www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 15 jan. 07:21

Pergunta aos homens de negócios

Pergunta aos homens de negócios

A economia está a marcar de forma decisiva as eleições legislativas de 2022. Num contexto de uma esperada pós-pandemia (mas em que continuamos a ver o cenário de endemia por um canudo), de crescente inflação e de uma tendência de subida de taxas de juro, são muitos os desafios que o próximo governo terá pela frente, independentemente das cores que vieram a constituir uma maioria parlamentar. Não se avizinha um quadro estável em termos macroeconómicos e isso dificultará a atuação de um próximo primeiro-ministro.

No debate televisivo entre António Costa e Rui Rio muito se falou, por exemplo, de impostos e de incentivos à economia. Se o PSD de Rio aposta num modelo de crescimento que dá prioridade às empresas, baixando o IRC com o intuito de "primeiro criar riqueza e depois distribui-la" como diz o líder do PSD; o PS de Costa opta por seguir um caminho de crescimento para a economia assente na distribuição de rendimentos e com foco nos aumentos salariais. Pretende aumentar até 2026 o peso das remunerações no PIB em três pontos percentuais para atingir o valor média da União Europeia e aumentar o rendimento médio por trabalhador em 20% entre 2021 e 2026, bem como defende um reforço dos salários dos mais jovens. Costa acredita que há "um consenso nacional" sobre o aumento das remunerações. A pergunta, ainda sem resposta, é se as empresas estão prontas e saudáveis o suficiente para aguentar uma subida generalizada dos salários. Estão?

PS e PSD têm visões distintas para dinamizar o produto interno bruto. Em termos empresarias, o PS segue um modelo que não assenta na redução de impostos para todas as organizações mas em incentivos para quem emprega mais, forma mais, investe e inova mais. Como se houvesse um IRC à medida de cada empresa - o que deve ser uma dor de cabeça para as Finanças. Mas enfim, com isso terá de lidar o próximo ministro das Finanças caso o PS forme governo. O que a maioria dos portugueses quer saber é que caminho será o melhor para fazer crescer Portugal? Os decisores e os homens de negócios que leem o Dinheiro Vivo, saberão, certamente, dar a resposta.

A campanha eleitoral terá de ajudar no sentido de esclarecer o que ainda falta saber, com detalhe, porque nas televisões não ficou tudo dito acerca do relançamento económico. Tal como não ficou tudo esclarecido em termos de modelo de governabilidade e estabilidade para o país, fator determinante para criar o contexto certo para o crescimento de Portugal.

Jornalista

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