observador.ptobservador.pt - 14 jan. 18:16

Utente obrigada a fazer 110 quilómetros para fazer exame ao coração pelo SNS

Utente obrigada a fazer 110 quilómetros para fazer exame ao coração pelo SNS

A utente da unidade de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste, com 86% de incapacidade e residente no concelho de Mafra, teve de se deslocar até Leiria para realizar o exame.

Uma utente da unidade de Torres Vedras do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), no distrito de Lisboa, reclamou por ter percorrido esta quinta-feira 110 quilómetros até Leiria para realizar uma cintigrafia miocárdica pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Como é possível a marcação de um exame médico a uma distância de 110 quilómetros (Leiria), quando anteriormente esse mesmo exame, marcado de igual modo pelo hospital, ficava a uma distância de 44 quilómetros (Lisboa)”, questionou à agência Lusa Ana Teodoro, filha da utente de 76 anos, com 86% de incapacidade e residente na Aboboreira, no concelho de Mafra.

Numa reclamação enviada ao CHO, cuja receção foi confirmada pela instituição e a que a Lusa teve acesso, as duas cidadãs mostram a sua “indignação” pela distância a que foram sujeitas para fazer o exame ao coração prescrito pelo cardiologista.

Questionado pela Lusa, o CHO esclareceu que, como não tem capacidade para realizar o exame e não existe referenciação para exames de medicina nuclear no SNS, tem de pedir aos privados o exame, mediante concurso público lançado.

Entre os critérios de adjudicação, está o custo mais baixo não só do exame, como também do valor dos quilómetros percorridos entre as unidades hospitalares do CHO e o local do exame.

A empresa vencedora, Diaton, que trabalha no Hospital de Leiria, foi o “candidato mais bem pontuado” pelo preço inferior apresentado” para o exame e por ter “conseguido compensar a diferença do valor dos quilómetros face aos restantes candidatos (mais próximos, mas mais caros)”, justificou a instituição hospitalar.

Na reclamação, a utente questionou sobre a existência de meios de transporte e sobre os gastos que os doentes têm de “desembolsar para se deslocar 110 quilómetros”.

O CHO respondeu que, “no caso dos utentes com critérios de insuficiência económica e clínica, nos termos legais, o CHO assegura os encargos com o transporte desses utentes para a realização do exame”.

Contudo, Ana Teodoro alegou que telefonou diversas vezes para o CHO a pedir uma guia de transporte, mas não conseguiu respostas à distância.

O Centro Hospitalar do Oeste integra os hospitais de Torres Vedras, Caldas da Rainha e de Peniche e detém uma área de influência constituída pelas populações daqueles três concelhos, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Lourinhã, e de parte dos concelhos de Alcobaça (freguesias de Alfeizerão, Benedita e São Martinho do Porto) e de Mafra (com exceção das freguesias de Malveira, Milharado, Santo Estêvão das Galés e Venda do Pinheiro).

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