www.publico.ptpublico@publico.pt - 15 jan. 08:53

Vamos falar de violência contra as mulheres

Vamos falar de violência contra as mulheres

A violência contra mulheres é uma das violações de direitos humanos mais prevalentes no mundo, sem fronteiras sociais, económicas e nacionais. Uma em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência durante a sua vida, dois em cada três h

A pandemia que estamos a viver está a ser penosa e a causar inúmeros impactos negativos em várias áreas da vida em sociedade. Em Portugal e no mundo, a pandemia está a aumentar casos de pobreza, aumentar os casos de ansiedade e de depressão e a aumentar o número de casos de violência contra as mulheres.

Em Portugal, em 2021, aumentou o número de denúncias por violência doméstica, bem como os pedidos de ajuda; foram assinadas 23 mulheres, das quais 13 em contexto de intimidade, e houve 50 tentativas de assassinato. Falar sobre violência e crimes contra as mulheres é urgente, mas é sempre um assunto delicado porque não significa que não exista violência contra os homens — evidentemente que também existe e deve ser tratada e discutida com o mesmo rigor, especialmente pelo facto de os homens, no geral, recorrerem menos a pedidos de ajuda do que as mulheres.

Não obstante, os números dizem-nos que em Portugal e no mundo a taxa de violência e crimes cometidos contra as mulheres é muito elevada e que, em pleno século XXI, as mulheres continuam a ser alvo de discriminação, de violência e de crimes cruéis nas mãos de pessoas com as quais mantêm relações de intimidade unicamente pelo facto de serem mulheres. Será que conseguimos imaginar quantas mulheres são diariamente violentadas e maltratadas no mundo? Infelizmente, penso que a maioria de nós não consegue porque os números são, de facto, exorbitantes.

Os relatórios das Nações Unidas declaram que uma em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência durante a sua vida, dois em cada três homicídios em contexto familiar são de mulheres, uma em cada cinco meninas é forçada a casar antes de completar os 18 anos, e apenas 40% das mulheres procura ajuda depois de sofrer alguma forma de violência.

A violência contra mulheres é uma das violações de direitos humanos mais prevalentes no mundo, sem fronteiras sociais, económicas e nacionais, como recorda a UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas). Infelizmente, nenhuma nação atingiu até aos dias de hoje o fim da violência contra as mulheres ou a igualdade de género, o que faz com que estas matérias sejam um problema social a nível global.

Devemos educar as crianças e jovens, rapazes e raparigas, contra qualquer tipo de violência (verbal, psicológica, física e sexual), promovendo a discussão com eles sobre a violência, direitos humanos e respeito pelo próximo independentemente do género, raça, etnia ou religião.

Notoriamente, nos últimos anos foram feitos muitos progressos em todo o mundo, como, por exemplo, os países que aboliram a mutilação genital feminina e o casamento infantil. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito, pois só será possível atingir um mundo melhor e mais sustentável quando se assegurarem os direitos das mulheres como direitos humanos e fundamentais.

Paremos então para reflectir em que mundo queremos viver e o que podemos fazer no nosso dia-a-dia para ajudar a transformar o mundo num lugar melhor e mais igualitário. Eu diria que podemos começar por não relativizar os casos de violência que conhecemos e denunciar — uma vez que a violência doméstica em Portugal é considerada um crime público, qualquer pessoa pode e deve denunciar junto das entidades competentes.

Podemos, ainda, parar de utilizar as redes sociais para reencaminhar vídeos e fotos comprometedoras ou de casos de violência, e passar a utilizar esses meios de comunicação para sensibilizar as pessoas para estes temas. Finalmente, podemos e devemos educar as crianças e jovens, rapazes e raparigas, contra qualquer tipo de violência (verbal, psicológica, física e sexual), promovendo a discussão com eles sobre a violência, direitos humanos e respeito pelo próximo independentemente do género, raça, etnia ou religião.

Educar as nossas crianças e jovens é a chave para erradicar a violência contra as mulheres e atingir a igualdade de género no futuro, pois um dia eles serão os adultos que irão governar o mundo.

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