jornaleconomico.ptAna Pina - 13 mai. 00:10

Os efeitos da variante chinesa

Os efeitos da variante chinesa

Especialistas ligados ao setor estimam que este verão seja o período mais crítico em termos logísticos, na sequência do colapso criado pelas restrições extremas impostas contra a Covid na China.

Enquanto a maior parte dos analistas permanece naturalmente virada para os efeitos na economia provocados pela guerra na Ucrânia, um acontecimento de proporções mundiais ameaça provocar uma ainda maior disrupção na cadeia mundial de abastecimento.

Trata-se do colapso do setor portuário chinês, afetado pelas novas medidas da China para conter os novos surtos do coronavírus e que estão a arrastar o transporte marítimo para uma nova crise comercial global, como alertava esta semana Francisco S. Jiménez no jornal “El Economista”.

Embora o impacto já seja sentido na demora das ligações entre a Ásia e os restantes continentes, com os atrasos a replicar os níveis dos piores dias de 2021 e que ultrapassam já os 120 dias de transporte entre a China e a Europa, os especialistas ligados ao setor apontam para que seja este verão o período em que ainda mais se farão sentir os problemas logísticos, derivados da situação de colapso criada pelas restrições extremas impostas contra a Covid-19 no país asiático.

Obviamente, quase desnecessário será dizê-lo, esta situação levará previsivelmente a um novo aumento de preços derivado da escassez de diversos bens no mercado, fazendo com que a inflação – que crescerá 5,5% nos países avançados e 9,1% nos países emergentes em 2022 – se instale ainda com maior vigor.

No final de abril, recorde-se, altos responsáveis do FMI alertaram que a questão inflacionária será mais sentida nas economias onde a energia e os alimentos pesam muito no cabaz de consumo, como sucede em Portugal onde a inflação chegou aos 7,2% no mês passado, de acordo com os números do INE.

Para minorar os efeitos desta situação, e como adverte o FMI: “Enquanto grande parte da pressão está a ser exercida por forças fora do controlo dos bancos centrais, os decisores da política monetária devem continuar a normalizar as condições de crédito para ajudar a conter a inflação”. Sendo que os responsáveis recomendam ainda que os governos trabalhem em conjunto com os parceiros sociais e não esqueçam o apoio às famílias e às empresas, para mais numa altura em que está pré-anunciado o aumento das taxas de juro, para o qual já aqui tinha alertado.

De todos estes fatores citados acima, decorre que deverão ser levados ainda mais em atenção os alertas emitidos pelo Conselho das Finanças Públicas na sua análise ao Orçamento do Estado para 2022, apontando para os diversos fatores de incerteza.

Ou seja, podemos estar certos de que – interna como externamente – os próximos tempos serão particularmente difíceis e que, enquanto o mundo se reconfigura económica e geopoliticamente, várias convulsões ainda teremos pela frente.

Isabel Mota, a primeira mulher a liderar a Fundação Gulbenkian.

Isabel Mota terminou o seu mandato como presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. Será substituída pelo catedrático António Feijó e deixa um legado onde à Cultura se aliaram parcerias de referência também nas áreas da Ciência e do Apoio Social. O seu sucessor terá certamente um caminho facilitado para prosseguir a missão desta instituição de referência em Portugal.  

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