observador.ptobservador.pt - 15 jan. 00:24

York reivindica retirada do título de duque ao príncipe André

York reivindica retirada do título de duque ao príncipe André

Representantes da sociedade civil de York, no norte de Inglaterra, defendem a retirada do título de duque ao príncipe André, acusado de abuso sexual de menores.

Representantes da sociedade civil de York, no norte de Inglaterra, pediram esta sexta-feira a retirada do título de duque daquela cidade ao príncipe André, acusado nos Estados Unidos de abuso sexual de menor e que recentemente renunciou aos títulos militares.

Entre as vozes críticas está a deputada trabalhista, Rachael Maskell, que através da rede social Twitter considerou “insustentável” que o segundo filho da rainha Isabel II continue a deter o título de duque de York, como é reconhecido habitualmente.

It's untenable for the Duke of York to cling onto his title another day longer; this association with York must end. There's a very serious allegation made against this man of privilege & entitlement. I'm working with agencies to tackle sexual violence & misogyny. #NotInYorksName

— ????Rachael Maskell MP (@RachaelMaskell) January 13, 2022

“É insustentável que o título de duque de York continue a pertencer-lhe por mais um dia – esta associação com York deve terminar”, salientou Maskell, deputada eleita por aquela região.

Para a deputada trabalhista, as suspeitas sobre o príncipe André, acusado de violação por Virginia Giuffre, quando esta cidadã norte-americana tinha 17 anos, em 2001, são “demasiado sérias para ter aquele privilégio [de ser duque de York]”.

Os alegados abusos e o “dia horrível” para André: 7 perguntas e respostas sobre o caso que pode levar o filho da rainha a julgamento

Maskell vincou ainda que parte das funções públicas do duque implicam cooperar com entidades sobre questões como a violência sexual.

Também o vereador da câmara municipal daquela cidade, Darryl Smalley, defendeu a retirada do título de duque de York, um dos mais prestigiados da nobreza inglesa e que é tradicionalmente atribuído ao segundo filho homem de um monarca.

O político do Partido Liberal Democrata lembrou que embora o duque “permaneça inocente até prova em contrário”, o Palácio de Buckingham e o governo britânico “devem pesar as consequências das preocupantes acusações”.

Esta conexão única de York com a coroa e a monarquia é uma parte importante do legado e da história da cidade e uma grande fonte de orgulho”, sublinhou, citado por um jornal local.

O príncipe André, duque de York, renunciou aos títulos militares, segundo anunciou na quinta-feira o Palácio de Buckingham, depois de a justiça norte-americana ter recusado arquivar a queixa civil por abuso sexual contra o membro da família real britânica.

“Com o consentimento e aprovação da rainha, as afiliações militares e os apadrinhamentos reais do duque de York foram devolvidos à rainha. O duque de York continuará sem nenhum cargo público e defende-se neste assunto como cidadão privado”, adiantou o Palácio em comunicado.

Desde 2020 que o duque de York se demitiu das suas funções oficiais e está afastado da vida pública.

Os media britânicos também noticiaram esta sexta-feira a especulação crescente de que o príncipe André tem sido isolado dentro da família real, à exceção da sua ex-mulher, Sarah Ferguson, de quem se divorciou há mais de um quarto de século.

A própria Fergie revelou recentemente, na televisão italiana, que continua “100% ao lado” do duque de York.

Virginia Giuffre quebrou esta sexta-feira o silêncio, através da rede social Twitter, para elogiar a decisão de um juiz de Nova Iorque em manter a queixa judicial da norte-americana contra o príncipe André.

I’m pleased with Judge Kaplan’s ruling yesterday that allows my case against Prince Andrew to go forward. I’m glad I will have the chance to continue to expose the truth & I am deeply grateful to my extraordinary legal team. 1/3

— Virginia Giuffre (@VRSVirginia) January 14, 2022

A queixosa insistiu que o processo civil contra o segundo filho da rainha de Inglaterra não “visa o lucro” mas “justiça”.

“O meu objetivo sempre foi mostrar que os ricos e poderosos não estão acima da lei e devem ser responsabilizados”, referiu, numa altura em que crescem os rumores no Reino Unido de que o príncipe André pretende estabelecer um acordo para um processo extrajudicial, de forma a evitar submeter-se a um julgamento público.

Giuffre afirma ter sido apresentada ao membro da família real britânica por Jeffrey Epstein, milionário norte-americano acusado de crimes sexuais que se suicidou na prisão em 2019.

O príncipe André, de 61 anos, nega veementemente as acusações e qualquer comportamento impróprio, alegando que nunca se encontrou com a mulher em causa, e ainda pode recorrer da decisão do juiz de Nova Iorque, Lewis Kaplan, que esta semana negou provimento ao recurso.

Se todos os recursos forem negados e não houver acordo entre as partes, este julgamento poderá ser realizado entre setembro e dezembro de 2022.

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