolerância ou a empatia. Rejeita o rótulo de machista e defende que a poesia e a música não servem para serem analisadas ou criticadas, apenas sentidas.

Martinho é um otimista convicto, acredita que só assim poderá mudar os outros e, consequentemente, o mundo. Fala da amiga Elza Soares, das eleições do Brasil em outubro, da sopa e da música pimba portuguesas e da vontade de estudar relações internacionais na faculdade. Aos 84 anos diz não sentir o peso da idade nem o medo da morte, sente que ainda tem muito para fazer e assegura que o segredo para a felicidade, pelo menos a sua, é mesmo levar a vida devagar, devagarinho.

Fez 84 anos em fevereiro, desfilou no Carnaval como protagonista no enredo da sua escola de samba, Vila Isabel, está a lançar o seu 51.º disco e o seu 19.º livro. Não se sente cansado? De onde vem tanta disposição?
Não, eu levo tudo numa boa, vou deixando as coisas acontecerem, vou caminhando. Não faço muitos projetos futuros, gosto de trabalhar com as coisas mais próximas possíveis e tudo vai acontecendo naturalmente. Nessa brincadeira, já estou no ativo há muitos anos. A minha energia vem muito do que eu gosto de fazer, quando você faz um trabalho que gosta não se cansa muito, eu termino uma coisa sempre querendo fazer mais. Por exemplo, fazer show é algo que gosto bastante, o palco é um lugar onde eu me sinto bem, troco energias com as pessoas, me emociono, me divirto, é mesmo onde exerço o meu ofício. Tudo isso me dá ânimo e vontade de continuar.

Ainda fica nervoso quando sobe ao palco?
Não sou muito de ficar nervoso, acho que consigo dominar bem as minhas emoções e todas as tensões à minha volta. Só fico mais apreensivo quando não sei se as coisas estão bem no palco, mas como normalmente vou com bons músicos, uma boa equipa de som, isso não acontece. Tento sempre de ir antes, faço uma testada e vejo que está tudo direitinho, aí eu relaxo e vou tranquilo. Se eu não souber se as coisas estão bem, já vou com receio, no palco quem tem que resolver problema é sempre o artista.

Diz que o seu segredo é levar a vida devagar. Como é que torna isso possível num mundo tão rápido como o que vivemos hoje?
Acho que consigo travar um pouco o tempo. O que faz a vida acelerar muito atualmente é o telemóvel, eu uso ele muito pouco, não tenho whatsapp nem redes sociais, quando me perguntam o número para isso dou o da minha mulher ou da secretária. Fazendo as coisas devagar, você consegue fazer mais coisas, eu acredito isso. Também é muito bom não tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo, por exemplo, quando estou fazendo um disco, a minha vida é o disco, quando faço show, me foco só naquele momento. Se me perguntarem sobre outra coisa, eu não estou nem sabendo responder.

Estudou química, chegou inclusive a trabalhar nessa área, e depois passou pela guerra como militar. Como é que a música chegou até a si? Ou ela sempre esteve presente?
Comecei na música por acaso, nunca pensei em ser artista ou propriamente um cantor. No final dos anos 60, mais precisamente em 1967, participei num festival de música porque gostava muito de compor e criar coisas novas. Mandei uma música, ela foi classificada, mas o interprete, o Jamelão, cantor muito famoso na época, teve que viajar e acabei por ser eu a defender a música no palco. A gravadora gostou e me convidou para ser cantor. Quando eles me chamaram lá, pensei que alguma cantora queria gravar um tema meu, até levei algumas letras comigo, mas aí me fizeram essa proposta e eu falei logo que não queria ser cantor. Acabaram por me convencer, gravei o primeiro disco, Casa de Bamba, e estou aqui até hoje. Geralmente quem pensa ou deseja em ser um artista tem alguém como meta, um ícone, um exemplo, uma referência, eu não tinha isso. Tive que me virar, fiz do meu jeito, cheguei diferente e deu certo.

Nos anos 70 levou o samba para a MPB numa altura em tudo era muito setorizado e engavetado. A sua base continuou a ser sempre o samba, acha que há futuro para ele depois de Martinho da Vila?
O Nelson Sargento dizia: “o samba agoniza, mas não morre”. Há futuro para o samba, com certeza. Aqui no Brasil vejo muitos grupos jovens que cantam samba em cada esquina, eles garantem os próximos tempos. Eu também cresci assim, ouvindo coisas e misturando tudo. Há uma geração que me segue muito, que até de outras áreas da música. Lembro-me, por exemplo, de um cantor que já morreu, o Chorão. Fui fazer um show numa cidade e me encontrei com ele no restaurante, ele se aproximou de mim e disse: “quando eu comecei, queria fazer igual a você”. Veja bem, ele cantava a música dele, muito diferente da minha, mas usando o meu jeito de estar no palco, isso é extraordinário. Eu me aproximo muito das novas gerações, estou atento ao que elas fazem porque o segredo da jovialidade é conviver com a juventude. Os amigos dos meus filhos são todos meu colegas, a gente troca energia, experiências, vivências, isso é bom, é muito bom. Eu já tenho essa idade toda, mas quando passo na rua todos me chamam “Oi Martinho”, “Oi da Vila”, “Oi devagar”, quando alguém diz “Oi, senhor Martinho. Como vai?”, eu estranho e nem olho.

Mistura Homogénea é um disco que mistura samba, rap, xotes e música romântica. De onde veio essa vontade de mesclar tudo isto?
Penso que já vem dos tempos da química, sou muito influenciado pelo meio. Fiquei pensado nas diferenças que existem ainda entre as pessoas e comecei a trabalhar nisso, até que fiz uma faixa chamada “Oração Alegre”, onde juntei representantes de várias religiões cantando, incluindo um rabino. Cantar a religião desta forma é algo praticamente inédito, misturar samba com rap também não é comum, juntando a poesia com a música parece que a coisa fica mais verdadeira, mais declamada. Este disco está cheio de novidades e gosto sempre de fazer uma coisa diferente, aliás, quando estou a gravar não escuto nenhum outro disco meu antigo, não escuto a música de ninguém. A gente acaba por ser sempre influenciado, mesmo sem querer, e isso não pode nem deve acontecer.

Neste trabalho, além dos seus filhos, canta também com Zeca Pagodinho, Teresa Cristina ou Hamilton de Holanda. Fez muitos amigos durante a vida e a sua carreira?
Sem dúvida. É muito bom cantar com eles e trocar energias. Fiz tudo com muito prazer, eles também gostaram, senti isso.

Elza Soares seria um nome que convidaria para este disco?
Com certeza, sabe que conheci a Elza muito antes de ela virar uma estrela. Eu pertencia a uma de escola de samba e organizava uns bailes aos domingos ao fim da tarde com um grupo de músicos locais e convidava alguns pequenos cantores para irem lá. Um dia um amigo meu e dela disse para chamarmos a Elza Soares, eu disse que não dava, que ela já era uma estrela muito grande, mas ele lá falou com ela e Elza disse que sim. Todo o mundo se aprontou, botou a roupa da missa e veio esperar por ela. O tempo foi passando e ela nunca mais chegava, as pessoas iam me perguntando e eu dizia que ela não tinha obrigação nenhuma de vir. Até que ela chega, me cumprimenta, sobe o palco e canta muito. Foi uma maravilha, um alvoroço.

Tal como no álbum anterior, neste também fala do racismo no tema “Vidas Negras Importam”. Ainda faz sentido falar de assuntos como este?
Infelizmente ainda é necessário falar, mas tem que se falar, não de uma maneira combativa, mas de uma forma que consigamos conquistar as pessoas. Quando eu conheço uma pessoa que tem uma tendência discriminatória, eu não me afasto dela, eu procuro me aproximar, trazer ela para o meu meio que aí ela muda um pouquinho. Nelson Mandela dizia que ninguém nasce racista, eu acredito nisso, o racismo é uma doença, mas tem cura. Aqui no Brasil temos a cidade baixa, das ruas, e a cidade alta, que são as favelas, tudo aqui tem contrastes. Muita gente pensa que nas favelas só mora gente ruim, gente que não presta, e se alguém pensa assim eu não combato, mas dou um jeito de o convidar a subir a favela comigo. Quando chegar lá, verá que não é bem assim e aí ele muda. Nós podemos mudar as pessoas, ninguém nasce racista, as pessoas aprendem durante a vida com o racismo estrutural que existe, mas quem aprende a ser racista também pode aprender a amar o próximo.

Essa não é uma visão demasiado otimista da humanidade?
Ser otimista pode não ser muito bem visto, mas foram os otimistas que mudaram o mundo. Os pessimistas não fazem nada, quando têm de lutar para vencer pensam que não vai dar e aí não dá mesmo.

O Brasil terá eleições em outubro, o que acha que vai acontecer e o que gostaria que acontecesse?
Acho que com a informação que existe, as gerações mais novas podem mudar o rumo do Brasil, não com conselhos, mas com exemplos, de vida, de democracia, de alegria, de compreensão e entendimento.

Já assumiu que vai votar Lula, o que é urgente mudar no país?
O mais urgente é mudar o presidente, depois disso tem muita coisa para mudar. Na cultura, por exemplo, temos de trazer de volta o ministério da cultura, é importante ter um ministro inserido no governo que pode defender a sua classe, as suas necessidades e as suas ideias. O incentivo à cultura também caiu muito, os grandes empresários brasileiros não sabem a importância de os seus projetos estarem relacionados com a cultura, eles pensam que estão sempre nos ajudando, mas eles não estão fazendo favores, estão trocando porque também podem ganhar algo. É preciso mudar a cabeça de muita gente e isso pode levar muito tempo.

Em janeiro Chico Buarque disse que nunca mais cantará “Com Açúcar, Com Afeto” por considerar a sua letra machista. Em Portugal a sua canção mais conhecida é “Mulheres” e muitos consideram-na machista. Sente que o seu reportório também precisa de uma revisão?
Penso que não. Há músicas que no tempo em que foram escritas não foram vistas de uma maneira prejudicial ou machista, mas numa outra época elas podem ser consideradas assim e há decida que é melhor não as cantar. Na minha opinião, se a música foi feita assim tenho de mostrá-la aos outros como ela é. A música e a poesia não são para serem analisadas ou criticadas, são para serem sentidas, o importante é sempre o que elas passam. A música “Mulheres” não é machista, é exatamente o contrário, é uma declaração de amor à pessoa que ele encontrou e viveu procurando a vida inteira. Quando ouvimos uma música, se gostamos dela repetimos, se não gostamos não ouvimos mais, é simples. Se a letra for demasiado agressiva ou racista não é legal, mas o resto tudo bem. Vou continuar a cantar tudo e tudo o que me pedirem para cantar.

Que imagem é que acha que as pessoas têm de si?
Sinto que o povo acha que eu sou menino, me chamam para fazer coisas e eu já tenho uma certa idade, mas tudo bem. Este ano desfilei no Carnaval na frente da escola, depois fui lá para trás e desfilei de novo, fiz a avenida duas vezes, por isso é que as pessoas acham que sou igual a todo o mundo. Com 75 anos fui para a faculdade do Rio de Janeiro estudar relações internacionais, queria saber mais sobre o assunto em termos históricos, a turma era quase toda jovem e eles não me tratavam com nenhuma distância, era uma beleza. Perguntavam: “Martinho no fim da aula vamos beber um chope?”. E eu ia. Não sinto mesmo o peso da idade, sei que talvez um dia isso vai chegar. Atenção que eu disse talvez.

Nunca teve um susto de saúde?
Já tive vários problemas de saúde, mas nunca me assustei com eles.

Não tem medo de morrer?
Não tenho medo de nada, nem mesmo da morte. Sabe porquê? Porque já vivi bastante. Não receio o diabo chifrudo nem Deus. A religião diz que temos de temer a Deus, então se eu tenho que temer é porque ele é uma pessoa má. Não podemos ter medo de uma coisa que é certa, que vai mesmo acontecer. Você pode temer algo que pode controlar, que se pode livrar, mas com a morte não existe isso, então é deixar andar. Depois também não sei o que acontece depois da morte, ninguém sabe.

O que gostava que acontecesse?
Gostava de ir e voltar. Voltar uma flor, uma planta, um ponto de luz, uma estrela, uma nuvem, sei lá. Isso é que era bom.

Do que tem mais saudades?
Sinto saudade de umas coisas, mas não quero que elas voltem. Por exemplo, tenho saudades daquele tempo em que morava na Boca do Mato, da escola de samba, dos meus colegas do morro, mas não quero voltar lá. A saudade é uma coisa que em mim dá e passa. O tempo já é outro, eu sou outro e a fila anda.

O que gosta de fazer quando não está a trabalhar?
Fico jogando paciência, jogo xadrez no computador e o computador joga muito bem. Depois fico ouvindo música, mas não escuto muito música normal.

Como assim?
Mais instrumentais, música folclórica e nordestina. Se ponho música portuguesa, gosto de ouvir aquelas coisas que vocês chamam de pimba, aquilo é muito bom. Gosto de fado, mas gosto mais das desgarradas, das letras improvisadas.

Gosta de sol, da praia, e de comer?
A culinária portuguesa é a melhor que existe.

Melhor que a brasileira?
Ela influenciou muito a nossa, nós temos uma variedade muito maior, mas eu adoro as sopas portuguesas. Gosto muito de chegar a um restaurante e vir primeiro um pedaço de pão, a manteiga, depois o azeite e aí o empregado pergunta: “quer uma sopinha?”. Isso já é como um abraço para mim.

Está prestes a regressar a Portugal para uma série de concertos, o que não pode mesmo faltar na sua mala?
Livros. Agora estou relendo uns contos de Machado de Assis, deverei levar esse na mala.

Costumar ler várias vezes o mesmo livro?
Sim, é sempre diferente, parece que a gente vai descobrindo umas nuances que não percebemos na primeira vez. Todo o livro que a gente gosta deve ser lido mais do que uma vez, quase como acontece com as músicas.

Tem oito filhos e uma família grande, gosta mais de estar sozinho ou rodeado de gente?
Tem hora para tudo, mas para escrever e criar prefiro estar sozinho para cantar e falar comigo mesmo. Tenho a mania de levar papos comigo mesmo, é muito bom. Acordo e digo: “então Martinho, o que vai fazer hoje?” e só depois me levanto.

Ao fim de 55 anos de carreira, o que ainda o motiva a fazer mais músicas e a dar mais concertos?
Sempre falo que vou dar um tempo, que já fiz muita coisa, que vou passar uns anos sem fazer discos, principalmente agora que o disco físico já não se usa mais. Aí me surge uma ideia boa, vou lá e faço. Acredito que se você tiver uma ideia para realizar uma coisa e tiver condições para fazer isso, você tem que fazer, caso contrário é uma covardia. Na pandemia, por exemplo, escrevi muito, até que lancei um livro, Contos Sensuais e Algo Mais. Tinha umas coisas escritas soltas, recolhi-as e fui fazendo outras, então acabou por ficar um livro bem gordinho.

O que ainda lhe falta fazer?
Não sei o que me falta realmente fazer, mas tenho a certeza que falta alguma coisa. Não sei exatamente o que vou fazer, mas pode acreditar que eu ainda vou fazer muita coisa. Quem se realiza e se sente realizado já pode morrer e eu não estou a fim de morrer não.

Como gostaria de ser lembrado?
Quero ser recordado como uma referência para os mais jovens, mas para ser uma referência tenho de fazer coisas boas e isso me dá uma responsabilidade danada em tudo o que faço. Continuar a ser útil depois de morrer é o meu sentido de vida, é um pouco ambicioso, eu sei, mas é a verdade.

Não sente que já é uma referência?
Por vezes as pessoas dizem isso, mas penso que ainda tenho de fazer muita coisa para ser uma boa referência.

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