observador.ptobservador.pt - 14 jan. 23:15

Etiópia envia carta à OMS a acusar Tedros Adhanom Ghebreyesus de "má conduta": "Não correspondeu às expectativas"

Etiópia envia carta à OMS a acusar Tedros Adhanom Ghebreyesus de "má conduta": "Não correspondeu às expectativas"

Após declarações sobre a situação do Tigray, a Etiópia mandou uma carta à OMS, dizendo que o diretor-geral (que é etíope) "espalhou desinformação maliciosa e comprometeu a reputação" da organização.

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O governo da Etiópia mandou uma carta à Organização Mundial de Saúde (OMS) em que acusa o atual diretor-geral de “má conduta”, noticia esta sexta-feira a Associated Press. O executivo etíope diz que Tedros Adhanom Ghebreyesus “não correspondeu à integridade e às expectativas profissionais que o seu lugar requeriam”.

Em causa, estão declarações de Tedros Adhanom Ghebreyesus, nas quais critica o atual governo etíope devido à crise humanitária que o país africano enfrenta e também a gestão do conflito na região do Tigray, da qual o diretor-geral é natural. “Através dos seus atos, espalhou desinformação maliciosa e comprometeu a reputação, independência e credibilidade da OMS”, acusa o executivo da Etiópia.

Este é um volte-face do governo etíope, que havia apontado, em 2017, o nome de Tedros Adhanom Ghebreyesus para desempenhar o cargo de diretor-geral da OMS, que, até ao momento, não respondeu às acusações da Etiópia.

Na quarta-feira, Tedros Adhanom Ghebreyesus condenou o bloqueio das forças internacionais à região do Tigray, divulgando que a OMS não consegue fornecer equipamento médico à região desde julho. “Em mais nenhuma parte do globo se assiste a um inferno como no Tigray, declarou o diretor-geral.

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Para o etíope, deve haver um acesso humanitário “irrestrito” ao Tigray, respeitando-se a “ordem constitucional”, algo que iria resolver o “problema” com uma “solução pacífica”. “Eu sou dessa região, da parte norte da Etiópia. Mas digo isto sem qualquer viés.”

A Frente de Libertação do Povo do Tigray, que defende a soberania da região, envolveu-se em novembro de 2020 num conflito com as forças leais ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que provocou milhares de mortos e uma grave crise humanitária. Seis milhões de habitantes ficaram sem acesso a bens de primeira necessidade devido a bloqueios à ajuda humanitária.

O conflito na Etiópia alterou-se no final de dezembro passado quando as forças rebeldes que lutavam contra o Governo se retiraram para a região de Tigray depois de se aproximarem da capital, Addis Abeba. Uma ofensiva militar apoiada por drones fê-los recuar.

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Apesar de os combates terem abrandado, os rebeldes acusam o Governo de continuar com ataques com drones sobre a região.

No dia 7 de janeiro, dia do Natal Ortodoxo, o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, emitiu uma mensagem de reconciliação após mais de um ano de guerra. No mesmo dia, o Governo anunciou uma amnistia para alguns dos presos políticos, incluindo altos responsáveis da Frente de Libertação do Povo do Tigray.

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