observador.ptobservador.pt - 15 jan. 12:34

Saúde mental: uma dúzia de séries, filmes e documentários recentes para ver e refletir

Saúde mental: uma dúzia de séries, filmes e documentários recentes para ver e refletir

Novas temporadas que marcam o arranque do ano, filmes saídos de 2021 ou documentários ainda por estrear, a saúde mental é tema omnipresente também no pequeno ecrã: do luto à depressão, e à bondade.

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The Power of Kindness Disponível no Facebook desde novembro de 2021

Na curta-metragem de 30 minutos, Lady Gaga conversa com 11 jovens sobre a viagem de cada um pelos meandros da saúde mental — o projeto divulgado nas redes sociais da cantora e também atriz é assinado pela própria e nasceu em novembro (24 horas antes do Dia Mundial da Bondade) através da Born This Way Foundation, cujo propósito passa precisamente pelo bem-estar emocional dos mais jovens e pela erradicação do estigma prevalente. No vídeo, e com a ajuda de um especialista, os intervenientes abordam diferentes noções de bondade, com o curto filme a ser dividido em quatro capítulos, incluindo um último sobre como construir “um futuro mais bondoso”.

HypeHouse Estreou na Netflix a 7 de janeiro

A crítica não tem sido a mais positiva e não é assumidamente um conteúdo vocacionado para as questões da saúde mental, mas entrar pela porta adentro desta mansão de 5 milhões e conhecer os seus intervenientes é também ficar a par do lado negro da ascensão do Tik Tok e outras redes sociais (mas sobretudo Tik Tok). É casa aberta para conhecer os dramas dos jovens influenciadores — com idades compreendidas entre 17 e 23 anos —, desde a pressão do negócio à ansiedade de gerar conteúdo diariamente, incluindo a depressão. “Eu sei que soa tão idiota. Sou um milionário de 20 anos. Porque é que estou deprimido?”, pergunta, a certa altura, Alex Warren, uma estrela do Tik Tok com quase 15 milhões de seguidores. “Mas é contra isso que luto. Sinto que não tenho permissão para estar deprimido.” Talvez a intenção não tenha sido essa, mas o reality show que estreou na Netflix na primeira semana de janeiro passa mensagens subliminares sobre aquela que é a roleta russa das redes sociais. Já escrevia o britânico The Guardian: o programa consegue ser um retrato deprimente da vida de alguém tratada enquanto um “negócio voraz”.

Querido Evan Hansen Estreou em setembro de 2021

O filme resulta da adaptação um de musical da Broadway com o mesmo nome, já vencedor de prémios Tony. Ao contrário da versão em palco, a longa-metragem ficou marcada pela crítica negativa, sobretudo porque o ator que dá vida à personagem principal — e o primeiro a interpretar o adolescente Evan Hansen no teatro — tem atualmente 27 anos. Mas a par disso (e não descurando a nomeação aos óscares), a história está cheia de dilemas, com a publicação Psychiatric Times a destacá-la num top dos principais retratos televisivos de saúde mental em 2021. É por lá que se lê que, como muitas vezes acontece nos musicais “que valem a pena”, as personagens libertam-se das “algemas mentais” quando cantam. O filme, cuja estreia mundial aconteceu em setembro no Festival Internacional de Cinema de Toronto, conta a história de um estudante do ensino secundário que sofre de ansiedade e a sua viagem de autodescoberta após o suicídio de um colega. Amy Adams e Julianne Moore juntam-se a Ben Platt.

Guia Headspace para Relaxar a Mente Disponível na Netflix desde junho de 2021

O arranque de 2021 fez-se, pelo menos na Netflix, com a série “Guia Headspace para a Meditação”, composto por oito episódios ilustrados, cada um com 20 minutos de duração, e todos eles narrados por Andy Puddicombe — ex-monge que noutra vida chegou a meditar cerca de 16 horas por dia — e um dos criadores da aplicação de saúde mental que, até setembro de 2019, contava com mais de 54 milhões de downloads em todo o mundo (e receitas anuais estimadas em mais de 100 milhões de dólares, cerca de 82 milhões de euros). A meio do ano, e depois de “Guia Headspace para a Indução do Sono”, surgia outro formato semelhante: “Guia Headspace para Relaxar a Mente”, para ajudar-nos a relaxar, meditar ou até dormir profundamente, com a promessa de uma experiência interativa à boleia de estados de espírito individuais.

After Life Última temporada estreou a 14 de janeiro na Netflix

Em 2019, Ricky Gervais — conhecido pelo seu humor controverso — começou a contar a história do viúvo Tony desfeito pela morte da mulher. Um relato que termina nos seis episódios da terceira e última temporada (ao todo foram 18) que acaba de estrear na plataforma de streaming Netlfix. Uma sitcom sombria sobre luto, amor e relações que convida também a pensar na vida e na morte, ainda que, segundo o britânico The Guardian, a terceira temporada tenha um desafio explícito pela frente: combinar progressão narrativa com algo psicologicamente plausível.

Euphoria Segunda temporada estreou na HBO a 10 de janeiro

Maquilhagem à parte, a série dramática, criação de Sam Levison, coloca vários temas em cima da mesa para reflexão: homossexualidade, transsexualidade, depressão e violência, mas também álcool, sexo e drogas. O projeto pelo qual Zendaya, uma das atrizes do momento, ganhou um Emmy chegou finalmente à segunda temporada, voltando a trazê-la no papel principal — são oito episódios com cerca de uma hora que chegam a um ritmo semanal à plataforma de streaming HBO. Já antes, aquando do culminar da primeira temporada, a Bustle escreveu sobre a importante conversa que a série despoletou, ou seja, sobre “a interseção entre doença mental, trauma e abuso de substâncias”.

The Me You Can’t See Disponível na Apple TV+ desde 21 de maio de 2021

A relação entre o príncipe Harry e a apresentadora televisiva Oprah Winfrey vai além da polémica entrevista que os duques de Sussex deram em março do ano passado. Dois meses depois surgia na plataforma de streaming Apple TV+ o esforço conjunto de ambas as personalidades, com a estreia da série “The Me You Can’t See”, onde a saúde mental e o bem-estar emocional são temas centrais. Harry e Oprah conversam frente a frente, num formato que conta com vozes de diferentes intervenientes — desde Lady Gaga a Glenn Close e à estrela da NBA DeMar DeRozan, que partilham as suas experiências no pequeno ecrã lado a lado com o testemunho de cidadãos anónimos. A série conta com a realização de Asif Kapadia, vencedor de um Óscar pelo documentário “Amy”, em 2016, e com o contributo de 14 especialistas acreditados. De lá para cá, o projeto fez correr muita tinta na imprensa internacional, sobretudo por causa das uma vez mais polémicas declarações do príncipe, que na série acusa a família real britânica de ter negligenciado os Sussex e revela para encontrou, já em adulto, respostas no álcool e nas drogas para superar a morte da mãe, Diana, a princesa de Gales.

From stress to hapiness Documentário de 2020

A um monge budista, um padre católico e uma psicóloga e neurocientista social junta-se um homem comum que, curiosamente, é também o realizador deste documentário. O argentino Alejandro De Grazia é quem assina o projeto que resulta de uma viagem pela Patagónia feita em 2018 — e entre a ilustre companhia, destaca-se Matthieu Ricard, um monge budista que viveu 50 anos nos Himalaias e que ganhou o seguinte cognome: o “homem mais feliz do mundo”. São quase 60 minutos de reflexão que incluem conceitos como mindfulness e perguntas como esta: “Como posso usar a minha vida da melhor forma possível?”.

Mental Health and Horror: A Documentary Estreia nos primeiros meses de 2022

O documentário ainda sem data de estreia, com a realização de Jonathan Barkan e produção de Andrew Hawkins, explora a relação entre o género cinematográfico e a saúde mental. Previsto chegar no início de 2022, pretende mostrar o terror como algo catártico, representativo e até sinónimo de esperança. Segundo o realizador, há dois objetivos que são a força motriz deste projeto: “O primeiro é fazer com que aquela pessoa no meio do nada, que ama o terror, mas não tem sistema de apoio ou acesso a recursos de saúde mental, saiba que não está sozinha”, diz, citado pela publicação Colider. “O segundo objetivo é lutar ativamente contra estereótipos e estigmas prejudiciais que a nossa comunidade enfrenta diariamente.” Conhecer os efeitos positivos que o terror pode ter na saúde mental só é possível com a intervenção de fãs, membros da indústria e especialistas em saúde mental.

Wakefield Disponível na Showtime desde outubro de 2021

Desta vez, o The Guardian não foi poupado nos elogios, ao escrever sobre uma série “soberbamente bem feita” e “absolutamente fascinante” baseada numa ala psiquiátrica. O drama de oito episódios, atualmente disponível na Showtime, teve a sua estreia na emissora pública australiana ABC em abril deste ano. Retrata o que acontece quando um enfermeiro que trabalha numa ala psiquiátrica de nome Wakefield começa a perder o controlode acordo com o Deadline, a história protagonizada por Rudi Dharmalingam é inspirada nas experiências pessoais da criadora Kristen Dunphy. Olhando de frente para a complexidade da doença mental com uma certa dose de humor, a série explora a linha ténue entre sanidade e loucura.

Rooney Estreia na Amazon Prime a 11 de fevereiro

No documentário que estreia em fevereiro em 240 países, aquele que foi o melhor marcador do Manchester United e o melhor marcador da seleção inglesa abre o jogo sobre a sua saúde mental e narra uma viagem pelos momentos mais marcantes da carreira. A isso juntam-se testemunhos das pessoas que lhe são mais próximas, incluindo familiares e amigos. Estrelas do mundo do futebol com David Beckham, Gary Neville, Rio Ferdinand e Thierry Henry também entram em campo para falarem de Rooney enquanto colega de equipa e oponente. Desde os tempos de miúdo a crescer em Croxteth, subúrbio de Liverpool, aos anos emergentes enquanto jogador, sem esquecer o intenso escrutínio mediático a que esteve sujeito. O documentário sobre o homem que acabou a carreira aos 35 anos (é agora treinador do Derby County) tem mãos de Matt Smith, realizador já antes galardoado com um prémio BAFTA.

The Minimalists: Less Is Now Disponível na Netflix desde 2021

A relação que temos com os bens materiais, o valor que atribuímos à vida e os benefícios de viver com menos são os temas abordados neste documentário criado para a plataforma de streaming Netflix e realizado por Matt D’Avella — não é, no entanto, o primeiro do seu género, até porque o mesmo realizador e os mesmos protagonistas são nomes e rostos visíveis em “Minimalists: A Documentary About the Important Things”, de 2016. O projeto mais recente continua a focar-se no trajeto dos dois amigos de longa data, Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, do movimento “The Minimalists”, que procuram mostrar os ciclos em que caímos e o que se esconde por detrás das nossas adições.

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