observador.ptObservador - 15 mai. 00:04

Residentes ou nem por isso

Residentes ou nem por isso

Para quem não viva na cidade onde o filho vai estudar, ter de suportar os custos de residência irá impedir o acesso de muitos jovens ao ensino superior.

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Um curso superior não deve ser entendido como um custo, mas como um investimento. Devia, aliás, ser O investimento da vida, ou pelo menos O investimento antes dos 30. Mas, como todos os investimentos, tem custos, das propinas, à alimentação, ao material de apoio (como um portátil) e à residência. Presentemente o maior custo é a residência. A escassez de oferta e a concorrência com soluções aparentemente mais rentáveis para os investidores tem feito crescer exponencialmente o preço dos quartos para estudantes. Lisboa lidera os valores, com quartos a serem comercializados até os 600,00 euros de renda mensal.

Num país onde o rendimento médio das famílias era, em 2020, de 34 952,00 euros e o vencimento médio de 1042,00 euros, para quem não viva na cidade onde o filho vai estudar, ter de suportar estes custos irá impedir o acesso de muitos jovens ao ensino superior.

O governo lançou um programa para duplicar o número de camas, de oferta pública, em dois anos. Contudo, apesar de ser um (bom) caminho, é insuficiente. Estando mais de 400 000 alunos inscritos, 30 000 camas não chega a 10% das necessidades.

Importa assim chamar investidores ao mercado. Tanto institucionais (bancos, fundos de investimento, misericórdias, autarquias, cooperativas de habitação), como privados puros.

Tendo por base o valor de 35 000,00 euros/cama, uma residência com 120 camas (economia de escala), teria um custo de 4,2 milhões de euros. A rentabilidade dos capitais a 8% (valor “exigido” pelos fundos) dá um valor de cama/mês de 233,00 euros. Mesmo considerando o custo de exploração, se for optimizado, consegue-se um valor interessante para os dois lados, para o investidor e para o arrendatário (aluno)

À rentabilidade pura podem (devem) ser acrescidas outras benesses para os investidores se interessarem, da disponibilização dos terrenos em direito de superfície à redução dos impostos e taxas (do IMI às taxas de construção e mesmo ao IRC) atendendo ao valor social do investimento.

Finalmente o crescimento do número de alunos ao longo dos anos é uma garantia do futuro deste investimento.

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