eco.sapo.ptAna Marcela - 13 jan. 12:29

Et tu, 2022?

Et tu, 2022?

No rolar dos dados, 2022 será talvez o ano em que a retenção do talento estará no topo das prioridades dos gestores de pessoas.

Ouvimos as 12 badaladas que marcam o início do novo ano e mergulhamos na “semana de contenção”. A sensação – por mais otimismo que queiramos manter – é mais do mesmo: uma nova variante, a Ómicron, a entrar no léxico dos portugueses, a pandemia a estragar os planos das empresas, teletrabalho obrigatório e reuniões infindáveis no Zoom ou Teams. Mas a verdade é que nada será como dantes em 2022. Depois de quase dois anos a viver sob a nuvem da Covid 19, todos mudamos. Queremos mais flexibilidade na gestão da nossa vida, mais tempo para dedicar aos nossos planos e no trabalho não é diferente. E os líderes de pessoas (mais atentos) já perceberam que não há volta a dar.

Sentem-se tempos de mudança na relação entre empresas e colaboradores e há que ajustar expectativas ou a aldeia global – onde as organizações podem agora, mais do que nunca, contratar – irá exercer o seu canto de sereia e atrair o talento que tanto lhe custou conquistar e que não quer – de todo – perder.

Pior, alertam os líderes de pessoas, há dúvidas que as empresas nacionais consigam competir ao nível de salários e benefícios com as propostas de companhias de todo o mundo que, não só olham com interesse para o talento português, como estão dispostas a abrir os cordões à bolsa. A tudo isto junta-se a falta de pessoas.

Pode parecer estranho quando uma pandemia destruiu emprego com a fúria de um F5, mas foi essa mesma pandemia que levou muitos a fugir de setores fulcrais para dinamizar a economia de um país em mãos com uma bazuca de 16,6 mil milhões de euros e cinco anos para a executar. Construção é um deles e o turismo – visto até 2019 como um case study a nível mundial – é outro.

Com as pessoas ‘em fuga’, Luís Araújo, que viu renovado até 2026 o seu mandato à frente do Turismo de Portugal, na conversa com a Pessoas, colocou o dedo na ferida: “Mais do que fidelizar o turista, temos de fidelizar colaboradores”. E o que vale para o turismo, atrevo-me a dizer, vale para qualquer outro setor.

No rolar dos dados, 2022 será talvez o ano onde as empresas irão apostar na fidelização – que é como quem diz na retenção – do seu talento. E por talento refiro-me, também, às lideranças. É que esta onda de fundo, esta revolução na forma como trabalhamos, está igualmente a pressionar os gestores de pessoas. E teme-se que, pelo andar da carruagem, alguns – a começar pelos jovens e mulheres – decidam sair no próximo apeadeiro.

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