visao.sapo.ptsvicente - 13 mai. 19:28

Visão | Os caminhos dos peregrinos

Visão | Os caminhos dos peregrinos

A escritora Alice Vieira escreve, com Nelson Mateus, um diário sobre as suas recordações e sobre as memórias entre as diferentes gerações. O Diário de uma Avó e de um Neto, um projeto do site Retratos Contados
Querida avó,

Hoje celebra-se mais um 13 de maio.

Nos últimos dois anos as cerimónias fizeram-se particamente sem peregrinos.

Este ano são milhares de peregrinos que voltam a Fátima.

As enchentes serão como nos anos anteriores à pandemia.

Ao contrário de muitas peregrinações que são feitas debaixo de dilúvios, a deste ano foi feita com um calor abrasador.

O Milagre do Sol aconteceu na Cova da Iria, perto de Fátima (já lá vão 105 anos). Este milagre só foi oficialmente aceite como milagre pela igreja católica 13 anos depois.

Os Três Pastorinhos entraram para a história da humanidade graças aos acontecimentos que testemunharam quando crianças. Durante um dia igual a tantos outros, avistaram a Virgem Maria. Para eles, a partir do dia 13 de maio de 1917, a vida nunca mais foi a mesma.

Na época houve muita gente que duvidou dos relatos das crianças, que acabaram sendo caluniados e até perseguidos pela população descrente. A coragem e a fé dos Pastorinhos permitiu-lhes suportarem tudo corajosamente!

Os irmãos Francisco e Jacinta tiveram uma vida muito breve. Em 2017, nas comemorações do centenário das aparições, o Papa Francisco canonizou-os.

Lúcia, a mais velha dos Pastorinhos, foi a única dos três primos que falava com a Virgem Maria. Como tal, foi a portadora do Segredos de Fátima. Conhecida como Irmã Lúcia, viveu até aos 97 anos uma vida dedicada à Fé e à Oração.

A sua prima Jacinta ouvia mas não falava e Francisco, inicialmente, apenas ouvia as palavras de Nossa Senhora.

Não sei se o Milagre do Sol existiu ou não. O que sei é que a energia que se vive no Santuário de Fátima é única!

Já alguma vez foste a pé a Fátima?

A pé nunca fui, mas confesso-te que um ano gostaria de ir.

Queres vir?

Espero que que tenhas um fim de semana repleto de luz e paz.

Bjs

Querido neto

Vamos lá então ao 13 de Maio, mas se calhar visto de outra maneira.

Já fui várias vezes a Fátima—porque as escolas me convidam muito para lá ir, e também porque lá mora o meu querido amigo Frei Lopes Morgado (até nos tratamos por primos), que dirige a Revista Bíblica, é um bom poeta, e ainda tem mais presépios do que eu…

Lembro-me de ir um dia a uma escola de Fátima com uma funcionária da Leya, que me levava de carro. A sessão tinha corrido muito bem, mas acabara cedo. Ao entrarmos no carro, ela perguntou-me se eu não me importava de passar pelo Santuário, porque ela tinha feito uma promessa e nunca mais a cumprira.

E lá fomos.

A igreja do Santuário estava vazia, tinha tido obras recentemente, o interior com as filas de lugares todos de madeira em círculo, bonito mesmo.

Ainda não nos tínhamos sentado há cinco minutos já ela se levantava: “Vamos embora!”

Nunca tinha visto uma promessa ser paga em tão pouco tempo e estranhei: “Que foi?”

E ela: “Não me consigo concentrar!”

“Porquê?”

“Olha… Porque tudo me cheira ao IKEA!”

De cada vez que me falam de idas a Fátima, lembro-me sempre disso, embora hoje—espero—o cheiro já deva ter passado.

Nunca tive vontade de ir em peregrinação a Fátima—mas admiro muito os que conseguem. E adorei uma série chamada Caminhos de Fátima, realizada pelo João Canijo, com a Rita Blanco e muitas outras atrizes. Se não viste, vê se a consegues apanhar.

Quanto a mim, ainda tenho esta ideia de um dia fazer o “Caminho de Santiago”. Eu era criança e passava sempre as férias no hotel da D. Clara, em Mondariz, uma aldeia na Galiza onde o meu tio gostava muito de estar, porque tinha lá um grande amigo galego (tio do Eládio Clímaco, e por isso nos conhecemos desde miúdos). E lembro-me muito bem de ver chegar grupos de mulheres, apoiadas a um cajado, que iam a caminho de Santiago. Eu ficava fascinada com o que elas contavam.

Talvez ainda me arrisque algum dia e tu vens com a avó!

Bjs

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.

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