observador.ptobservador.pt - 15 jan. 01:24

Justiça dos EUA condena ex-FARC a pagar 36 milhões de dólares pelo sequestro de Ingrid Betancourt

Justiça dos EUA condena ex-FARC a pagar 36 milhões de dólares pelo sequestro de Ingrid Betancourt

O filho de Ingrid Betancourt, Lawrence Delloye, tem direito a uma indemnização de 12 milhões de dólares e que será triplicada com os custos do processo e dos advogados.

A justiça norte-americana condenou a antiga guerrilha colombiana das FARC ao pagamento de 36 milhões de dólares (31,4 milhões de euros) em compensação pelo sequestro da franco-colombiana Ingrid Betancourt, indicaram esta sexta-feira fontes judiciais.

Na sequência de uma decisão de um tribunal federal da Pensilvânia de 4 de janeiro, divulgada na quinta-feira, Lawrence Delloye – também designado por Lorenzo, filho de Betancourt nascido em 1988 da sua primeira união com o francês Fabrice Delloye – “tem direito a uma indemnização de 12 milhões de dólares e que será triplicada com os custos do processo e dos advogados”.

Num outro comunicado, os advogados norte-americanos de Delloye, do gabinete Scarinci Hollenbeck, indicaram que o valor total decidido pelo juiz da Pensilvânia Matthew Brann se elevava a “mais de 36 milhões de dólares”.

O filho de Ingrid Betancourt também possui nacionalidade norte-americana e em junho de 2018 avançou com um processo contra 14 antigos responsáveis das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) ao recorrer a uma lei federal antiterrorista (Antiterrorism Act, ATA), e onde acusa a rebelião de “violação” desta legislação extraterritorial.

Segundo o tribunal, o sequestro da mãe também provocou em Delloye “uma enorme angústia emocional”.

Betancourt, com 60 anos, foi raptada pelas FARC em 23 de fevereiro de 2002 durante a campanha presidencial, antes de ser libertada pelo exército seis anos mais tarde, em 02 de julho de 2008.

Após se instalar em Paris com os seus dois filhos Mélanie e Lorenzo “não foi fácil para [Lorenzo] Delloye retomar o contacto com a mãe. Continua a sofrer de angústias emocionais”, sublinhou o juiz norte-americano ao justificar a decisão.

A antiga senadora franco-colombiana exigiu durante anos uma indemnização pelos danos psicológicos motivados pelo seu longo cativeiro.

Em 2016, um acordo de paz histórico entre o Governo de Bogotá e as FARC tornou a formação guerrilheira num partido político legal e reduziu consideravelmente a violência, apesar de numerosos grupos armados prosseguirem em atividade no país, incluindo dissidentes desta organização.

Em novembro passado o Departamento de Estado norte-americano retirou as FARC da lista de organizações terroristas estrangeiras, mas sem alterar a sua posição face aos processos judiciais dirigidos contra antigos responsáveis da ex-guerrilha colombiana.

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