www.publico.ptpublico.pt - 14 mai. 05:20

Cartas ao director

Cartas ao director

Insólito desfecho

Sabíamos que, honestamente, o crime não compensa, mas poderá derivar para o crime nem sempre compensa. O melhor é vivermos de consciência tranquila, de modo a vivermos santamente, sem pesos por de mais incomportáveis na vida de cada um.

Mas, como a ganância é adversa da rectidão, tudo pode acontecer imprevistamente, a menos que o castigo venha a pôr cobro ao crime praticado. Com isto, queremos dizer que lamentamos profundamente a morte do concidadão refractário João Rendeiro, o qual, desde Dezembro de 2021, se encontrava preso na África do Sul.

Paz à sua alma, já que em vida foi um igual a tantos ladrões que vagueiam pelo mundo para a desgraça de muita gente.

José Amaral, Vila Nova de Gaia

João Rendeiro

A morte de João Rendeiro mostra a falência do sistema de justiça português. 48 anos após o 25 de Abril não há quem tenha a coragem de avançar com a reforma do código penal. São tantas as possibilidades legais de adiar julgamentos através de recursos em processo penal que a morte pode chegar antes da barra dos tribunais. Os atrasos na justiça penal envergonham Portugal. É vergonhoso que José Sócrates, Ricardo Salgado e outros aguardem anos para verem as suas vidas judicialmente clarificadas É aceitável que os herdeiros herdem as dívidas de João Rendeiro? Espero que o “bullying” jurídico que está a desgastar Ricardo Salgado não seja a sua sentença.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

A morte do banqueiro

Muita tinta irá correr sobre a morte do ex-banqueiro, muita, mas uma coisa é certa, o processo, face à sua morte “extingue-se”, e serão os seus herdeiros os responsáveis pelos seus crimes. No fundo, o que faz uma tremenda confusão era o ex-banqueiro estar acompanhado de cerca de 50 reclusos, numa cela! Uma pequena nota final: e os lesados, clientes do banco do qual João Rendeiro foi administrador?

Tomaz Albuquerque, Lisboa

Fechar o Metro

A rotina que se instalou de greves parciais ou totais dos trabalhadores do Metro de Lisboa, levou a que ao longo dos anos os passageiros habituados a pagar e a não disporem do serviço que pagaram arranjaram formas diversas para irem trabalhar, estudar, ao médico. Portanto estão criadas as condições para que o Metro feche as portas, poupando os funcionários do incómodo de irem trabalhar nos intervalos das greves, evitando-se o desgaste do material circulante e a poluição sonora, reduzindo-se o lixo nas estações. Porém mantendo-se a justa remuneração e aumentos salariais de todos os que o Metro envolve.

As vantagens para os cidadãos privados do Metro é relevante em matéria de saúde: skate, bicicleta, patins, trotinete e pezinhos. E mesmo que chova em todas as situações é possível acrescentar uma cobertura. Finalmente os passageiros escusam de fantasiar que todos os dias até se deslocarão para o trabalho de Metro. Pode criar danos mentais que só o recurso a psiquiatra corrige. Mãos ao encerramento do Metro.

Aristides Teixeira, Almada

Prefiro o relativo...

Ou seja: prefiro a social-democracia. Esta é a minha resposta “curta e grossa” e, curiosamente, similar ao defendido(?) por Carmo Afonso (C.A.) na sua crónica de ontem, "Um relativo bem-estar". Só aparentemente, claro, pois C.A. não deixa os seus créditos por mãos alheias e, bem lida, deixa sempre pistas das suas opções ideológicas. No texto referido - aliás muito bem escrito e que eu assinaria por baixo, se... - disseca eximiamente as diferenças entre esquerda e direita e é incisiva sobre os que dizem que não são duma nem doutra pois... “só lhes interessam as pessoas” (curiosamente o que diz, no mesmo dia, Igor Khashin, o homem pró Putin que andou a “acolher” ucranianos em Setúbal...). Dizia eu, “se”, pois há um pedaço da prosa de C.A. que lhe trai o pensamento. É ele: “O liberalismo falhou quando foi tentado na sua forma mais livre e os modelos esquerdistas convencionais também não deveriam encher ninguém de orgulho.” Entre o “falhou” e o “não deve” vai todo um programa ideológico... Eu diria ao contrário: o liberalismo não deve encher de orgulho... e os modelos esquerdistas falharam...

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

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