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Pilotos da TAP rejeitam proposta que consideram ″ofensa à dignidade coletiva″

Pilotos da TAP rejeitam proposta que consideram ″ofensa à dignidade coletiva″

Os pilotos rejeitaram a proposta da TAP, que previa a suspensão imediata do corte adicional de 20% nas remunerações em contrapartida da flexibilização de folgas, considerando-a uma "ofensa à dignidade coletiva", adiantou o SPAC.

"O número de folgas após voos de longo curso está regulamentado por uma fórmula que resulta de estudos científicos sobre estes efeitos nefastos, considerando os pilotos que esta redução compromete a longo prazo a segurança de voo, quando prolongada no tempo", apontou, em comunicado, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC).

A estrutural sindical precisou que a proposta prevê a redução do número mínimo de folgas mensais para nove dias, nos meses de maior operação, quando as congéneres europeias, "com 'rankings' piores em segurança, apresentam entre 11 e 13 dias de folga, com mínimos mensais".

Em simultâneo, os pilotos "ilegalmente despedidos e readmitidos por ordem judicial" permanecem sem trabalho atribuído.

"Desta clara contradição, e pela ofensa à dignidade coletiva, os pilotos rejeitaram, por quase unanimidade, a proposta e não pretendem realizar trabalho em dias de folga ou férias enquanto a TAP mantiver as contradições existentes", referiu.

No total, 98,87% dos quase 900 pilotos que participaram na assembleia da empresa, que se realizou hoje em Lisboa, chumbaram a proposta.

O sindicato disse ainda ter apresentado à administração da TAP propostas com "soluções objetivas", embora nenhuma tenha sido "tida em consideração".

A TAP propôs esta semana aos pilotos a suspensão imediata do corte adicional de 20% que têm nas remunerações, de 45% para 25%, tendo como contrapartida a flexibilização de folgas nos meses de pico de operação.

De acordo com a proposta de negociação apresentada ao SPAC, a que a Lusa teve acesso, a administração da TAP propõe a "suspensão imediata" do corte adicional (20% à data) em todas as parcelas sujeitas a esse corte, passando assim os pilotos a ter a mesma redução dos restantes trabalhadores da companhia (com vencimentos acima de 1.330 euros), que foi negociada no âmbito do processo de reestruturação acordado com Bruxelas.

Segundo a proposta, o trabalho extraordinário a partir de junho também terá um corte de 25%, contra a redução em vigor de 45%, e o tempo de trabalho em dias de folga ou de férias terá uma majoração de 25%.

Além disso, o acordo proposto prevê o pagamento integral do subsídio complementar de refeições em serviço (designado subsídio de aterragem) e a "regularização do pagamento indevido das aterragens desde o início do Acordo Temporário de Emergência, que será feito de forma parcelada em 12 vezes a partir de junho".

Em contrapartida, é proposta a retirada de um dia de folga ao resultante da fórmula de esforço, quando este for igual ou superior a quatro, bem como a redução de um dia de folga planeada em cada mês de pico de operação (junho, julho, agosto e dezembro), sendo que "qualquer dia de folga retirado neste contexto será devolvido nos restantes meses (não pico de operação) e até março do ano seguinte".

Esta revisão não altera, no entanto, "o número mínimo de folgas anual de 130 folgas por piloto".

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