observador.ptobservador.pt - 14 jan. 19:24

Biólogos descobrem nova espécie de rã no Panamá e batizam-na de Greta Thunberg

Biólogos descobrem nova espécie de rã no Panamá e batizam-na de Greta Thunberg

A rã Greta Thunberg (Pristimantis gretathunbergae) pertence ao grupo da Rã-de-Chuva. Endémica do Panamá, tem olhos negros, uma característica única das rãs de chuva da América Central.

Uma equipa internacional de biólogos descobriu uma nova espécie de rã numa floresta nublosa do Panamá e batizou-a de “Greta Thunberg”, em homenagem à jovem ativista sueca e aos seus esforços no combate à crise climática, foi esta terça-feira anunciado.

A rã Greta Thunberg (Pristimantis gretathunbergae sp. nov., no nome científico) pertence ao grupo da Rã-de-Chuva do género Pristimantis, família Strabomantidae, disse esta terça-feira agência de notícias EFE o biólogo e diretor da associação Adopta Bosque Panamá (ADOPTA), Guido Berguido.

O artigo em que a nova espécie é oficialmente descrita e nomeada foi publicado esta terça-feira na revista científica ZooKeys da editora Pensoft.

O espécime foi descoberto por uma equipa internacional de biólogos liderada pelos cientistas Abel Batista, do Panamá, e Conrad Mebert, da Suíça, no Centro Chucantí, uma reserva privada situada na província de Darién e administrada pela ADOPTA.

A nova espécie de rã “é endémica do Panamá, só é relatada na República do Panamá e vive apenas nas altas montanhas de Darién e no centro do Panamá. Ou seja, num habitat muito restrito e, portanto, é vulnerável à extinção“, explicou Berguido.

O anfíbio tem olhos negros, uma característica única das rãs de chuva da América Central, e os seus parentes mais próximos habitam no noroeste da Colômbia, indicaram o Ministério do Ambiente do Panamá e a ADOPTA.

As duas entidades destacaram que “a situação sombria da rã Greta Thunberg está estritamente relacionada com as mudanças climáticas”.

A subida das temperaturas destruiria o seu pequeno habitat de montanha“, uma vez que “a região ao redor do Cerro Chucanti já perdeu mais de 30% da sua cobertura florestal nos últimos anos“, acrescentam em dois comunicados diferentes.

Outra ameaça para a nova espécie de rã é o fungo mortal quitrídio, que afeta a pele dos anfíbios.

Batrachochytrium dendrobatidis (nome científico) é o nome do fungo que provoca a doença de pele que já afeta mais de 700 espécies de anfíbios, tendo causado o declínio de populações em todo o mundo, além da extinção de quase 200 espécies.

Em 2018, a organização sem fins lucrativos Rainforest Trust comemorou o seu 30.º aniversário, organizando um leilão onde ofereceu os direitos de nomear algumas espécies novas para a ciência.

O vencedor deste leilão propôs nomear a nova rã descoberta em Darién para homenagear Greta Thunberg e os seus esforços no combate à crise climática, segundo o Ministério do Ambiente do Panamá.

A sua ‘Greve Escolar pela Ação Climática’ inspirou estudantes de todo o mundo a realizar paralisações semelhantes designadas Fridays for the Future (Sextas-feiras pelo Futuro, em português). [Greta] impressionou líderes mundiais e o seu trabalho está a atrair outros para a ação climática”, indicou a tutela.

Guido Berguido disse à EFE que a nova espécie foi descoberta como parte do trabalho de doutoramento de Abel Batista na Alemanha, que “consistiu em fazer uma análise dos anfíbios em Darién”.

Chegar à floresta nublosa onde a rã foi encontrada envolve longas horas de viagem a cavalo através de trilhos lamacentos, subindo encostas íngremes e acampando a 1.000 metros de altitude.

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